Estar pronto para o plano B

“A única coisa do planejamento é que as coisas nunca ocorrem como foram planejadas.” (Lúcio Costa)

Hoje, muito por acaso, encontrei o texto de uma mulher que aos 28 anos está fazendo tudo exatamente ao contrário do que planejou quando tinha 16. Na verdade acredito que ela não seja nenhuma exceção e sim uma regra. Quem de fato tem a vida que planejou quando era adolescente? A história dela é o inverso da minha, mas mesmo assim me identifiquei. Leia o dela primeiro, depois explico a minha parte:

Mudança de planos

JULIANA REIS, É MÃE EM TEMPO INTEGRAL DOS GÊMEOS ARTHUR E MIGUEL, E AUTORA DO BLOG MUNDO MATERNO (texto retirado da revista Pais & Filhos)

Quando eu tinha 16 anos, me imaginava hoje, com 28, assim: formada, fazendo especializações dentro da minha carreira, bem empregada, independente financeiramente, morando num apezinho alugado em um lugar legal, comendo sempre fora ou pedindo comida, com um cachorrinho, um schnauzer chamado Boris, solteira, nem pensando em casar e ter filhos. Pois é, meus planos foram por água abaixo.

Hoje, estou vivendo os 28 de uma forma totalmente diferente. Já com dois filhos – gêmeos! -, sem nenhum cachorro, dona de casa (o que eu às vezes considero uma posição medíocre pra tudo que sonhei), larguei a faculdade no meio, nunca tive um belo emprego… Engraçado pensar que aconteceu justamente o que eu nunca idealizei.

Ou melhor, em algum momento, deixei de sonhar com essa vida independente e sonhei em ter uma família, cuidar e ter bastante tempo disponível para meus filhos. E estou realizando.

acredito que se estivesse hoje vivendo a vida que planejei aos 16, estaria com um vazio, sentindo uma falta dos filhos que não tive e do amor absurdo que não senti por alguém. No fim, é um alívio estar vivendo uma vida totalmente diferente da que eu planejei por tanto tempo.

Parece que os planos tem um único papel na nossa vida: nos frustrar. Porque por mais possíveis que pareçam, eles nunca saem igual ao que a gente imagina.

Pensava em ter um filho e já tive dois, de uma vez só. Esse não é o tipo de coisa que se pode planejar. É sempre uma surpresa.

É verdade que às vezes dá vontade de entrar num carro, dar ré e acelerar o mais rápido que eu puder e voltar no tempo em que eu não tinha filhos, por 5 minutinhos, só pra respirar. Ficar esse tempinho sem precisar dizer nada, poder tomar um banho em paz ou escrever algo sem ter criaturinhas escalando minhas pernas, chorando ou metendo a mão no teclado do computador.

A pior coisa na profissão “mãe em tempo integral” é que não tem como dar um tempo!”

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Agora falando de mim…

Aos 16 anos eu achei que minha vida aos 25 deveria estar como em uma das seguintes opções:

Hipótese 1 – Eu estaria formada, num bom emprego, casada e planejando ter o primeiro filho (ou grávida);

Hipótese 2 – Eu estaria formada, num bom emprego e noiva, quase casando;

Hipótese 3 – Eu estaria formada, num bom emprego e, se ainda estivesse solteira, iria adotar um filho sozinha mesmo.

Quando me lembro disso dá muita vontade de rir. Formada e num bom emprego eu até estou, mas nem sei se quero continuar na mesma profissão, onde morar, onde passar as próximas férias! Mal dou conta de me sustentar, imagina se seria capaz de cuidar de uma criança agora? E definitivamente estou muuuito longe de me casar.

Engraçado como a vida segue um rumo tão independente da nossa vontade, né? Sei que organização e planejamento são muito importantes, mas acho que quem se deixa levar pela vida deve ser bem mais feliz. Como disse a Juliana, fazer planos demais só serve para nos frustrar.

Até porque a gente nunca vai saber se aquela vida planejada realmente seria mais bonita, divertida e plena que a de hoje. Então, se tudo sair diferente do planejado, é bem melhor fechar os olhos e se jogar no Plano B e nas oportunidades que a vida for trazendo. Sem medo de ser feliz!