Entre cobogós e tesourinhas

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Torre de TV de Brasília – Eixo Monumental (Foto: Adriana Caitano)

Lá do alto da Torre,
te vi pedalando no Parque da Cidade,
depois te encontrei no Beirute
e torci praquilo ser de verdade.

Skate no museu, por do sol na Ermida,
as quebradas de Ceilândia,
hip hop na avenida.
Num rolê em Planaltina e em Taguatinga depois.
Eu boto muita fé em nós dois.

Depois da Bomba no Guará,
te vi caminhando no Eixão,
surfando no Lago Paranoá,
indo ao Conic fazer carão.

Na SQS te vi entre cobogós, lá embaixo no pilotis.
E de baú indo pra Rodô vi a lua gigante naquele céu sem fim.
Será que você estava pensando em mim?

Na última tesourinha,
entrei na quadra errada, pra variar.
Me perdi nas Duzentos e parei numa quadra pra fotografar
Um ipê amarelo que acabou de aflorar.

Penso em você todo dia,
Alguém com quem tenho em comum
O amor por essa Brasília,
Que não se compara a lugar algum.

 

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O gosto que a nossa casa tem

O céu de Brasília, incomparável!

Neste fim de semana fui para Brasília depois de três meses. E, quando a gente fica longe, tudo é diferente e mais gostoso. Dirigir pelas pistas largas da EPTG escura, pelo Eixão e pela L2 me deram uma sensação de liberdade que nunca tinha sentido lá. Ver tantas árvores, tanto verde, me fez respirar melhor. Me senti forte ao passear pelo caos do centro de Taguatinga e parei admirada para ouvir o coral de cigarras – antes insuportáveis – que cantarolavam num fim de tarde da Asa Norte.

Nada disso estava exatamente mudado. O certo é que eu mudei. Saí de casa há quase 10 meses cheia de insegurança e medo e a cada dia que volto lá me sinto mais transformada. E nem sou eu que percebo isso sozinha. Todos os que me reviram observaram algo novo. Para os amigos e parentes, meus olhos, meu sorriso, meu cabelo, até minha altura (!) parecem diferentes. Uns dizem que pareço mais mulher, mais madura, mais segura. E eu, que não tinha percebido nada disso, começo a acreditar.

A mudança ficou mais nítida com um detalhe muito peculiar: minha relação com bichos e plantas. Quem me conhece desde sempre sabe que eu sou super urbana, nunca dei muita bola para animaizinhos e afins. Mas agora eu tenho um cachorro (já o viram?), para a surpresa da minha família inteira. Tive que mostrar uma foto do Bigode para a minha avó acreditar! E isso mudou muita coisa em mim.

Acerola colhida no quintal de casa...

Fiquei com pena dos cãezinhos presos lá na vizinhança e até aceitei desbravar o quintal com meu pai. Lembrei-me de como é gostosa a nossa casa cheia de galinhas e cachorros, com pés de laranja, limão, banana, amora, pitanga, acerola, siriguela, cajá, jabuticaba e manga ali em Águas Claras, a região administrativa com a maior quantidade de prédios do DF. Pegando no pé, numa tarde de sábado ao lado do meu pai, as frutas pareciam ser muito mais gostosas.

Subindo na árvore pela primeira vez em 24 anos, lá em casa (:P)

São Paulo está me fazendo bem. É a conclusão a que chego. E rever familiares e amigos queridos lá em Brasília me encheu de energia. Depois do descanso, volto para o lugar onde escolhi morar com muito mais vontade de ser uma pessoa melhor aqui. Continuo amando minha cidade natal, minhas raízes, minhas origens. Mas tudo isso está me ajudando a ter um certo orgulho da pessoa em que estou me tornando. Insegura, ansiosa, confusa, que seja. Só que bem feliz…