A Banda Mais Bonita da Cidade

A Banda Mais Bonita da Cidade. Sim, esse é o nome do grupo lá de Curitiba que me emocionou hoje. Não sei se é mesmo a banda mais bonita lá da cidade paranaense, mas que é uma das mais bacanas que conheci nos últimos tempos não há dúvidas. O clipe de Oração foi gravado de uma vez só e dá pra sentir como deve ter sido divertido aquele dia.

Você vai ver uma vez, ficar sem palavras e querer ver de novo. Vai decorar a música e enjoar um pouco (porque eles a repetem muitas vezes mesmo), mas vai com certeza querer mostrar pra alguém.
Da categoria coisas lindas que merecem ser compartilhadas. Aproveito pra mostrar outros vídeos deles, que, tenho certeza, logo logo estarão fazendo sucesso no país inteiro! Atenção pra letra de Lobotomia, que é linda também (Facebook da banda)

[Atualização dia 20/05, 13h] – Definitivamente A Banda… bombou na última quinta-feira. Por causa deste post, meu blog teve só ontem quase 1.000 visitas (meu recorde para um dia) e o vídeo com a música “Oração”, no Youtube, teve 351.500 visualizações até agora – no dia 17 às 19h, eram pouco mais de 300. Todo mundo o reproduziu no Facebook e no Twitter. Sucesso absoluto!

Oração – A Banda Mais Bonita da Cidade

Meu amor
Essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa

Cabe o meu amor
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois
Cabe até o meu amor

Essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa

Cabe o meu amor
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe essa oração

Canção Pra Não Voltar – A Banda Mais Bonita da Cidade

Não volte pra casa meu amor que aqui é triste
Não volte pro mundo onde você não existe
Não volte mais
Não olhe pra trás
Mas não se esqueça de mim não
Não me lembre que o sol nasce no leste e no oeste morre depois
O que acontece é triste demais
Pra quem não sabe viver pra quem não sabe amar

Não volte pra casa meu amor que a casa é triste
Desde que você partiu aqui nada existe
Então não adianta voltar
Acabou o seu tempo acabou o seu mar acabou seu dia
Acabou, acabou

Não volte pra casa meu amor que aqui é triste
Vá voar com o vento que só lá você existe
Não esqueça que não sei mais nada
Nada de você
Não me espere porque eu não volto logo
Não nade porque eu me afogo
Não voe porque eu caio do ar
Não sei flutuar nas nuvens como você
Você não vai entender
Que eu não sei voar
Eu não sei mais nada

Dó com baixo em dó
Sol com baixo em si
Lá com baixo em lá
Lá com baixo em sol
Fá com baixo em fá
Fá com baixo em fá sustenido
Sol com baixo em sol
Sol com lá bemol

Lobotomia – A Banda Mais Bonita da Cidade

Se eu corro – A Banda Mais Bonita da Cidade

O sofrimento criador

Sabe o Vinícius de Moraes? Sim, ele foi um gênio. Mas só conseguia escrever tudo de lindo que ele escreveu quando sofria. Precisava se apaixonar todos os dias para ter inspiração. E perder, ser deixado ou deixar de amar para compor uma canção bem sofrida, um soneto bem medido, um poema dolorido.

Ele dizia que “todo grande amor só é bem grande se for triste” e que até para fazer um “samba com beleza” era preciso “um bocado de tristeza”. O coração dele sangrava e, em seguida, as palavras eram escritas com as gotas de sangue que rolavam. Esse era seu combustível, seu segredo. Assim ele se tornou o maior, o poetinha gigante, eterno.

E como ele houve tantos. Desde sempre foi assim. Da música erudita aos poetas do romantismo; dos sambas doídos de Cartola às mais populares músicas sertanejas. O amor sofrido move a poesia, a canção romântica e até o cinema e o teatro, por que não? Só quem sente a dor de um amor – ou da falta dele – consegue expressá-lo com a intensidade que seu sentimento merece.

Muitos sofrem por prazer. Não suportam a felicidade simples. Serem correspondidos por quem amam torna-se cômodo demais, entediante, um vazio criativo. Ou no mínimo uma desconfiança de que algo ruim está por vir. E por isso os grandes gênios da arte costumam ser sozinhos.

