Aceite-me como sou

Apenas eu

namorados_idososAceite-me como sou
Doida ou sã
Puta ou santa
Alegre ou sofrida
Otimista ou descrente
Aberta ou reprimida

Deseje meu corpo
Firme ou flácido
Reto ou curvilíneo
Celulítico, paralítico, raquítico
Sóbrio, pálido ou bronzeado
Dobradiço, roliço, desenfreado

Ame meus defeitos, meus peitos, meu humor
Meu desespero e meu despudor
Veja luz em meu olhar e acolha minha dor
Abrace minha essência e terá o meu amor

Fiz um vídeo recitando essa poesia, a propósito:

Quem me faz feliz

felizDurante muito tempo busquei um amor, um relacionamento para preencher um vazio que sentia no peito. Achava que ser amada por alguém que não fosse da minha família era a chave para eu ter certeza de que tinha valor. Condicionei por anos minha felicidade ao surgimento de um homem que chegaria resolvendo todos os meus problemas: da autoestima à companhia pra ir ao cinema. Até lá, aguardaria infeliz e sozinha o resgate. Depositei responsabilidade demais nas costas de um desconhecido que não sabia nem se e quando chegaria.

Mas a maturidade me ensinou que seria justamente o contrário. Continue lendo

Pausa para mais um adeus

Lá vai você de novo e eu nem tive tempo… Não ouvi você cantar, não sei sua cor preferida, o que te deixa triste nem os lugares que faltou conhecer.

Não deu tempo de dizer como preciso de carinho, que minha marra é puro medo. E que minha busca por carinho é pra ver se aprendo a ter alguém por perto sem fugir. E que estava começando a gostar de quem eu era perto de você. Ainda não era um suspiro, mas me fazia bem.

Não pude te contar como tropeço nos sentimentos e o quanto eles me confundem. Faltou tempo pra outro cafuné, pra outra tentativa.

Você já parece estar de saída e eu nem pude cuidar de você quando ficou doente. Não te vi à luz do dia, não vimos um filme inteiro. Não consegui saber mais sobre seu mundo, suas canções.

Mais uma vez se foi antes que fosse. Antes que eu decidisse se queria, se podia ser, se era você. Não foi.
Hoje é você, ontem foi outro “você”. Mais um quase interrompido. Mais um fim antes do começo… Mais um adeus.

Ser levada por inteiro

Natália Klein, redatora, escritora, psicótica e a Nikita do Macho Man

Peço desculpas a vocês (poucos) que gostam de ler este blog. Ando escrevendo tantas coisas obrigatórias ultimamente que me faltam tempo, paciência e inspiração para textos legais sobre a vida, que eu realmente gosto de fazer.

Mas, para não deixar vocês na mão, coloco aqui o texto de uma escritora que conheci há pouquíssimo tempo e já admiro muito – Natália Klein. Eu já a assistia na TV no papel da gótica Nikita da série Macho Man. Mas uma amiga comentou que ela era blogueira também e que seu blog tinha virado um programa no Multishow, o Adorável Psicose. Aí eu descobri que ela fala tudo que eu gostaria de falar, mas com muito mais humor e talento.

O primeiro texto dela que escolhi é o “A afetividade torta”. Deliciem-se. Eu concordo em número e grau com ela:

A afetividade torta, por Natália Klein

“Acho que o maior problema dos relacionamentos contemporâneos é da ordem gastronômica. Da forma como eu vejo – e talvez esteja influenciada pela fome da madrugada – as pessoas são como grandes tortas de sabores variados. Algumas a gente bate o olho e já sabe que vai gostar, às vezes só pelo cheiro. Outras vezes, a gente segue a intuição e só depois descobre que é alérgico a nozes, ou pior, que a torta em questão curte sertanejo universitário.

Mas, ao contrário do que você possa estar pensando, o problema dos relacionamentos contemporâneos não reside no fato de que somos tortas gigantes. Tortas são bonitas e gostosas, na grande maioria das vezes – exceto nas festas de aniversário em escritórios no centro da cidade. A tristeza da coisa está na constatação de que estamos vivendo uma espécie de comidaaquilorização da afetividade. Isso significa que, devido a alta oferta de tortas no mercado, ninguém consegue se focar em apenas um sabor.

O que temos hoje é uma porção de tortas sendo vorazmente garfadas e deixadas de lado, aos pedaços, disformes, tristes. Todo mundo quer um pedacinho de torta, uma fatiazinha fina do tipo “estou-de-dieta-não-quero-muito”. Tem sempre alguém querendo dar uma mordiscada, uma lambidinha, uma passadinha de dedo marota. O que ninguém quer – ou tem coragem de fazer – é arriscar e levar a torta inteira para casa.

