Quem me faz feliz

felizDurante muito tempo busquei um amor, um relacionamento para preencher um vazio que sentia no peito. Achava que ser amada por alguém que não fosse da minha família era a chave para eu ter certeza de que tinha valor. Condicionei por anos minha felicidade ao surgimento de um homem que chegaria resolvendo todos os meus problemas: da autoestima à companhia pra ir ao cinema. Até lá, aguardaria infeliz e sozinha o resgate. Depositei responsabilidade demais nas costas de um desconhecido que não sabia nem se e quando chegaria.

Mas a maturidade me ensinou que seria justamente o contrário. Continue lendo

Medo de ser feliz

menina medoTodas as vezes que coisas boas me acontecem ou estão para acontecer ou quando deduzo que podem vir as ruins, adoeço, estremeço, dou um jeito de fugir de algum jeito. Pode não ser de verdade, com as próprias pernas, mas meu corpo acusa o medo. Surgem dores de garganta, de barriga, de cabeça, de dente. Fico fraca, com alergia, com estômago embrulhado. Como uma menina quando teme o escuro e chora embaixo do cobertor, meu organismo faz uma revolução para evitar que eu avance…

Eu não percebia essa história antes, mas comecei a aprender aos poucos. Terapeutas e psicólogos chamam isso de auto boicote ou autossabotagem. Parece insano e fora da realidade acreditar que alguém em sã consciência boicotaria a si mesmo, mas é fato. A gente tem uma capacidade danada de passar a perna em quem mais deveria ser cuidado. E eu sou dessas – faço de tudo para aquela pessoa que vejo no espelho se dar mal. Maluquice isso, né?

Percebi que, no fundo, acho que não mereço nada daquilo ou acredito que vai acabar logo e aí sim vai doer. Então me protejo da possível dor antes de ela pensar em existir. Para muitas etapas da minha vida profissional, minha vontade foi bem mais forte que meu medo. E tantas outras poderiam ser diferentes se ele não existisse. Mas em outros atos ele ainda comanda. Como um diretor de teatro que decide a hora do último sinal.

No amor, tanto pior. Arrumo mil defeitos em quem se aproxima, mostro a ele os meus, todos de uma vez. Absorvo todos os sinais aparentemente negativos como um adeus e despejo nele todas as minhas neuroses. Tudo para garantir que nada dê certo. Assim sofro menos, diria meu subconsciente. E eu, na minha inocente consciência, dizendo que tudo o que queria era um amor de verdade.

Observar que eu fazia tudo isso não foi fácil. Neguei por muito tempo. A timidez, o nervosismo, a desconfiança e a insegurança sempre foram soldados fiéis desse boicote cruel a que me submeti. E eu jurando que era só uma questão de azar ou sorte. Enquanto lá dentro meu Tico e Teco estavam debatendo: E se der certo? E se não der? E se me magoarem? E se eu magoar alguém? E se eu aparecer demais? E se eu ficar metida? E se me acharem idiota? E se eu conseguir e as outras pessoas não? E se todo mundo conseguir e eu não? E se eu quebrar a cara? E se eu fracassar?

E se, e se, e se… O medo do que pode e não pode acontecer tem me feito viver, por tantos anos, sem viver de verdade. Porque penso no que os outros vão pensar ou porque não tenho coragem suficiente de enfrentar meus próprios defeitos. Por covardia ou por orgulho. E, depois de tanto mergulhar em minha mente para entender, veio a resposta: tenho tamanho de gente grande, mas descobri que sou mesmo é uma garotinha com medo de ser feliz. E esse medo ninguém deveria ter.

Ode ao gerúndio

Não que eu tenha descoberto a pólvora ou tenha conseguido achar a chave da perfeição e da felicidade absolutas. Mas nos últimos dias tudo passou a fazer todo o sentido do mundo quando um mix de textos, mensagens e sentimentos me fez começar a mudar aos pouquinhos aquilo que não gostava em mim: minha agonia constante pelo ontem e pelo amanhã.