Não quero me comparar a nenhum desses gênios. Longe de mim. Mas no fundo sinto que me inspiro, me encho de vontade de organizar palavras soltas em frases desconexas, mas verdadeiras, quando meu coração está ardendo e minha mente parece nublada. É terapêutico. Eu me entristeço, sofro e corro para uma página em branco. Sem pressão nem horário.

E vão saindo parágrafos que podem não fazer o menor sentido para quem lê, mas voltam para mim como se fossem um bálsamo que vai limpando tudo. Até eu me acalmar de vez e conseguir abrir os olhos para ver que o sol continua brilhando lá fora – e também dentro de mim. E o sofrimento, que pode ter começado sem nenhum motivo real, torna-se um desfrute poético bem particular, que nem precisa ser genial, mas é simplesmente confortador.

(Assuntos relacionados no post anterior e no próximo)

30 anos sem Cartola, a voz do samba triste

Nesta terça-feira, dia 30, completam-se 30 anos da morte de um dos grandes mestres do samba brasileiro, fundador da Estação Primeira da Mangueira – o Cartola. Não sou superconhecedora do trabalho dele, mas amo tudo que conheço (saiba mais com quem entende, aqui). São canções de amor rasgadas, chorosas, dessas de doer, fazer sangrar o coração. Mas lindas! E, ao mesmo tempo, há outras pra chorar de alegria e sair sambando.

Enfim, ele era mestre. Com certeza você já viu alguém com uma camiseta estampada com o rosto dele por aí, que é inconfundível. E com certeza também já ouviu pelo menos um trecho de uma música do Cartola ou que ele gravou. Acho que a mais conhecida é “O Sol Nascerá”, que tem um refrão bem famoso – é a minha preferida também. Mas há muitas outras, incontáveis. Escolhi algumas que gosto pra listar aqui.

O Sol Nascerá – Cartola

A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida.

Finda a tempestade
O sol nascerá,
Finda esta saudade
Hei de ter outro alguém para amar.

Tive Sim – Cartola

Tive sim, outro grande amor antes do teu, tive sim.
O que ela sonhava era os meus sonhos e a assim.
Iamos vivendo em paz, nosso lar em nosso lar sempre houve alegria,
e eu vivia tão contente como contente ao teu lado estou.
Tive sim, mas comparar com seu amor, seria o fim,
E vou calar, pois não pretendo amor te magoar.

Peito Vazio – Cartola

Nada consigo fazer
Quando a saudade aperta
Foge-me a inspiração
Sinto a alma deserta
Um vazio se faz em meu peito
E de fato eu sinto em meu peito um vazio

Me faltando as tuas carícias
As noites são longas
E eu sinto mais frio
Procuro afogar no álcool a tua lembrança
Mas noto que é ridícula a minha vingança
Vou seguir os conselhos de amigos
E garanto que não beberei nunca mais
E com o tempo esta imensa saudade
Que sinto se esvai.

Alvorada – Cartola

Alvorada
Lá no morro que beleza
Ninguém chora não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo é tão lindo
É tão lindo
E a natureza sorrindo
Tingindo, tingindo

Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
E o que me resta é bem pouco
Quase nada
Do que ir assim vagando
Numa estrada perdida

Quem Me Vê Sorrindo – Cartola e Carlos Cachaça

Quem me vê sorrindo
Pensa que estou alegre
O meu sorriso
É por consolação
Porque sei conter
Para ninguêm ver
O pranto do meu coração

O pranto que eu verti por este amor
Talvez
Não compreendeste
E se eu disser, não crês
Depois de derramado
Ainda soluçando
Tornei-me alegre
Estou cantando

Compreendi o erro
De toda a humanidade
Uns choram por prazer
E outros com saudades
Jurei e a minha jura
Jamais eu quebrarei
E todo o pranto esconderei.

