13 razões para você assistir à série ’13 Reasons Why’

A Netflix lançou no último dia 31 de março mais uma série que veio para dominar os assuntos na internet. Mas desta vez não é sobre zumbis, mistérios fantásticos, histórias futuristas ou paranormais. É sobre um assunto que está aí do seu lado, aqui do meu e a gente mal percebe: o suicídio.

Eu ainda nem tinha terminado de assistir a 13 Reasons Why (Os 13 Porquês), quando corri para escrever a respeito, porque, sim, falar sobre esse assunto é MUITO necessário e urgente. E eu sempre me preocupei com isso, até por quase ter entrado nas estatísticas.
Na série, inspirada num livro e com produção executiva da cantora e atriz Selena Gomez, Hannah é uma adolescente dos EUA vítima de problemas mais comuns do que gostaríamos: bullying e cyberbullying, sexualização das mulheres, machismo, assédio, falta de diálogo com a família, depressão. Talvez nada disso te pareça sério o bastante para a personagem fazer o que fez, mas a própria explica com detalhes como juntar esses elementos a levou à decisão fatal.
Em 7 fitas cassete, ela conta sua história aos envolvidos e cada lado de cada fita é um episódio sobre um deles. No fim de semana passado, a série chegou ao Trending Topics do Twitter com a hashtag #NãoSejaUmPorque, com pessoas refletindo sobre como a história mexeu com o estômago de todo mundo. O assunto bullying veio à tona e junto trouxe um monte de desabafos. Mas também chacoalhadas.

A Hannah não tem um “perfil clichê” para o caso. Não é gordinha, negra, deficiente ou homossexual – pessoas acostumadas (mas não conformadas) a sofrerem preconceito e bullying diariamente. É bom para mostrar que qualquer pessoa pode passar por isso (claro que guardadas as devidas proporções). Se tudo isso já não foi suficiente, veja abaixo mais 13 motivos para você parar tudo e assistir à série 13 Reasons Why agora mesmo:

1. Você vai querer saber mais sobre isso quando vir a série.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que o suicídio é um problema de saúde pública que deve ser visto como prioritário por gestores de todas as nações. Segundo estudo do órgão, a cada 40 segundos uma pessoa se mata no mundo – são 2.160 pessoas por dia. Acredite, ele mata mais que a aids e a violência! O Brasil, infelizmente, já foi considerado o oitavo país com o maior número de suicídios do planeta. E é pior entre os jovens: na última década, a taxa de brasileiros que tiram a própria vida cresceu mais de 40% entre pessoas de 15 e 29 anos. É ou não é importante prestar atenção nesse assunto?

2. Você provavelmente vai ficar se perguntando se não tem alguma Hannah ao seu lado.

Hannah era uma adolescente comum, bonita, saudável, tentando passar logo pela fase mais chata e perturbadora da vida. Mas ela sofria e ninguém levou a sério seus sinais de que algo não ia bem.

3. Pode trazer algum insight sobre as consequências do bullying na sua vida de hoje.

A história se passa numa escola de ensino médio americana (o famoso High School), com personagens bem óbvias, como a líder de torcida, o capitão do time de basquete, o garoto nerd esquisito. Tirando esses detalhes, não é tão diferente da nossa realidade aqui no Brasil. Então, inevitavelmente vai passar um filme da sua adolescência na cabeça, como quando você fez comentários maldosos sobre alguém ou foi vítima deles.

4. Se você é ou foi um (a) adolescente com problemas parecidos com os da Hannah…

Vai pensar na importância de colocar isso para fora, falar a respeito, procurar ajuda. Muito do que ela passou poderia ser resolvido pela direção da escola, quem sabe, caso ela tivesse sido atendida antes. Psicólogos, terapeutas, psiquiatras e o CVV também estão aí para isso.