E essa é a grande lástima da nossa geração. Estamos acostumados a tirar lasquinhas de várias sobremesas e levar à balança do restaurante para pesar. É a insustentável leveza da torta mousse de chocolate e do cheesecake de framboesa. Estamos acostumados a ter muitas, muitas opções de comida. E de pessoas. Conheço gente que tem mais de 1.000 amigos no Facebook. Como se alguém fosse fisicamente capaz de ter mil amigos.

E qual é o resultado disso? Tortas garfadas e destroçadas, sem lugar cativo na geladeira de ninguém, vagando por aí, pelas noitadas, pelas festas, tristes, tortas. E, pouco a pouco, elas vão perdendo a doçura. Vão se tornando descrentes, azedas, estragadas pelo ataque dos garfos despretensiosos.

Somos tortas. Claro que somos comidas. Mas o que eu queria mesmo era experimentar a sensação de ser a preferida de alguém. Aquela que é levada dentro do pacote – o pacote completo, com todos os defeitos e qualidades, com todas as garfadas sofridas, com tudo aquilo que faz de mim a torta gigante que eu sou. Estou farta de me pedirem pedacinhos. Quero ser levada por inteiro”.

O igual da diferença

Assim, como quem não quer nada, estava assistindo a um capítulo do remake da novela Tititi, que voltou à Globo semana passada, e ouvi uma música com arranjo e letra curiosos. Assim como quem não quer nada, peguei o trecho que ouvi e fui procurar no oráculo (leia-se Google), que me trouxe a informação de que aquela música interessante, apesar de cantada por outra pessoa que ainda não descobri quem é na trilha sonora da novela, é de ninguém mais que meu ídolo Lenine, de quem já postei canções várias vezes aqui. Tinha que ser!

A música “Crença” traz um amor sem preocupação e dedicado ao mesmo tempo, que torna os dois um só, que pede pra relaxar, não pensar na parte pesada de um relacionamento. “O que quero de você e você quer de mim nós decidimos depois”. Um amor natural e compreensivo, entre pessoas diferentes, sim, e daí? “É normal o igual da diferença, cada um tem sua crença”. Isso tudo, dito e cantado com o arranjo e a voz do Lenine parece ainda mais bonito. Duas pessoas com crenças diferentes, que se amam, que não se preocupam com o depois e está bom como está. Um pensando no outro mais que nele mesmo, mas sem exigir o mesmo em troca. Gostoso um amor assim… Será que existe?

Crença – Lenine

Eu só penso em você
Depois que eu penso em mim
E eu penso tanto em nós dois
Sei que é de cada um
E acho até comum
Pensar assim de nós dois
Vai que a gente pensa igual
E acho isso normal
O igual da diferença
Cada um, todo ser
Tem sua crença
Eu só penso em você
Depois eu penso em mim
E eu me confundo em nós dois
Sei quando viramos um
E aparece um
Que se mistura em nós dois
Vem não há o que pensar
Melhor achar normal
Viver a diferença
Pensa não, deixa assim,
Que a vida pensa
Tanto por viver, tento não jogar
Pra baixo do tapete essa poeira.
Tonto de você tento não pensar besteira.
Tanto por você, para o nosso bem
Às vezes fica um com e o outro sem
Seja como for somos nós e mais ninguém
O que eu quero de você
E você quer de mim
Nós decidimos depois
Eu só penso em você
E tenho aqui pra mim
Que você pensa em nós dois

Carpinejar pode esperar…*

Há mais de uma semana, fiz uma entrevista com o escritor Fabrício Carpinejar para a VEJA.com (leia ela completa aqui e aguarde para ver outro texto a respeito em breve). Eu virei fã há mais de um mês, quando alguém reenviou uma frase poética dele no twitter. Passei a segui-lo e descobri seu incrível potencial em fazer poesia com 140 caracteres. Vasculhei o blog, o site e encontrei vídeos e entrevistas no youtube. Ele é tão engraçado e, digamos, exótico, que virei fã na hora. Quando vi que ele estava pra lançar um livro de crônicas chamado “Mulher Perdigueira”, fiquei curiosa. Consegui um exemplar – que não sai da minha cabeceira. Li uns trechos para a entrevista e ainda não terminei porque fico degustando cada palavra, digerindo aos poucos. É, como diz a Manu Macagnan, uma daquelas leituras que se faz com um lápis do lado para destacar as partes que você quer lembrar… Simplesmente incrível!