O Mundo é um Moinho – Cartola

Ainda é cedo, amor
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estár a beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés
As Rosas Não Falam – Cartola

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão enfim

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim

Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai…

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhar os meus sonhos
por fim

Preciso me Encontrar – Candeia na voz de Cartola

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar…
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver…
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar…
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver…
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar…

*Nesta quinta, dia 2, será também o Dia Nacional do Samba. Por isso, pretendo fazer playlists legais sobre o tema ao longo da semana…

Depende do dia…

Quem me conhece sabe que sou completamente multipolar. Enquanto estou eufórica e animadinha, de repente me baixa um tédio, uma vontade de nada ou um momento paixonite à tôa (melosa, sem ter em quem pensar especificamente, nunca sentiu isso?) ou ainda um instante reflexivo e até melancólico. Para cada um desses momentos tenho uma trilha sonora. Listei abaixo as canções que me vêm à cabeça em cada uma dessas situações. (Hoje particularmente estou entre o tédio e a paixonite).

1 – Paixonite + melancolia: Janta – Marcelo Camelo e Mallu Magalhães

Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade
Eu quis te convencer, mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade
Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that I’m sad
I’ll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together
‘Cause I can forget about myself
Trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
And please my day
I let you stay with me if you surrender
Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
(I can forget about myself
Trying to be everybody else)
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
(I feel all right that we can go away)
Pode ser a eternidade má
(And please my day)
Eu ando sempre pra sentir vontade.
(I’ll let you stay with me if you surrender)

2 – Paixonite + tranquilidade: Morena – Los Hermanos

É, morena, tá tudo bem
Sereno é quem tem
A paz de estar em par com Deus
Pode rir agora
Que o fio da maldade se enrola
Pra nós, todo o amor do mundo
Pra eles, o outro lado
Eu digo mal me quer
Ninguém escapa o peso de viver assim
Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho, sem caber de imaginar
Até o fim raiar
Pra nós, todo o amor do mundo
Pra eles, o outro lado
Eu digo mal me quer
Ninguém escapa o peso de viver assim
Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho, sem caber de imaginar
Até o fim raiar

3 – Paixonite + reflexão: O Anjo Mais Velho – Teatro Mágico

“O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente”
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh’alma d’aquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto… depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar

4 – Paixonite + euforia: Pratododia – Teatro Mágico

Como arroz e feijão,
é feita de grão em grão
Nossa felicidade
Como arroz e feijão
A perfeita combinação
Soma de duas metades
Como feijão e arroz
que só se encontram depois de abandonar a embalagem
Mas como entender que os dois
Por serem feijão e arroz
Se encontram só de passagem
Me jogo da panela
Pra nela eu me perder
Me sirvo a vontade, que vontade de te ver
O dia do prato chegou é quando eu encontro você
Nem me lembro o que foi diferente!
Mas assim como veio acabou e quando eu penso em você
Choro café e você chora leite

5 – Euforia + otimismo: Tô fazendo a minha parte – Diogo Nogueira

Tô saindo pra batalha
Pelo pão de cada dia
A fé que trago no peito
É a minha garantia
Deus me livre das maldades
Me guarde onde quer que eu vá
Tô fazendo a minha parte
Um dia eu chego lá
Todo mês eu recebo um salário covarde
No desconto vai quase a metade
E o que sobra mal dá pra comer
Sou pobre criado em comunidade
Lutando com dignidade, tentando sobreviver
Quem sabe o que quer nunca perde a esperança, não
Por mais que a bonança demore a chegar
A dificuldade também nos ensina a dar a volta por cima
E jamais deixar de sonhar

Se lembrar de mais alguma situação ou música, atualizo…

Por Amor ao Forró está no ar!!!!

Estou eufórica! Depois de dois anos, finalmente um amigo meu conseguiu colocar meu filho no ar. Explico.

Em 2008, passei o ano inteiro dormindo e acordando por um sonho: meu projeto final sobre a nova geração do forró pé-de-serra. Se um dia você me achou louca de gostar tanto desse estilo, assista e entenderá o que realmente significa o forró para as pessoas que entrevistei. É algo mais forte que gosto musical, que vontade de dançar ou de ir a uma balada. Talvez vendo essas cenas você pode ter uma noção do que me motivou a escrever meu post anterior.

