Meus dias em Berlim

imagePassei três dias e quatro noites em Berlim, mas sinceramente tenho a sensação de que fiquei aqui por muitas semanas. Cheguei perdida, com medo de tudo. Mas, com a ajuda de um amigo brasileiro que encontrei no começo e do mapa que me entregaram no hostel, estou indo tranquila, aprendi a andar por todos os lados, usar bem o metrô, me comunicar com as pessoas… Amei tudo por aqui e fui fazendo anotações a cada passo que dava.
Tanta coisa me chamou a atenção! As construções monumentais, a diferença nítida que ainda existe entre os dois lados, a quantidade de carros antigos nas ruas, de turcos e asiáticos (eles e seus restaurantes estão por toda parte, é inacreditável!), a sujeira de algumas ruas e o brilho de outras, o mendigo que pediu dinheiro mais bem vestido que eu, a comidinha sem graça e sem tempero, a arte de rua, e claro, as deliciosas tardes primaveris.
Berlim é uma cidade plana, como Brasília, o que facilita a visão mais ampla sobre a capital. Os rios que a atravessam dão um requinte extra à deliciosa sensação de simplesmente caminhar aqui e é isso que eu tenho feito – e muito. Atrevendo-me a dar dicas: se você é um amante de museus, venha com tempo. São muitos e enormes, sobre todo tipo de coisa que puder imaginar. História egípcia, grega, romana, judia – até alemã. Dá pra comprar um ticket único pra usar em quase todos eles por 3 dias, por 24 euros. Se você for mesmo visitá-los, vale a pena. Pra mim não valeu muito.
Depois do terceiro museu desisti de perder tempo em lugares fechados e percebi que Berlim existe pra ser admirada à luz do dia. Antes de viajar, quando me perguntaram que tipo de coisa eu queria fazer nos lugares pra onde ia, respondia “por mim, sento numa praça e vejo a vida da cidade passar”. Eu ainda teimei, mas depois de quatro dias de viagem tenho ainda mais certeza de que essa é a coisa certa a se fazer (pelo menos pra mim – e é preciso saber que cada viajante tem um perfil).
imageNo exato momento em que escrevo parte deste texto, estou sentada na grama de uma linda praça da Ilha dos Museus. À minha esquerda tem uma fonte (onde vi mais cedo um animado grupo de jovens alemães se refrescando só de cuecas), à direita um museu gigantesco que preferi não encarar e atrás uma igreja monumental. Tirei fotos de tudo, mas nenhuma imagem registrada nessa maquininha pode traduzir exatamente a delícia que é estar aqui, vendo a vida passar… O som do sino da igreja, uma musiquinha típica no fundo, pessoas de todos os lugares do mundo falando em suas próprias línguas. Como traduzir essa cena em palavras ou fotografias?
Outro detalhe muito importante: alemães são pessoas incríveis! Não conheci sequer um mal humorado ou mal educado. Mesmo que muitos não falem inglês e não tenham se acostumado ainda com turistas, todos se esforçam pra nos entender e ensinar o caminho ainda que com mímicas. Na boate que fui na última noite, o recepcionista até brincou com essa fama do povo daqui. “Sou alemão, tenha medo de mim!”, gritou para um turista, de brincadeira, claro. Não vi ninguém aborrecido com o fato de eu não falar a impossível língua deles e isso me deu mais vontade de aprender.
A língua, aliás, é um caso à parte – eu treinei inglês e espanhol e consegui fazer amigos falando as duas. Isso me parecia impossível porque não treinei nenhuma depois das aulas que tive e acabei há anos. Tem sido muito engraçado sonhar e pensar sem ser em português e ter que ficar mudando a chavinha toda hora…
Bom, se minha viagem tivesse acabado aqui, já teria valido muito a pena. Mas na verdade ainda tenho 17 dias de descobertas pela frente… E isso é maravilhoso! Como eles dizem por aqui, “Danke, Berlin!” (Obrigada!!).
*minhas indicações:
Hostel Wombats – Ótimo atendimento, ótimo quarto, ótimo banheiro, ótimo preço, ótima localização, ótimo jeito de conhecer gente nova – e pouquíssimos brasileiro, pelo menos que eu tenha visto
Alexanderplatz – Uma torre gigantesca e linda que dá pra ver de toda a parte central da cidade
Praça da Ilha dos Museus – sentar-se na grama numa tarde ensolarada perto do chafariz pode ser melhor que entrar em todos os museus enormes que há por ali
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3 pensamentos sobre “Meus dias em Berlim

  1. Que ótimo que está gostando do passeio. Realmente cada um tem uma forma diferente de olhar e sentir os lugares e seus abitantes, mas tenho uma ressalva sobre a culinária, experimentei coisas bem interessantes por ai, e as vezes sinto saudades de um sanduíche de polvo que comi em um dos subsolos de um lugar chamado White Trash Fast Food (que não é fast food 😉 )…. As vezes vai da sorte de virar na esquina certa, ou de estar acompanhado da prima cozinheira certa tb hehehe. Abraços e boa viagem!

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