5. A série é também uma crítica ao formato da educação tradicional americana…

Perfeitamente adaptável à nossa. É bom vocês que pensam o futuro do País prestarem bastante atenção na fala da Hannah, com a qual eu concordo plenamente: “Sonhe grande, eles dizem, mire alto. Depois eles nos trancam por 12 anos e dizem onde sentar, quando fazer xixi e o que pensar. Então fazemos 18 anos e, mesmo que nunca tenhamos pensado sozinhos, temos que tomar a decisão mais importante das nossas vidas”.

6.Se você trabalha com educação, aliás, vai ver o quanto não sabe de verdade sobre o que se passa na cabeça dos seus alunos.

Violência, agressividade e, principalmente, o bullying são sinais sérios demais para serem ignorados. Você nunca sabe como cada episódio pode ser encarado por alguém mais frágil e sensível; por isso, não subestime os relatos e as expressões de seus alunos.

7. Caso tenha um caso de suicídio (ou tentativa) próximo a você, vai talvez entender como os motivos daquela pessoa, por mais estranhos que possam ser, eram reais e pesados demais para ela.

Mas também vai ver que a culpa geralmente é compartilhada e muitos fatores podem ser somados na hora do sofrimento. Perdoá-la e perdoar-se será um passo muito importante.

8. Pais e mães vão pensar em como é para ontem o início de um diálogo franco e constante com seus filhos.

Vocês devem ser os que mais vão sentir um nó na garganta ao ver os episódios em que a mãe da Hannah fica tentando descobrir o porquê. A aflição dela ao procurar pistas e provar que a escola também foi responsável pelo que houve é tocante e triste, porque é como se ela só passasse a conhecer de fato a filha depois que ela morre.

9. Você provavelmente não vai se calar quando vir alguém sendo vítima de outra pessoa.

Embora eu não ache que necessariamente haja um culpado direto, a personagem acusa não só os que a maltrataram, mas também quem não tentou evitar. A melhor frase da sequência certamente é uma que está no início: “Talvez [você] tenha feito algo cruel. Ou talvez só tenha observado acontecer”. É bom assistir para analisar quantas vezes você não deu uma de Pilatos e simplesmente lavou as mãos diante da maldade alheia. Isso vai te servir para muitos momentos, como quando vir uma mulher apanhando do marido, por exemplo.

10. Você pode sentir peso na consciência.

Talvez sua reflexão seja ainda mais profunda ao perceber que você pode ser um dos motivos de uma pessoa como a Hannah, um dos “porquês”. Corre que ainda dá tempo de ir lá pedir desculpa.

11. Você pode ser uma Hannah.

Então acalme-se e pense na história dela como algo que poderia ter sido evitado. É para aprender, refletir e entender, não para te incentivar. Dá para perceber o quanto a decisão dela afetou a vida de um monte de gente? É o efeito borboleta, como ela mesmo cita. Fugir não vai fazer todo mundo te amar e perceber como você era importante para o mundo. Vai trazer lágrimas e dor, tão ou mais fortes que a que você sente agora. Tenha a certeza de que alguém te ama hoje e merece uma chance de tentar cuidar de você.
O mais importante: por mais responsabilidades que você ganha depois, é maravilhoso quando a adolescência passa. Essas cobranças para que a gente se pareça com alguém, se sinta incluído ou faça parte do grupo de populares da escola ficam pequenas diante dos outros desafios que surgem pela frente. Na verdade, você talvez nunca pare de querer se enquadrar, agradar todo mundo, mas acredito que nada será tão cruel como ser adolescente.

12. Não tem como você assistir à série e não chegar à conclusão de que essa história de “ela se matou para chamar a atenção” é besteira.

Também não é frescura, não é ser mimado, não é coisa de rico nem da geração Y. As pessoas têm depressão, síndrome de pânico e tendências suicidas não porque gostam, mas porque são problemas reais que devem ser tratados com seriedade e tratamento. Dói de verdade. Não é porque você sabe lidar tranquilamente com situações negativas que todo mundo vai saber.