O nome do filme é “Por Amor ao Forró”, documentário feito como projeto final de Jornalismo, na UnB, em 2008, junto com meu amigo Galton Sé. A qualidade técnica não é das melhores, mas ele já rodou o mundo e recebo pedidos de cópias do país inteiro quase todo dia. É uma daquelas coisas que nos fazem ter certeza de que somos capazes de fazer algo muito legal ao menos uma vez na vida. Infelizmente, não dá pra mudar mais nada, mas aceito críticas…

Divirtam-se:

POR AMOR AO FORRÓ – Parte 1

POR AMOR AO FORRÓ – Parte 2

POR AMOR AO FORRÓ – Parte 3

O igual da diferença

Assim, como quem não quer nada, estava assistindo a um capítulo do remake da novela Tititi, que voltou à Globo semana passada, e ouvi uma música com arranjo e letra curiosos. Assim como quem não quer nada, peguei o trecho que ouvi e fui procurar no oráculo (leia-se Google), que me trouxe a informação de que aquela música interessante, apesar de cantada por outra pessoa que ainda não descobri quem é na trilha sonora da novela, é de ninguém mais que meu ídolo Lenine, de quem já postei canções várias vezes aqui. Tinha que ser!

A música “Crença” traz um amor sem preocupação e dedicado ao mesmo tempo, que torna os dois um só, que pede pra relaxar, não pensar na parte pesada de um relacionamento. “O que quero de você e você quer de mim nós decidimos depois”. Um amor natural e compreensivo, entre pessoas diferentes, sim, e daí? “É normal o igual da diferença, cada um tem sua crença”. Isso tudo, dito e cantado com o arranjo e a voz do Lenine parece ainda mais bonito. Duas pessoas com crenças diferentes, que se amam, que não se preocupam com o depois e está bom como está. Um pensando no outro mais que nele mesmo, mas sem exigir o mesmo em troca. Gostoso um amor assim… Será que existe?

Crença – Lenine

Eu só penso em você
Depois que eu penso em mim
E eu penso tanto em nós dois
Sei que é de cada um
E acho até comum
Pensar assim de nós dois
Vai que a gente pensa igual
E acho isso normal
O igual da diferença
Cada um, todo ser
Tem sua crença
Eu só penso em você
Depois eu penso em mim
E eu me confundo em nós dois
Sei quando viramos um
E aparece um
Que se mistura em nós dois
Vem não há o que pensar
Melhor achar normal
Viver a diferença
Pensa não, deixa assim,
Que a vida pensa
Tanto por viver, tento não jogar
Pra baixo do tapete essa poeira.
Tonto de você tento não pensar besteira.
Tanto por você, para o nosso bem
Às vezes fica um com e o outro sem
Seja como for somos nós e mais ninguém
O que eu quero de você
E você quer de mim
Nós decidimos depois
Eu só penso em você
E tenho aqui pra mim
Que você pensa em nós dois

Qualquer caminho serve

Assim como observadora, impaciente e romântica demais, confesso que sou muito, mas muito indecisa mesmo. A maioria das pessoas que convive comigo já me ouviu responder um evasivo “tanto faz” quando colocou alguma opção na minha frente. Uma roupa, um suco, um lanche, um caminho, uma balada. Nunca soube escolher, sempre precisei da ajuda de todo mundo. Até pra quem eu não conheço eu pergunto: “O que eu faço?”

Por isso, sou completamente adepta do jeito Zeca Pagodinho de ser: “Deixa a vida me levar” (ou pelo menos tô tentando aprender a ser assim de verdade). Quando tenho que tomar uma decisão muito importante, rezo para as coisas se definirem sozinhas (leia-se “Deus escolher”) e eu não ter que fazer uni-duni-tê.  E tem dado certo. Minha primeira grande decisão foi o curso universitário. Desde pequena dizia que ia ser professora. Mas, no Ensino Médio, foram me convencendo de que fazer Comunicação seria bacana. Fiz a inscrição e não passei no vestibular. Aí achei que seria um sinal de que eu deveria tentar Letras. Resolvi, então, fazer este curso numa faculdade particular enquanto estudava para passar em Jornalismo na federal. Fiz de novo a inscrição e me arrependi dias depois. Achei que não iria passar.  “Se tivesse colocado Letras, que é mais fácil, teria dado certo”, pensei. Não é que acabei passando e hoje amo o que faço?