Percebi que era exatamente isso que me fazia tão mal. Lembrar o passado me fazia sentir culpa, angústia, saudade, tristeza. Pensar demais no futuro me dava frio na barriga, frustração, ansiedade crônica, dores e neuroses.

E de repente resolvi ser hoje, estar hoje. Percebi que, críticas gramaticais à parte, o gerúndio é o melhor tempo verbal de todos. Olhar para os lados e perceber que a vida é isso aqui, o que estou vivendo, o que estou sentindo, o que estou vendo, é o que traz felicidade.

Não tem problema se o agora é triste, complicado, problemático. Ainda assim é sua chance de ser feliz. Basta tirar desses momentos tantas lições quantas a vida quiser te dar. Pode parecer absurdo, mas sofrer também é bom. A gente aprende a andar depois de levar alguns tombos, fica mais atento depois de errar e levar uma bronca, estuda com mais atenção quando não passa no vestibular.

Por isso, o passado tem que ficar de onde ele veio: lá atrás. Tire conclusões e aprendizados dele, mas deixe-o passar. E o futuro não tem que ficar em lugar nenhum, porque ele sequer existe. Sonhar é bom, desde que você não perca mais tempo fazendo planos que vivenciando sua realidade. Toda essa filosofia se resume em uma expressão: CARPE DIEM. Em latim, ela significa “aproveite o dia”. Simples assim.

E é nessa simplicidade que tento me apegar para viver meus dias a partir de agora. Fácil não é, mas e daí? Ninguém falou que seria…

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Para contextualizar meu estado de espírito, já estou há pelo menos uma semana interiorizando essas ideias, mas nestes dois últimos dias veio a certeza de que estou no caminho certo.

Na madrugada de domingo, minha irmã Andressa Caitano Ribeiro, 20 anos, pré-vestibulanda e futura médica, me mandou um e-mail dizendo o seguinte:
Acabei de vomitar umas ideias. Não sei se foi o sono o causador dessa catarse, mas veio e eu só tentei traduzir em palavras. Ficou tão não-meu que resolvi te mandar, não sei por que, talvez intuição!”.
E lá estava o lindo texto que segue abaixo e resume exatamente meu momento de cultivar o momento. Vai explicar! Coisa de irmãs.

Para completar, nesta segunda-feira (03/10) li a entrevista feita pela Branca Nunes, que trabalha comigo, com o filósofo francês Luc Ferry, ex-ministro da Educação da França. Ele diz tudo o que eu precisava ouvir – aliás, que todo mundo precisava – sobre a busca pela felicidade. Leia a entrevista completa aqui (e veja o vídeo, que tem coisas a mais), mas já destaco o que achei mais interessante:

“Os gregos diziam que existem dois perigos que pesam sobre nós e nos impedem de ter uma vida boa: o passado e o futuro, que são armadilhas. O passado não é mais e o futuro ainda não é. Eles são negações que ocupam nosso dia e nos impedem de habitar o presente, que é a única dimensão real do tempo. (…) Para os gregos, o sábio é aquele que consegue pensar menos no passado e ter menos esperança. Se eu me separar, se mudar de casa, se trocar de emprego. O passado já aconteceu. O futuro é uma ilusão.”

Leiam e aprendam comigo. E CARPE DIEM!
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Vida clichê, termo intenso – por Andressa Caitano Ribeiro

Já me preocupei com ganhos e perdas
Com amores e desamores, antigos, presentes e futuros.
Já sofri com o que já vivi, me arrependi do que fiz e do que não fiz.
Me desesperei por não estar fazendo o meu melhor,
por não estar aproveitando o tempo como deveria.
Mais do que sonhei com o futuro: idealizei-o como quem redige uma trama teatral.
Já sofri pelo que já foi e pelo que ainda nem veio.
Mas, num momento CARPE DIEM da vida,
percebi o tanto de tempo que perdi com preocupações dispensáveis e neuróticas.
Resolvi, então, cultivar cada vez mais a ideia do hoje, do agora.
Tomar como lema a frase mais clichê da minha vida, porém a mais completa:
“Viver intensamente cada instante do presente, formando assim um passado memorável e um
futuro imprevisível, inusitado e mais feliz!”
Pois sem planejar demais não corro o risco de me decepcionar.
Faço essa reflexão sem ignorar a força do pensamento e o poder do magnetismo.
E nunca deixarei de sonhar e mandar a mensagem para o universo do meu desejo para o futuro,
Mas sem fazer dele a minha realidade maior.
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Na playlist do dia vai só Legião Urbana e a inesquecível música-poema do renato Russo que nos ensina a não pensar no amanhã:

Pais e Filhos – Legião Urbana

Estátuas e cofres. E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo. Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo. Tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito
É preciso amar as pessoas como se
Não houvesse amanhã
Porque se você parar para pensar,
Na verdade não há

Me diz porque que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais
É preciso amar as pessoas como se
Não houvesse amanhã
Porque se você parar para pensar,
Na verdade não há

Sou uma gota d’água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não lhe entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
E isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser, quando você crescer?

Coração dolorido – mas feliz

Aproveitando a ocasião do meu aniversário, exibo a lista interminável de coisas boas que tenho na minha vida:

– Pais que me educaram com muito amor;

– Irmãos que me ensinaram o respeito, a paciência e o quanto podemos amar alguém com quem brigamos tanto;

– Primos, tios e avós que sempre me incentivaram a seguir em frente;

– Dois sobrinhos lindos que choram quando eu vou embora;

– Amigos, uma porção deles. De todos os jeitos e tamanhos, de todos os gostos e cores. Lindos, todos eles. De Brasília, de São Paulo, da Bahia, de Minas Gerais, do Rio, daqui e de lá… Tantos e tão queridos que sempre estão ao meu lado, mesmo longe, que gostam de mim, apesar de tudo;

– Um diploma suado de um curso que amei fazer;

– Um trabalho incrível, quase dos sonhos mesmo;

– Uma casa grande e confortável – alugada, ok, mas pertinho do trabalho;

– Um corpo sem problema, com visão, audição, fala, sentimentos, expressão e caminhar;

– Uma capacidade de pensar, criar, escrever – nada extraordinário, mas em paz;

– Muita vontade de ajudar todo mundo a ser feliz;

– Um apoio espiritual incrível, que me dá muita esperança no porvir;

– Uma paixão avassaladora pela música brasileira;

– Um alimento todos os dias, sem falta;

– Um passado cheio de boas lembranças pra guardar.

Tenho tantas, mas tantas coisas para agradecer em minha vida, e verdadeiramente agradeço por todas elas. São presentes de Deus que nem sei se mereço. E sou muito feliz por tudo isso.

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Mas – vai entender – felicidade é diferente de alegria e me sinto ainda tão ingrata! Por que, alguém me explique, por que meu coração dói tanto às vezes? Por que tenho tanta vontade de chorar? Por que não consigo ser sorridente? Por que perco a vontade de passar do portão e viver de verdade?

Agradeço, peço desculpas e compreensão a todos os que me amam, não queria ser assim, juro. Mas também não será assim pra sempre. Já estou correndo atrás, vou melhorar, vou ficar bem. Porque nada vale mais a pena nesta vida do que viver! E por que não ser feliz tendo tanto a agradecer?
🙂

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Liberdade – Marcelo Camelo

Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom
Daqui não
Eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares
Vou sonhando em outros ares, vou
Fingindo ser o que eu já sou
Fingindo ser o que já sou
Mesmo sem me libertar eu vou

É Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro

De que vale ser aqui
De que vale ser aqui
Onde a vida é de sonhar?
Liberdade

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“Tristeza é quando chove
quando está calor demais
quando o corpo dói
e os olhos pesam
tristeza é quando se dorme pouco
quando a voz sai fraca
quando as palavras cessam
e o corpo desobedece
tristeza é quando não se acha graça
quando não se sente fome
quando qualquer bobagem
nos faz chorar
tristeza é quando parece
que não vai acabar.”
– Martha Medeiros