Se não rimar

Ícone by FreepikEstou numa fase poesia
Quando quero rimar meus sonhos com minha vida
Mesmo sem rimar

Ando querendo flutuar
Trocar de roupa, de rumo, de dia

Quero ouvir música e admirar
A lua, a chuva, o ipê
Quero o devaneio no lugar do espelho
E o suspiro no lugar do porquê

Quando sou prosa,
Quero desabafar, entender
Por que o mundo não é cor de rosa?
Quero mais pensar, mais dizer

Quando sou poesia,
Quero encurtar, perceber
Ser minha essência
Que só sabe sonhar pra viver

Mesmo sem rimar

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Meu ócio criativo

Fazia tempo que eu não escrevia um poema. Quando era criança e adolescente fazia isso quase todo dia. Talvez porque fosse mais quieta, calada, deprimidinha. E só sabia dizer o que sentia escrevendo.

Sempre amei escrever. Pensei em ser professora pra despertar isso em todo mundo também. Acabei sendo jornalista. E hoje escrevo por obrigação, coisas que não têm nada a ver com o coração. Não era bem isso que eu queria.

De uns dias pra cá comecei a tentar descobrir o que eu queria mesmo fazer. A música e a escrita sempre estão no topo da lista. Não quero fazer música, tocar, cantar. Mas estudar música, entender, conhecer a história, ouvir, ouvir e ouvir. Só pra mim, não preciso trabalhar com isso – mas é claro que seria perfeito se conseguisse.

A escrita estava adormecida. Minha criatividade ficou escondida, presa pelas regras e os padrões jornalísticos. Mas comecei a lembrar que o que gosto mesmo é de ser livre. Rimar quando quiser, repetir as palavras que quiser. Tudo pensado e calculado – ou não. Tudo do meu jeito.

Aí surgiu a inspiração que faltava. Uns dias pensativa e triste meio sem motivo foram suficientes pra eu abrir a torneirinha das palavras. E, neste domingo de sol e puro ócio, fui soltando um a um cada pensamento que vinha sobre o amor que não tenho, o que queria ter, o que tive, o trabalho, a vida…

Essa pequena explosão de devaneios rendeu alguns textos – em prosa e poesia – que, intercalados com músicas que tenho ouvido, começo a publicar aqui esta semana. Não são necessariamente realistas, talvez verossímeis. Não se destinam a alguém específico, mas podem ser interpretados assim talvez. Depende de quem lê. Depende de como interpreta.

Podem ser horríveis, piegas, bobinhos, mas se foram publicados é porque me fizeram bem ao saírem de dentro de mim. Como um filho que causa dor ao sair do ventre da mãe, mas provoca um sorriso dela quando o vê nascido.

Espero que gostem. Mas, se não gostarem, tudo bem também. Não sou egoísta, mas fiz tudo pra mim.

Motivo – Cecília Meirelles
(esse não é meu, mas é um inspirador)
“Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.”