E assim vem sendo. Quando fico na dúvida se viajo ou não para algum lugar, tudo muda, surge uma folga, uma grana, e consigo ir. O contrário também acontece. Tudo dá errado e eu percebo que, simplesmente, não era para ser. O mais curioso é que sou tão acostumada a fugir das decisões e com a dúvida que as certezas é que me assustam. Se alguém me disser que eu vou ser obrigada a fazer exatamente a mesma coisa para sempre, eu piro. A rotina total e absoluta não me deixa repensar, ter dúvida. Que saco isso, né?

E quando respondo “não sei” se alguém me pergunta o que quero?! Cansei de ouvir um trecho da história Alice no País das Maravilhas como resposta:  “Pra quem não sabe aonde ir, qualquer caminho serve”. Ok, qualquer caminho serve mesmo. Porque acredito que, de qualquer jeito, as coisas boas vão acontecer – e as ruins também, pra gente aprender a ser mais forte. Por isso, acho que a vida é muito mais emocionante com a dúvida. Principalmente quando a gente deixa que ela – a vida – decida sozinha que rumo quer tomar.

Deixa a vida me levar – Zeca Pagodinho

Eu já passei por quase tudo nessa vida
Em matéria de guarida
Espero ainda a minha vez
Confesso que sou
De origem pobre
Mas meu coração é nobre
Foi assim que Deus me fez…
E deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu…
Só posso levantar
As mãos pro céu
Agradecer e ser fiel
Ao destino que Deus me deu
Se não tenho tudo que preciso
Com o que tenho, vivo
De mansinho lá vou eu…
Se a coisa não sai
Do jeito que eu quero
Também não me desespero
O negócio é deixar rolar
E aos trancos e barrancos
Lá vou eu!
E sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu…
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu)
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu…

Ainda que a espera nunca chegue ao fim…

Confesso: estou à espera do amor. Espera mesmo, não procura. Porque procura, para mim, é desespero, agonia, falta de esperança. E eu, definitivamente, espero. Já morri de raiva de todos os homens e disse que não queria mais gostar de nenhum. Mas, quando percebo, já estou olhando para os lados na rua, nas festas, em todo canto, perguntando se “ele” – o amor – pode estar por aí. Demoro mais a dormir e enrolo para levantar porque fico imaginando como ele é, do que gosta, onde está. Às vezes fico roteirizando nosso romance. Já temos uma rotina, sei aonde vamos, o que vamos assistir, que músicas vamos ouvir juntos. Tenho frases prontas para dizer a ele, abraços preparados para recebê-lo, segredos para contar. Continue lendo

A poesia da magreza

Para uma mulher brasileira, chegar à adolescência e perceber que não vai ser gostosona e cheia de curvas é quase um atestado de que a moça vai passar o resto da vida tendo que conviver com o fato de não ser desejada (feminismo de lado, no fundo toda mulher quer isso também). Se as gordinhas fizerem dieta e frequentarem a academia, até podem chegar lá. Mas e as magras por natureza, aquelas de ruim? Estão fadadas à posição de indesejáveis? Para o Zeca Baleiro (de quem também sou fã), uma “top model magrela na passarela” é sem graça. Mas o Lenine descobriu beleza e poesia em uma mulher magra, como eu. Ainda bem que tem gosto pra tudo…

Magra – Lenine e Ivan Santos

Moça
Pernas de pinça
Alta
Corpo de lança
Magra
Olhos de corça
Leve
Toda cortiça
Passa
Como que nua
Calma
Finge que voa
Brasa
Chama na areia
Bela
Como eu queria
Magra, leve, calma
Toda ela bela
Tudo nela chama
Segue
Enquanto suspiro
Toda
Cor de tempero
Cheira
Um cheiro tão raro
Clara
Cura o escuro
Ela
Braços de linha
Dengo
Cheio de manha
Durmo
E peço que venha
Acordo
E sonho que é minha
Magra, leve, calma
Toda ela bela
Tudo nela chama

As fases do amor (playlist)

Estou adorando essa coisa de fazer playlists da música brasileira. Me divirto procurando vídeos das músicas que eu amo e organizando num pacote definido. E como estamos a pouco menos de um mês do Dia dos Namorados, fiz uma listinha de canções de letra lindíssimas que falam das fases do amor. Da fase carente, passando pelo início cor-de-rosa e indo até o momento “a fila anda”. Continue lendo