13. Você pode ajudar a trazer o tema à tona.

No Brasil e em muitos outros lugares, existe um acordo não escrito que faz a imprensa nunca noticiar suicídios, para não incentivar. Isso é importante porque de fato o que a mídia diz tem alto poder de influência, principalmente para quem só estava esperando mais um motivo para se matar – ver que outra pessoa tomou coragem pode ser um deles. Mas por conta desse silêncio nós nunca falamos a respeito, não discutimos isso com a seriedade e atenção que merece. Faltam dados, registros, alertas. É como se não existisse. Aí ninguém vai se preocupar de fato com isso, apesar de ser considerado pela OMS uma “epidemia de extensão global”. Quem sabe você pode ser uma das pessoas que vai trazer o debate à tona e salvar vidas? Eu estou tentando…

*Publicado originalmente em meu blog no HuffPost Brasil, em 6 de abril de 2017.

Medo de ser feliz

menina medoTodas as vezes que coisas boas me acontecem ou estão para acontecer ou quando deduzo que podem vir as ruins, adoeço, estremeço, dou um jeito de fugir de algum jeito. Pode não ser de verdade, com as próprias pernas, mas meu corpo acusa o medo. Surgem dores de garganta, de barriga, de cabeça, de dente. Fico fraca, com alergia, com estômago embrulhado. Como uma menina quando teme o escuro e chora embaixo do cobertor, meu organismo faz uma revolução para evitar que eu avance…

Eu não percebia essa história antes, mas comecei a aprender aos poucos. Terapeutas e psicólogos chamam isso de auto boicote ou autossabotagem. Parece insano e fora da realidade acreditar que alguém em sã consciência boicotaria a si mesmo, mas é fato. A gente tem uma capacidade danada de passar a perna em quem mais deveria ser cuidado. E eu sou dessas – faço de tudo para aquela pessoa que vejo no espelho se dar mal. Maluquice isso, né?

Percebi que, no fundo, acho que não mereço nada daquilo ou acredito que vai acabar logo e aí sim vai doer. Então me protejo da possível dor antes de ela pensar em existir. Para muitas etapas da minha vida profissional, minha vontade foi bem mais forte que meu medo. E tantas outras poderiam ser diferentes se ele não existisse. Mas em outros atos ele ainda comanda. Como um diretor de teatro que decide a hora do último sinal.

No amor, tanto pior. Arrumo mil defeitos em quem se aproxima, mostro a ele os meus, todos de uma vez. Absorvo todos os sinais aparentemente negativos como um adeus e despejo nele todas as minhas neuroses. Tudo para garantir que nada dê certo. Assim sofro menos, diria meu subconsciente. E eu, na minha inocente consciência, dizendo que tudo o que queria era um amor de verdade.

Observar que eu fazia tudo isso não foi fácil. Neguei por muito tempo. A timidez, o nervosismo, a desconfiança e a insegurança sempre foram soldados fiéis desse boicote cruel a que me submeti. E eu jurando que era só uma questão de azar ou sorte. Enquanto lá dentro meu Tico e Teco estavam debatendo: E se der certo? E se não der? E se me magoarem? E se eu magoar alguém? E se eu aparecer demais? E se eu ficar metida? E se me acharem idiota? E se eu conseguir e as outras pessoas não? E se todo mundo conseguir e eu não? E se eu quebrar a cara? E se eu fracassar?

E se, e se, e se… O medo do que pode e não pode acontecer tem me feito viver, por tantos anos, sem viver de verdade. Porque penso no que os outros vão pensar ou porque não tenho coragem suficiente de enfrentar meus próprios defeitos. Por covardia ou por orgulho. E, depois de tanto mergulhar em minha mente para entender, veio a resposta: tenho tamanho de gente grande, mas descobri que sou mesmo é uma garotinha com medo de ser feliz. E esse medo ninguém deveria ter.

