Se não rimar

Ícone by FreepikEstou numa fase poesia
Quando quero rimar meus sonhos com minha vida
Mesmo sem rimar

Ando querendo flutuar
Trocar de roupa, de rumo, de dia

Quero ouvir música e admirar
A lua, a chuva, o ipê
Quero o devaneio no lugar do espelho
E o suspiro no lugar do porquê

Quando sou prosa,
Quero desabafar, entender
Por que o mundo não é cor de rosa?
Quero mais pensar, mais dizer

Quando sou poesia,
Quero encurtar, perceber
Ser minha essência
Que só sabe sonhar pra viver

Mesmo sem rimar

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Muitas páginas em branco – ou a difícil arte de concluir um texto

the endUltimamente tenho deixado muitos e muitos textos inacabados pelo caminho. Exatamente como faço com livros, ideias, projetos e cursos desde que me entendo por gente (esse assunto talvez fique para outro texto). Mas escrever, que é uma das coisas que mais gosto de fazer na vida, tem sido muito mais difícil nos últimos meses. Estou ainda tentando entender o motivo.

Toda vez que começo a dizer algo, vejo que estou indo pra um caminho de outro assunto que poderia virar outro texto e talvez ser colocado em outro lugar. Aí separo aquele trecho pra depois e começo de novo. Então travo. E os pedaços vão ficando soltos em páginas e páginas do meu computador. Este texto mesmo, eu comecei de um jeito e depois joguei tudo lá pra baixo ao ver que toquei em assuntos que cabem mais a outro momento. Por que isso está acontecendo?

Tentando fazer uma autoanálise aqui, pensei que pode ter a ver com meu momento de vida. Eu ando recalculando minha rota tantas vezes, buscando o melhor caminho, colocando um pé só em várias piscinas pra ver qual está menos fria. Aí eu começo um texto sobre mudanças e me vejo falando de medo. Então resolvo falar sobre o medo e paro pra pensar na beleza de ter várias experiências. Inicio palavras sobre isso, percebo minha mania de mudar de ideias a todo tempo e invento de começar tudo de novo. E fica tudo pelas metades…

(Estou aqui rindo de mim mesma sozinha. E pensando: será que vou levar este texto aqui até o fim? Será que vou ter coragem de publicá-lo?)

Sabe o que mais pode ser? Minha mania de perfeição (opa, outro assunto sobre o qual gostaria de escrever separadamente). Em primeiro lugar, por uma série de motivos, eu passei a ter mais gente pra ler o que escrevo e isso me fez calcular muito mais meus passos, preocupada com a repercussão do que digo na vida das pessoas e, claro, na minha. Aí penso – que idiota eu! As pessoas podem pensar o que elas quiserem, não terei controle sobre isso nunca! Mas, gente, essa minha autocobrança é danada pra me deixar em paz, viu?

Tem mais: eu inventei de alimentar esse sonho doido de querer ser escritora um dia. Por isso fico tentando ensaiar coisas mais bem feitas pra me convencer de que sirvo pra isso. E vocês não imaginam quantos títulos de livros já inventei no último ano… Fico confusa sem saber qual faço primeiro, se vou conseguir terminar, se alguém vai querer ler. Aí não comecei nenhum, ó que coisa!

Bom, não cheguei a conclusão alguma, mas acho que vou terminar esta baboseira aqui, pra dizer que um ao menos recebeu o ponto final. Se tem alguém lendo este texto confuso até aqui, desculpe aí. Eu estava só meio que “pensando alto”. É que escrever, pra mim, é uma forma de terapia gratuita e hoje resolvi deitar-me nesse divã um pouquinho, já que não podia correr para o verdadeiro agora…

PS: Ó eu terminando o texto com reticências. Isso é um sinal, né? Só pode. Aliás, mais uma coisa sobre a qual devo escrever: estou com mania de “psicologizar” tudo, tá engraçado)