Contradições em hífens

sim-naoNão tem essa de

é-tem-que-ser, sorrir-toda-hora, igual-sempre-igual, sempre-pra-sempre

A vida é mesmo um intenso

sai-não-sai, vai-não-vai, fica-não-fica, morde-assopra, deixa-que-deixa

Às vezes, ela gosta de mostrar que

o-bem-me-quer-mal-me-quer, o-bom-pode-não-ser, o-ruim-é-pra-aprender, o-bem-pode-vencer

Mas o que ela quer de nós mesmo é pra valer

um-cai-levanta, um-sobe-desce, um-chora-sorri, um-agora-é-a-hora, um-sacode-a-poeira

Ela é assim, essa contradição toda. S-I-M-P-L-E-S-M-E-N-T-E.

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Filhos bons para um mundo cruel

menina mundoUm amigo meu diz que não quer ter filhos. Segundo ele, este mundo já é muito cruel hoje, cheio de maldade, violência e coisas ruins. Imagina quando a criança crescer! Seria uma crueldade obrigá-la a vir para este mundo tão mal, acredita ele. Pois eu digo que a crueldade está justamente no contrário.

E se no lugar de pensar apenas no problema que o mundo traria para seu filho, ele – e quem mais pensa assim – pensasse na solução que seu filho poderia trazer para o mundo? E se você decidisse dar todo o amor que existir a ele, transmitir-lhe os melhores valores, ensiná-lo a espalhar coisas boas por onde passar? E se você fizesse com ele tudo aquilo que gostaria que seus pais tivessem feito a você?

O risco que você corre colocando um filho no mundo é de ele crescer querendo mudar tudo de ruim que encontrar no caminho. E se seu filho se tornar o futuro ganhador do Prêmio Nobel da Paz, ou desenvolver a cura para o câncer ou a Aids? Vale a pena? No lugar de perguntar por que ter filho, eu questiono: por que privar o mundo de um cidadão de bem que pode ajudar a melhorá-lo? Você pode dizer que não há garantia alguma de que isso vá dar certo. Mas qual a chance de dar errado?

Eu já penso assim há muito tempo, mas fui instigada a escrever este texto ontem à noite, quando, por acaso, assisti a um vídeo feito pela Unilever, que pergunta: Por que trazer uma criança para este mundo? O vídeo é lindo, precisa ser visto e revisto. E serve pra quem ainda pensa que o mundo não merece receber um pedacinho de tudo que há de bom dentro da gente engatinhando por aí, levando luz a todos os cantos do planeta…

Por que trazer uma criança a este mundo?

Do que só os diferentes são capazes

Após uma conversa no divã, conheci o texto abaixo, que tem tudo a ver com o que motivou minhas últimas lágrimas. Não vou me atrever a teorizar muito sobre o que está dito porque nem há muito a acrescentar. É muito bom ler uma coisa que conforta nosso coração…

Os diferentes – Artur da Távola

Diferente não é quem o pretende ser. Este é um imitador do que ainda não foi imitado, mas nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado de alguns ‘mais’ e alguns ‘menos’ em hora, no momento e lugar errado. Para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E do medo de não agüentarem, caso um dia venham a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.

O diferente nunca é um chato. Mas sempre é confundido com ele por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias são adiadas; esperanças são mortas.

Um diferente medroso, este sim acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.

Os diferentes muito inteligentes entendem por que os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razões sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride.

O diferente paga sempre o preço de estar – mesmo sem o querer – alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente aguenta no lombo a ira do irremediavelmente igual, a inveja do comum, o ódio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que sempre está certo.

O diferente começa a sofrer cedo, desde o primário, onde todos os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns professores por omissão (principalmente os mais grossos), se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial, em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em “ – puxa, fulano, como você é complicado”. O que é embrião de um estilo próprio em “ – Você está vendo como é que todo mundo faz?”

O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações nos quais acaba transformando-se. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformam nos seus grandes modificadores.

Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham.