Se não rimar

Ícone by FreepikEstou numa fase poesia
Quando quero rimar meus sonhos com minha vida
Mesmo sem rimar

Ando querendo flutuar
Trocar de roupa, de rumo, de dia

Quero ouvir música e admirar
A lua, a chuva, o ipê
Quero o devaneio no lugar do espelho
E o suspiro no lugar do porquê

Quando sou prosa,
Quero desabafar, entender
Por que o mundo não é cor de rosa?
Quero mais pensar, mais dizer

Quando sou poesia,
Quero encurtar, perceber
Ser minha essência
Que só sabe sonhar pra viver

Mesmo sem rimar

Muitas páginas em branco – ou a difícil arte de concluir um texto

the endUltimamente tenho deixado muitos e muitos textos inacabados pelo caminho. Exatamente como faço com livros, ideias, projetos e cursos desde que me entendo por gente (esse assunto talvez fique para outro texto). Mas escrever, que é uma das coisas que mais gosto de fazer na vida, tem sido muito mais difícil nos últimos meses. Estou ainda tentando entender o motivo.

Toda vez que começo a dizer algo, vejo que estou indo pra um caminho de outro assunto que poderia virar outro texto e talvez ser colocado em outro lugar. Aí separo aquele trecho pra depois e começo de novo. Então travo. E os pedaços vão ficando soltos em páginas e páginas do meu computador. Este texto mesmo, eu comecei de um jeito e depois joguei tudo lá pra baixo ao ver que toquei em assuntos que cabem mais a outro momento. Por que isso está acontecendo?

Tentando fazer uma autoanálise aqui, pensei que pode ter a ver com meu momento de vida. Eu ando recalculando minha rota tantas vezes, buscando o melhor caminho, colocando um pé só em várias piscinas pra ver qual está menos fria. Aí eu começo um texto sobre mudanças e me vejo falando de medo. Então resolvo falar sobre o medo e paro pra pensar na beleza de ter várias experiências. Inicio palavras sobre isso, percebo minha mania de mudar de ideias a todo tempo e invento de começar tudo de novo. E fica tudo pelas metades…

(Estou aqui rindo de mim mesma sozinha. E pensando: será que vou levar este texto aqui até o fim? Será que vou ter coragem de publicá-lo?)

Sabe o que mais pode ser? Minha mania de perfeição (opa, outro assunto sobre o qual gostaria de escrever separadamente). Em primeiro lugar, por uma série de motivos, eu passei a ter mais gente pra ler o que escrevo e isso me fez calcular muito mais meus passos, preocupada com a repercussão do que digo na vida das pessoas e, claro, na minha. Aí penso – que idiota eu! As pessoas podem pensar o que elas quiserem, não terei controle sobre isso nunca! Mas, gente, essa minha autocobrança é danada pra me deixar em paz, viu?

Tem mais: eu inventei de alimentar esse sonho doido de querer ser escritora um dia. Por isso fico tentando ensaiar coisas mais bem feitas pra me convencer de que sirvo pra isso. E vocês não imaginam quantos títulos de livros já inventei no último ano… Fico confusa sem saber qual faço primeiro, se vou conseguir terminar, se alguém vai querer ler. Aí não comecei nenhum, ó que coisa!

Bom, não cheguei a conclusão alguma, mas acho que vou terminar esta baboseira aqui, pra dizer que um ao menos recebeu o ponto final. Se tem alguém lendo este texto confuso até aqui, desculpe aí. Eu estava só meio que “pensando alto”. É que escrever, pra mim, é uma forma de terapia gratuita e hoje resolvi deitar-me nesse divã um pouquinho, já que não podia correr para o verdadeiro agora…

PS: Ó eu terminando o texto com reticências. Isso é um sinal, né? Só pode. Aliás, mais uma coisa sobre a qual devo escrever: estou com mania de “psicologizar” tudo, tá engraçado)

Sonhar ou conquistar

imaginação800-450x450“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(…)

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonhos gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.”

(Fernando Pessoa – Tabacaria)