Pra vocês verem o quanto ele é fera, resolvi listar aqui alguns desses trechos que sublinhei durante a leitura até pouco menos da metade do livro. Fora do contexto podem até não ter tanta lógica, mas observe bem a escolha das palavras. Começo pela frase que mais gosto. Apreciem sem moderação:

Não me interessa um tempo comigo quando posso dividir a eternidade com alguém

“O amor é uma comissão de inquérito, é abrir, é grampear o telefone, é cheirar as camisas. É também o perdão, não conseguir dormir sem fazer as pazes”

“Macho acredita que seduz somente fora do casamento. Quando se fixa demoradamente numa jovem, quando pisca o olho a uma estranha, quando dá em cima de uma beldade, quando examina a bunda de uma gostosa. Confia que flertar e soltar indiretas são suficientes para garantir seu domínio territorial. Sua tese é parecer disponível, ainda que comprometido. Carrego, portanto, a certeza de que o maior sedutor não é o malandro, não é o esperto, mas o monogâmico. O fiel. O que tem olhos apenas para sua esposa. (…) Nada mais ostensivo e perigoso do que um homem amando sua esposa. (…) Não custa avisar: cuide de sua mulher antes que ela se interesse pela vida de outra esposa”

“No amor, em algum momento, você terá que ser ingênuo e acreditar. Terá que largar uma vida, refazer sua vida. Terá que abandonar a filosofia pessimista, a inteligência solteira do botequim e se declarar apaixonado. Terá que ser incoerente, contradizer fundamentos inegociáveis. Terá que rasgar a certidão negativa, a proteção bancária, os manifestos de aversão a casamento e filhos. Não dá para ser esperto sempre”

“O bêbado é uma agência de notícias. Não lhe interessa beber, porém ser visto bebendo. Não é didático, é redundante. Avisa que vai beber todas. Em seguida, avisa que está bebendo. A cada copo virado, nos mantém informados de que está bebendo mesmo. No decorrer, vai concluir que está bêbado. Aciona o saquinho de risadas do bolso e não para. Mesmo bêbado, continuará bebendo para reforçar que está bêbado. (…) Os exibicionistas etílicos não passam de carentes”

“É o que me põe apaixonado numa mulher: o pratinho do vaso. O que é sem graça, o que somente protege, mas que é confidente das raízes. O quanto ela é capaz de estar ao seu lado sem que necessite imortalidade. O quanto me torno observador das inutilidades. Falei inutilidades, pois é, não errei a digitação, quem ama conserva as inutilidades

“Não sou de riscar o que aconteceu para parecer mais maduro ou eliminar as contradições e simular coerência. Inclino-me a conviver com as rasuras e insatisfações”

“Esquecemos que o sexo pode ser curto no tempo e intenso na entrega. Já é suficiente meia hora, desde que vivida com a disposição dos detalhes, desde que a respiração seja saboreada e a pálpebra se feche para deixar o lábio enxergar sozinho”

“Duas coisas que o homem não tolera ouvir de uma mulher: insinuações sobre o seu sexo e que dirige mal. O resto é negociável”

“Conviver consigo muito tempo não é saudável. Eu me perdoo com mais facilidade do que desculpo os outros. Ou me vingo nos outros o que não perdoo em mim”.

“Orgulho-me desse humor brasileiro, incomparável. Daquele cara que deu tudo errado e ainda está achando graça. Sofreu enchente, deslizamento, seca, foi corneado e não se entrega. Não fechará o negócio, a cara, a amizade. É o que não tem motivos pra rir e está rindo. Seu riso é perigoso. Seu riso é ofensivo”

Amar não é um vexame. Escândalo mesmo é a indiferença

*Explicação: O título do post ficou assim porque, quando estava organizando este texto, no meio da madrugada, cochilei um tempo. Quando despertei rápido, vi que tinha um post pra salvar. Minha sonolência me impediu de pensar e eu, no piloto automático, simplesmente escrevi “Carpinejar pode esperar”. Só vi isso no dia seguinte. Acho que pode ter sido um recado do meu corpo cansado dizendo “depois você termina isso, vá dormir”, achei poético e resolvi deixar, mesmo que não faça o menor sentido…

Nem doeu… (a amiga legal)

Depois de tudo o que foi dito (que pode ser resumido em um incompreensível “você criou muitas expectativas”), fiquei um tempo querendo matá-lo, depois outro tempo querendo reencontrá-lo. Enfim, nos vimos de novo meio por acaso. Mas dessa vez as duas vontades – matar e re(vi)ver – passaram.