Diferente é o que: engorda mais um pouco; chora, onde outros xingam; estuda, onde outros burram. Quer, onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria, onde o hábito rotiniza. Sofre, onde outros ganham.

Diferente é o que: fica doente onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supunha. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala sempre nas horas erradas. Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer gol, porque gosta mais de jogar do que ganhar.

Diferente é o que aprendeu a superar o riso, o deboche, o escárnio e a consciência dolorosa de que a mídia é má, porque é igual.

Os diferentes aí estão: enfermos; paralíticos; machucados; engordados; magros demais; bonitos demais; inteligentes em excesso; bons demais para aquele cargo; excepcionais: narigudos; barrigudos; joelhudos; de pé grande; feios; de roupas erradas; cheios de espinhas; os diferentes aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, ‘sendo’ muito mais.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além. A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos que forem capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes.

Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.”

Os números de 2011 (neste blog)

Obrigada pelas visitas e pela força!!

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 20.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 7 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo

Perdendo tempo

Meu texto de feriado não é meu. Resolvi homenagear tardiamente o grande poeta Carlos Drummond de Andrade – que teria completado 109 anos no dia 31 de outubro – com um texto lindo, sublime, mas super simples que ele escreveu para mostrar como perdemos tempo por não vivermos o presente…

Definitivo – Carlos Drummond de Andrade

“Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso: Se iludindo menos e vivendo mais!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional…”

Porque, no fundo, só queremos ser especiais…

Quem me conhece ou acompanha o blog sabe que eu adoro escrever sobre amor, sobre achar alguém, sobre não ter achado. Adoro falar de sentimentos. E sou do tipo sonhadora, que acredita que em algum lugar do mundo há uma pessoa nascida para estar comigo. Ele não precisa ser lindo, rico, divertido, sensual, inteligente, bem relacionado, amigo, carinhoso e alto. Ter todas essas características o tornaria perfeito e não é alguém assim que eu procuro. Quero só estar com alguém que me faça sentir especial, amada. Alguém para quem eu goste de olhar nos olhos e me sentir feliz por estar ali, naquele momento. E que tenha defeitos, para eu aprender a lidar com eles e observar os meus.

Acho que no fundo é isso que todos nós queremos. Dos mais pegadores e galinhas aos avessos a relacionamentos, um dia todo mundo sente falta de alguém especial que o faça sentir especial. E, ora, falsa modéstia à parte, nossa busca do dia a dia é essa mesmo: ser especial para uma pessoa, para um grupo, para o mundo. Por mais autosuficiente que seja – e não acredito que isso exista -, ninguém quer ser odiado pela humanidade inteira. Ser especial para um indivíduo que seja é uma delícia. E ter um desses por perto, melhor ainda.

Dito isso, trago abaixo o texto que me inspirou a falar sobre ser especial. O Ivan Martins, diretor-executivo da revista Época (sim, minha concorrente, mas tenho que reconhecer o talento de quem é talentoso, né?), é um desses caras – especiais – que dá vontade de conhecer. Todo texto dele é delicado, profundo, mesmo falando de coisas tão genéricas como o amor. Dessa vez não é diferente. Vale a pena ler, com muita atenção, o que ele diz sobre o assunto. E levar suas palavras para a vida… Delicie-se:

Alguém especial
É isso que você quer – ou um monte de gente basta?
Ivan Martins

“Ficar com muita gente é fácil”, diz um amigo meu, com pouco mais de 25 anos. “Difícil é achar alguém especial”.

Faz algum tempo que tivemos essa conversa. Ele tentava me explicar por que, em meio a tantas garotas bonitas, a tantas baladas e viagens, ele não se decidia a namorar.

Ele não disse que estava sobrando mulher. Não disse que seria um desperdício escolher apenas uma. Não falou em aproveitar a juventude ou o momento e nem alegou que teria dificuldade em escolher. Disse apenas que é difícil achar alguém especial.

Na hora, parado com ele na porta do elevador, aquilo me pareceu apenas uma desculpa para quem, afinal, está curtindo a abundância. Foi depois que eu vim a pensar que existe mesmo gente especial, e que é difícil topar com uma delas.

