Expectativa para 2012: não ter nenhuma expectativa

Na minha lista de resoluções para o ano novo, o primeiro item exclui a necessidade de ter outros: em 2012, quero esperar menos, criar menos expectativa sobre as coisas e as pessoas. Depois de tanto me surpreender com coisas lindas que a vida me trouxe sem eu sequer imaginar que aconteceriam, aprendi que concentrar minhas energias em uma opção só é a maior perda de tempo. Então tive que escrever algumas palavras sobre o assunto. Desculpem-me se parecer uma dessas correntes de e-mail, mas tentei resumir algumas ideias que estão martelando em minha cabeça há um tempinho:

Expectativa. Talvez esta seja a palavra mais perigosa de todo o dicionário. Digo isso por ter sentido na pele o poder que ela tem – nem uma nem duas, mas centenas de vezes. E, acredite, ela é bem pior do que parece.

Ter expectativa parece algo muito bom a princípio. É coisa de gente otimista, que acredita no futuro, que tudo vai dar certo. Esperar que algo bom vai acontecer só atrai o melhor, dizem os livros de autoajuda. Mas essa tal de expectativa, apesar de bonita, é muito audaz.

Ela sabe exatamente nossas fragilidades. Sabe que uma pessoa que a detém com muita força perde os sentidos, não olha para os lados, não mantém os pés firmes no chão. E ela espertamente empurra a pessoa para o alto, mais alto e mais alto.

O problema é que, quando ambas estão voando sobre as nuvens, impávidas e livres, chega uma chuva de realidade e tudo desmorona. Aquilo que se esperava tanto não se concretizou e todos os sonhos, as histórias, os desdobramentos imaginados para aquela situação vão por água abaixo sem sequer terem se realizado. E aí o tombo é grande.

A expectativa é faceira. Nos envolve sorrateiramente, nos enche de criatividade e especulações mirabolantes. Mas ela sabe que nem tudo pode ser como planejamos, que há mais fatores do que a nossa simples vontade para determinar o desfecho de um enredo.

Já nós somos teimosos e ansiosos ao extremo. Esperamos demais de tudo – pessoas, cidades, mudanças, empregos, filmes, livros e até de nós mesmos. E com isso corremos o risco de toparmos por aí com a filha da expectativa: a frustração.

Essa só não é mais perigosa porque não tem vontade própria – só existe se antes alguém tiver menosprezado ou superestimado alguma coisa. Sabe bem do que estou falando quem já pagou caro por um show horrível, apostou todas as fichas numa empresa falida, idealizou um casamento de contos de fadas e ficou solteirona, chorou litros d’água ao perceber que o príncipe encantado era um sapo verruguento ou sonhou em ser estrela em Hollywood e conseguiu no máximo uma figuração na propaganda do governo.

Boa parte do que reclamamos em nossa vida tem a ver com o que esperávamos que iria acontecer e não aconteceu. Quanto maiores forem minhas expectativas, maior a possibilidade de eu me frustrar e, claro, maior será meu tombo se tudo der errado. Porque o mundo não tem culpa das expectativas que criamos. As pessoas não pediram para esperarmos tanto delas.

Não estou dizendo que sonhar é ruim, de jeito nenhum! Sonhar é um dos poucos direitos que nunca poderá ser roubado. Mas não custa nada sonhar com pés firmes.

Se sou romântica, posso querer ser feliz no casamento, mas não preciso achar que toda a minha felicidade depende disso. Se quero ser ator, devo saber que começar por baixo é o melhor caminho e que, caso eu não tenha talento, devo tentar outra coisa. Se desejo me mudar de cidade, preciso ter noção de que vou encontrar dificuldades e problemas em qualquer lugar do mundo.

Por isso, se o conselho de uma pessoa ansiosa que teve muitas expectativas frustradas valer alguma coisa, evite-as. Aceite mudanças de planos, de rotas, de ideias. Sonhe, mas sem achar que qualquer coisa diferente do que você quis será muito ruim. Aprenda a conviver com as questões que a vida te traz, mas sem deixar de arregaçar as mangas para ir atrás do que acredita.

Enfim, viva um dia de cada vez, espere menos e faça mais. Porque a única pessoa capaz de te fazer feliz de verdade é você – aqui e agora!

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