Eu, boa menina que sou, estava sorridente e muito legal. Sou craque nisso quando quero (às vezes, até quando não quero). Ele também foi. Não sei se por culpa ou se só pra mostrar que ignora completamente o que aconteceu, como se nada tivesse acontecido. Entrei no jogo. E aos poucos fui vendo que realmente aquilo não teria dado certo. Não tinha nada a ver.

Mas não deixou de ser chato ter que ficar ali do lado, aceitando toda aquela simpatia, sendo tão legal com ele até parecer que eu tinha superado tanto a situação a ponto de aguentar numa boa a cena dele fazendo e falando as mesmas coisas com outra, bem na minha frente. Respirei fundo, fechei meus olhos, ignorei. Fiz cara de “nem doeu”. Mas, no fundo, mesmo que eu não quisesse absolutamente nada mais, morri de raiva por ter sido tão legal.

O resultado disso é que acordei meio de mau humor, não porque queria estar com ele, mas porque me obriguei a sorrir e continuar sendo a boa menina legal que todos conhecem. Mas passa logo – o mau humor. Porque a boa menina legal, essa não vai embora tão cedo. E, sim, podemos ser amigos, só pra variar. Sou craque nisso!

Por quê? – Pensa que é a primeira vez que isso acontece? Iiii, como disse, sou craque nisso. Quantas e quantas vezes tive que engolir o orgulho e sorrir para um desses me apresentando a namorada nova, como se eu fosse mesmo uma amiga muito legal que poderia aprovar ou não a nova companheira. Por que eu deveria ser – e sou – tão legal?

Sou a amiga legal desde que me entendo por gente (leia-se quando perdi um pouco a timidez e aprendi a fazer amigos, lá pelos 15, 16 anos). As meninas que andavam comigo eram as populares, as bonitonas, as queridinhas. Eu, a menina legal. Por mais que estivesse a fim de alguém, jamais conseguia demonstrar algo além de amizade. E eles vinham com namoradas, paixões e tudo o mais. Eu era só a amiga.

Acho que nasci com o dom de ser amiga dos homens. Alguns já chegaram a me chamar de brother, pode? Odeio quando isso acontece, por mais que eu também os veja assim. Me sinto masculinizada, é horrível! (meninos, #ficadica) Também é bem chato quando acontece o contrário: eu querendo ser amiga e eles achando que estou dando mole. Desculpem, mas eu não tenho controle sobre isso. Sou amiga igual, quando estou a fim, quando não estou, quando tenho raiva, quando amo, quando não gosto. Não tenho um botãozinho de “liga/desliga demonstração de amizade”.

Por isso é que digo que sou craque nisso. Sou tão amiga legal que sou capaz de sorrir, cumprimentar a namorada nova, conversar com ela, falar umas brincadeirinhas engraçadas com ele e segurar firme aquela minha cara de “nem doeu”. Talvez seja pra isso também que servem as amigas legais como eu…

Ainda que a espera nunca chegue ao fim…

Confesso: estou à espera do amor. Espera mesmo, não procura. Porque procura, para mim, é desespero, agonia, falta de esperança. E eu, definitivamente, espero. Já morri de raiva de todos os homens e disse que não queria mais gostar de nenhum. Mas, quando percebo, já estou olhando para os lados na rua, nas festas, em todo canto, perguntando se “ele” – o amor – pode estar por aí. Demoro mais a dormir e enrolo para levantar porque fico imaginando como ele é, do que gosta, onde está. Às vezes fico roteirizando nosso romance. Já temos uma rotina, sei aonde vamos, o que vamos assistir, que músicas vamos ouvir juntos. Tenho frases prontas para dizer a ele, abraços preparados para recebê-lo, segredos para contar. Continue lendo

Como tirar o time de campo respeitosamente

[Era pra ser só um e-mail, mas acabou saindo algo meio poético e resolvi colocar aqui]

Poderia ser uma boa jogadora fingindo que não estou nem aí e você não me faz a menor falta. Mas aí não seria eu. Poderia te ligar e ficar insistindo, tentando achar um espaço na sua agenda pra uma conversa. Mas aí não seria certo, segundo o manual de etiqueta em relacionamentos inventado por sei lá quem.
Prefiro ser simplesmente eu, dizendo que é uma pena ter que me afastar de uma pessoa bacana como você só pra respeitar as convenções sociais…
Mas, de qualquer forma, acho que entendi o recado. Afinal, o silêncio pode ser um sinal de medo, pedido de afastamento, preguiça de dar explicações desnecessárias – e são mesmo, porque nunca as pedi.
Seja por qual motivo for, acho que entendi.
Por tudo isso, tiro respeitosamente meu time de campo…
Seja feliz e até um dia.
beijo
🙂