Claro, o mundo está cheio de gente bonita. Também há pessoas disponíveis para quase tudo, de sexo a asa delta. Para encontrar gente animada, basta ir ao bar, descobrir a balada, chegar na festa quando estiver bombando. Se você não for muito feio ou muito chato, vai se dar bem. Se você for jovem e bonita, vai ter possibilidade de escolher. Pode-se viver assim por muito tempo, experimentando, trocando de gente sem muita dor e quase sem culpa, descobrindo prazeres e sensações que, no passado, estariam proibidos, especialmente às mulheres.

Mas talvez isso tudo não seja suficiente.

Talvez seja preciso, para sentir-se realmente vivo, um tipo de sensação que não se obtém apenas trocando de parceiro ou de parceira toda semana. Talvez seja preciso, depois de algum tempo na farra, ficar apaixonado. Na verdade, ficar apaixonado pode ser aquilo que nós procuramos o tempo inteiro – mas isso, diria o meu jovem amigo, exige alguém especial.

Desde que ele usou essa fatídica expressão, eu fiquei pensando, mesmo contra a minha vontade, sobre o que seria alguém especial, e ainda não encontrei uma resposta satisfatória. Provavelmente porque ela não existe.

Você certamente já passou pela sensação engraçada de ouvir um amigo explicando, incansavelmente, por que aquela garota por quem ele está apaixonado é a mulher mais linda e mais encantadora do mundo – sem que você perceba, nela, nada de especial. OK, a garota é bonitinha. OK, o sotaque dela é charmoso. Mas, quem ouvisse ele falando, acharia que está namorando a irmã gêmea da Mila Kunis. Para ele ela é única e quase sobrenatural, e isso basta.

Disso se deduz, eu acho, que a pessoa especial é aquela que nos faz sentir especial.

Tenho uma amiga que anda apaixonada por um sujeito que eu, com a melhor boa vontade, só consigo achar um coxinha. Mas o tal rapaz, que parece que nasceu no cartório, faz com que ela se sinta a mulher mais sensual e mais arrebatada do planeta. É uma química aparentemente inexplicável entre um furacão e um copo de água mineral sem gás, mas que parece funcionar maravilhosamente. Ela, linda e selvagem como um puma da montanha, escolheu o cara que toma banho engravatado, entre tantos outros que se ofereciam, por que ele a faz sentir-se de um modo que ninguém mais faz. E isso basta.

É preciso admitir que há gente que parece especial para todo mundo. Não estou falando de atores e atrizes ou qualquer dessas celebridades que colonizam as nossas fantasias sexuais como cupins. Falo de gente normal extremamente sedutora. Isso existe, entre homens e entre mulheres. São aquelas pessoas com quem todo mundo quer ficar. Aquelas por quem um número desproporcional de seres humanos é apaixonado. Essas pessoas existem, estão em toda parte, circulam entre nós provocando suspiros e viradas de pescoço, mas não acho que sejam a resposta aos desejos de cada um de nós. Claro, todo mundo quer uma chance de ficar com uma pessoa dessas. Mas, quando acontece, não é exatamente aquilo que se imaginava. Você pode descobrir que a pessoa que todo mundo acha especial não é especial para você.

Da minha parte, tendo pensado um pouco, acho que a pessoa especial é aquele que enche a minha vida. Ela é a resposta às minhas ansiedades. Ela me dá aquilo que eu nem sei que eu preciso – às vezes é paz, outras vezes confusão. Eu tenho certeza que ela é linda por que não consigo deixar de olhá-la. Tenho certeza que é a pessoa mais sensual do mundo, uma vez que eu não consigo tirar as mãos dela. Certamente é brilhante, já que ela fala e eu babo. E, claro, a mulher mais engraçada do mundo, pois me faz rir o tempo inteiro. Tem também um senso de humor inteligentíssimo, visto que adora as minhas piadas. Com ela eu viajo, durmo, como, transo e até brigo bem. Ela extrai o melhor e o pior de mim, faz com que eu me sinta inteiro.

