Pelo direito de existir

Nada, absolutamente nada justifica a indiferença. Ignorar alguém é fingir que ela não existe, que ela não tem a menor importância para o mundo, que ela é menos que um cisco no nada.

Costuma-se dar atenção, mínima que seja, a cães cheios de sarna que atravessam as ruas, a pombos famintos que buscam migalhas no chão, a baratas nojentas que cruzam o esgoto. Ainda que um chute, uma buzinada, um grito, um abano, uma pisada, sempre há alguma reação.

Mas a certas pessoas não se oferece nem isso. Um olhar de nojo, uma risada, um chute, um não. Qualquer coisa é melhor que o nada. Qualquer palavra pode ser menos cruel que a indiferença. Nada corrói mais a alma de quem ainda vive e, portanto, sonha, que perceber ser menos importante que um cão sarnento, um pombo faminto ou uma barata que vive no esgoto.

Dê a língua, cuspa, xingue, mande para aquele lugar, mas não feche os olhos pra alguém. Encare a vida de frente, tenha coragem de dizer o que pensa, que não quer mais, mesmo sob o risco de magoar. Mas dê aos outros o benefício de saber que existem, mesmo sem amor.

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