Deve ser isso que o meu amigo tinha em mente quando se referia a alguém especial. Se for isso vale a pena. As pessoas que passam na nossa vida são importantes, mas, de vez em quando, alguém tem de cavar um buraco bem fundo e ficar. Essas são especiais e não são fáceis de achar.

//
Tão bem – Lulu Santos

Ela me encontrou
Eu tava por aí
Num estado emocional tão ruim
Me sentindo muito mal
Perdido, sozinho
Errando de bar em bar
Procurando não achar

Ela demonstrou tanto prazer
De estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação
Que até então não conhecia
De se querer bem
De se querer quem se tem…

E ela me faz tão bem
E ela me faz tão bem
Que eu também quero
Fazer isso por ela…

/
Tudo certo – Luiz Possi

Calma, tenha calma
Minha previsão do tempo
Diz que hoje não vai chover
Alma, minha alma
Voa leve pelo vento
E me leva até você

Você me faz bem
Quando chega perto
Com esse seu sorriso aberto
Muda o meu olhar
Meu jeito de falar
Junto de você fica tudo bem, tudo certo

Sei, eu sei que vejo mais do que eu deveria
Mas é que eu sou mesmo assim
Sinto, eu sinto tanto a sua falta todo dia
Volta e traz você pra mim
Quem mandou você passar pelo meu caminho
Quantas vezes eu vou ter que repetir
Quantas vezes?

/
Equalize – Pitty

Às vezes se eu me distraio
Se eu não me vigio um instante
Me transporto pra perto de você
Já vi que não posso ficar tão solta
Me vem logo aquele cheiro
Que passa de você pra mim
Num fluxo perfeito

Enquanto você conversa e me beija
Ao mesmo tempo eu vejo
As suas cores no seu olho, tão de perto
Me balanço devagar
Como quando você me embala
O ritmo rola fácil
Parece que foi ensaiado

E eu acho que eu gosto mesmo de você
Bem do jeito que você é
Eu vou equalizar você
Numa frequência que só a gente sabe
Eu te transformei nessa canção
Pra poder te gravar em mim

Adoro essa sua cara de sono
E o timbre da sua voz
Que fica me dizendo coisas tão malucas
E que quase me mata de rir
Quando tenta me convencer
Que eu só fiquei aqui
Porque nós dois somos iguais

Até parece que você já tinha
O meu manual de instruções
Porque você decifra os meus sonhos
Porque você sabe o que eu gosto
E porque quando você me abraça
O mundo gira devagar

E o tempo é só meu
E ninguém registra a cena
De repente vira um filme
Todo em câmera lenta
E eu acho que eu gosto mesmo de você
Bem do jeito que você é

Eu vou equalizar você
Numa frequência que só a gente sabe
Eu te transformei nessa canção
Pra poder te gravar em mim

Um ano ‘blogando’ a vida!!

Gente, o blog Desculpe o Auê… fez um ano no dia 2 de maio e eu deixei passar! Tsc, tsc, tsc. Não rolou nenhum bolinho, mas ainda há tempo de comemorar.

Então este pequeno post é só pra agradecer pelas 13.512 visitas que ele teve até agora (10:20 do dia 23/05), principalmente aos cerca de 50 visitantes que se dão ao trabalho de lê-lo todos os dias ou os 958 que o leram em seu dia mais movimentado (quinta-feira, 19/05/2011, post sobre A Banda Mais Bonita da Cidade).

Em homenagem a vocês, relembro aqui alguns dos textos que eu mais gostei de postar.

Obrigada pela paciência e por ajudarem a tornar minha vida mais gostosa ao compartilhá-la com o mundo!

O primeiroE a avenida terminou num abraço… (2/05/2010)

O mais bonito Ainda que a espera nunca chegue ao fim (22/06/2010)

Homenagem a um poetaCarpinejar pode esperar (05/07/2010)

O mais emocionante A verdadeira (infeliz) tradição (26/08/2010)

Quando meu filme foi para o YoutubePor Amor ao Forró está no ar (14/10/2010)

Ficando velhaHistórias Cãs e Encanecidas (09/11/2011)

Quando me apaixoneiDiagnóstico (11/12/2010)

Quando acabouPalavras sobre mais um fim (30/01/2011)

Falando de amor:
Amor maduro e puro (07/01/2011)
Do amor à memória distante (17/01/2011)
Só o que não é meu (18/01/2011)
Três formas de amor (19/01/2011)

Sobre a delícia de escrever:
Meu ócio criativo (16/01/2011)
O sofrimento criador (17/01/2011)
Esconde-esconde literário (07/05/2011)

Geração YJuventude inquieta (18/02/2011)

Despedida As lições que a morte nos traz (03/04/2011)

Blog mudando de cara e nome – e eu mudando juntoTudo mudado, tudo mudou… (13/04/2011)

Recorde de audiência A Banda Mais Bonita da Cidade (19/05/2011)

E em todos há sempre alguma música que tem a ver com o assunto, que fazem parte da categoria “Música Frio na Barriga

Obrigada por estar aqui! 🙂

A Banda Mais Bonita da Cidade

A Banda Mais Bonita da Cidade. Sim, esse é o nome do grupo lá de Curitiba que me emocionou hoje. Não sei se é mesmo a banda mais bonita lá da cidade paranaense, mas que é uma das mais bacanas que conheci nos últimos tempos não há dúvidas. O clipe de Oração foi gravado de uma vez só e dá pra sentir como deve ter sido divertido aquele dia.

Você vai ver uma vez, ficar sem palavras e querer ver de novo. Vai decorar a música e enjoar um pouco (porque eles a repetem muitas vezes mesmo), mas vai com certeza querer mostrar pra alguém.
Da categoria coisas lindas que merecem ser compartilhadas. Aproveito pra mostrar outros vídeos deles, que, tenho certeza, logo logo estarão fazendo sucesso no país inteiro! Atenção pra letra de Lobotomia, que é linda também (Facebook da banda)

[Atualização dia 20/05, 13h] – Definitivamente A Banda… bombou na última quinta-feira. Por causa deste post, meu blog teve só ontem quase 1.000 visitas (meu recorde para um dia) e o vídeo com a música “Oração”, no Youtube, teve 351.500 visualizações até agora – no dia 17 às 19h, eram pouco mais de 300. Todo mundo o reproduziu no Facebook e no Twitter. Sucesso absoluto!

Oração – A Banda Mais Bonita da Cidade

Meu amor
Essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa

Cabe o meu amor
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois
Cabe até o meu amor

Essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa

Cabe o meu amor
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe essa oração

Canção Pra Não Voltar – A Banda Mais Bonita da Cidade

Não volte pra casa meu amor que aqui é triste
Não volte pro mundo onde você não existe
Não volte mais
Não olhe pra trás
Mas não se esqueça de mim não
Não me lembre que o sol nasce no leste e no oeste morre depois
O que acontece é triste demais
Pra quem não sabe viver pra quem não sabe amar

Não volte pra casa meu amor que a casa é triste
Desde que você partiu aqui nada existe
Então não adianta voltar
Acabou o seu tempo acabou o seu mar acabou seu dia
Acabou, acabou

Não volte pra casa meu amor que aqui é triste
Vá voar com o vento que só lá você existe
Não esqueça que não sei mais nada
Nada de você
Não me espere porque eu não volto logo
Não nade porque eu me afogo
Não voe porque eu caio do ar
Não sei flutuar nas nuvens como você
Você não vai entender
Que eu não sei voar
Eu não sei mais nada

Dó com baixo em dó
Sol com baixo em si
Lá com baixo em lá
Lá com baixo em sol
Fá com baixo em fá
Fá com baixo em fá sustenido
Sol com baixo em sol
Sol com lá bemol

Lobotomia – A Banda Mais Bonita da Cidade

Se eu corro – A Banda Mais Bonita da Cidade

Tudo mudado, tudo mudou…

Resolvi mudar. Na teoria, já faz tempo que isso aconteceu. Na prática, está só no início. Terapias, massagens, florais, decisões, remédios, divãs. Só pra começar. A intenção é virar de cabeça pra baixo, recuperar velhos sonhos, descobrir outros, correr atrás. Me conhecer e reconhecer. Sempre achei que já sabia exatamente quem eu era, mas o fato de não saber o que quero da vida me leva a uma terrível constatação: eu ainda não conheço essa pessoa que vejo com a cara inchada de sono todas as manhãs. E perceber que a gente não se conhece é como dormir todas as noites com um estranho.

A mudança não será tão radical. Nada de cortes de cabelo moderninhos, roupas da Oscar Freire ou figurino da Rua Augusta. A diferença vai ser interna e poucos vão reparar – pra falar a verdade, realmente espero que reparem. Mas só me digam se eu estiver mesmo mesmo melhorando. Não precisam ser bonzinhos. Deixem a piedade comigo. E se nada melhorar, puxem minha orelha, sem dó.

Já que essa transformação toda é imprevisível e pode ser bem demorada, decidi dar um up grade no blog logo. Umas cores aqui, um nome menos egocêntrico ali, umas aspas absolutamente perfeitas da Clarice Lispector acolá (que eu é que queria ter escrito – hunf 😛 ) e aí está: Desculpe o AuÊ. O pedido é mais pra mim mesmo, é que eu tenho me maltratado demais com meus motins internos. Coitada da minha cabeça, mal se aguenta acordada de tantos devaneios indiscretos.

Mas as desculpas servem pra você também, querido leitor. Você que, sabe-se lá por que, acompanha todas as besteiras confusas e desencontradas que escrevo aqui. E as lê, ainda que elas se pareçam mais com um bate-papo esquizofrênico entre a Adriana Caitano e a Dri, esses dois seres tão siameses que insistem em brigar por um espaço que vive vazio.

Tudo bem, sem exageros. O auê é bom também. Não fosse ele, estaria estacionada, conformada, achando que o não bom estava bom, que o estar era pra sempre. Que nada! Bom mesmo é confundir, bagunçar, causar aquele auê. Só assim pra gente perceber que é preciso um pouco de ordem na inconsistência da vida, e um pouco de vida na monotonia da ordem.

Sigam-me os bons – e corajosos!

/
Falando em mudanças…

Eu quero sempre mais – Ira e Pitty

A minha vida, eu preciso mudar todo dia
Pra escapar da rotina dos meus desejos por seus beijos
Dos meus sonhos eu procuro acordar e perseguir meus sonhos
Mas a realidade que vem depois não é bem aquela que planejei
Eu quero sempre mais
Eu quero sempre mais
Eu espero sempre mais de ti
Por isso hoje estou tão triste
Porque querer está tão longe de poder
E quem eu quero está tão longe, longe de mim
Longe de mim

/
Agora só falta você – Maria Rita (letra de Rita Lee e Luiz Sérgio)

Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto à você
E em tudo o que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Sei que eu nasci pra saber
Pra saber o quê?
E fui andando sem pensar em mudar
E sem ligar pro que me aconteceu
Um belo dia vou lhe telefonar
Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu
No ar que eu respiro
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou
Agora só falta você

Das vantagens de ser bobo

Crônica de Clarisse Lispector, de 1970

– O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar no mundo.

– O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo. Estou pensando.”

– Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem.

– Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.

– O bobo ganha liberdade e sabedoria para viver.

– O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes o bobo é um Dostoievski.

– Há desvantagem, obviamente: Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era a de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro.

– Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa fé, não desconfiar, e, portanto, estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.

O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo nem nota que venceu.

– Aviso: não confundir bobos com burros.

– Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a frase célebre: “Até tu, Brutus?”

– Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

– Os bobos, com suas palhaçadas, devem estar todos no céu.

– Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

– O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.

– Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos.

Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham vida.

– Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

– Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita o ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

– Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cimas das casas.

– É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
/

A mesma crônica, na voz de Aracy Balabanian: