Eu e São Paulo – Bodas de papel!

Hoje, dia 25 de janeiro, exatamente no dia do aniversário de 457 anos de São Paulo, completo UM ANO nesta cidade maluca. Nem tinha me tocado de que cheguei aqui num feriado, quando a famosa terra da garoa comemorava mais um ano de vida e eu chegava para começar uma nova vida.

Um ano, quem diria. Bodas de papel! E, como em todo casamento, nossa relação teve altos e baixos. Cheguei cheia de esperança e sonhos, entrei em crise umas muitas vezes, chorei outras tantas, me emocionei. Já quis abraçar a cidade inteira de uma vez e guardar a Avenida Paulista numa caixinha, só pra ter ao meu alcance todo dia.

A primeira vez que pisei aqui não fiz como o Caetano, chamando “de mal gosto o que vi”, pelo contrário. Fiquei literalmente boquiaberta com a grandiosidade dos prédios ao vê-los do alto de um terraço no, sei lá, vigésimo andar. Eu tinha 15 anos e só levei daqui a promessa de que voltaria pra valer. E voltei.

Há 12 meses, quando vim para ficar (e fui super bem recebida por uma amiga que me abrigou), a história era outra. Mudança radical, saudades e lembranças deixadas para trás. Tinha vindo atrás de um sonho. Ainda não sei bem qual ele é, mas estou descobrindo aos poucos. Ao longo desse ano tive muito tempo para pensar e mudar de ideia. E como eu gosto de pensar enquanto caminho pela Paulista

Em São Paulo vivi e aprendi tantas coisas que nem sei se vou me lembrar. Assim de relance me vem à mente o jeito “mano” de falar, o “meu” encaixado em toda a frase em tom de interjeição que hoje insiste em saltar da minha boca sem eu pedir. E o “às quintas ou sextas-feiras” que aqui se diz “de quinta”, “de sexta”?! “Balada”, “ponto de ônibus”, “cOmida, “magina” também foram incorporados ao meu vocabulário, antes tão brasiliense. “Embaçado” quase saiu algumas vezes, mas me recusei a deixar.

No início, me fascinava com as ruas, as roupas, até os ônibus. Devagarzinho fui me acostumando, achando tudo quase normal. Fui a uma Virada Cultural, conheci restaurantes deliciosos, a Vila Madalena e o samba rock – acreditem, do jeito que ele é aqui, só existe aqui mesmo. Fui a vários bares e, ainda assim, continuei sem beber. Ouvi Lady Gaga e rock alternativo umas trocentas vezes, involuntariamente, mas nem doeu.

Fiz amigos incríveis e queridos, fui à José Paulino comprar roupas, à 25 de Março comprar bugigangas, à Liberdade comer yakisoba, só umas duas vezes ao Mercadão Municipal – a trabalho -, uma à Sala São Paulo e nenhuma ao Museu do Futebol, ao Masp ou à Pinacoteca. Vi o último jogo do Palmeiras no antigo Palestra Itália (uma derrota de 1 x 0 para o Boca, mas valeu), ao teatro SÓ três vezes e a poucos grandes shows – todos de graça! Mas ao cinema passei a ir mais, com promoções que só existem aqui.

Reclamei do calor insuportável em fevereiro, do frio congelante em maio, das chuvas intermináveis desde dezembro. Mesmo morando ao lado do melhor forró daqui (MESMO!), passei a frequentá-lo bem menos que na minha terra. Coloquei um piercing na orelha, cortei o cabelo por 40 REAIS, passeei no Ibirapuera e voltei a pé. Comecei a conviver – bem – com DOIS cachorros dentro de casa.

Escrevi para uma revista feminina e outra infantil, depois consegui um emprego para escrever sobre política. Revi velhas amizades, dei abrigo a outras, me endividei usando o cheque especial, comprei um fogão, um ferro de passar roupa, um ventilador, uma cama de casal e um espelho. Consegui uma casa exatamente ao lado do trabalho e me livrei dos engarrafamentos tipicamente paulistanos. Entrei na academia, engordei vários quilos, não aprendi a cozinhar nada além de macarrão.

Me viciei no Twitter, depois no Facebook e comecei a assistir Friends da primeira temporada. Fui ao litoral um dia só, quando estava chovendo. Quase me apaixonei umas quatro vezes – nenhuma deu certo. E aceitei que talvez eu não sirva pra isso mesmo. Passei a dormir muito mais tarde, fiquei mais solitária por querer – fiz do meu quarto uma ilha. Chorei de saudade de casa, mas não quis voltar. Pensei em ir embora algumas vezes, mas não quis voltar. Tive outras crises, alguns momentos de euforia, outros de melancolia. Nunca aprendi a relaxar.

Mas, relembrando todos esses momentos agora, pelo menos uma certeza eu tive: durante essas 8.760 horas que fui uma paulistana forasteira, juro, fui muito feliz! Que venham outros 365 dias nessa cidade que, sim, eu amo tanto!

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5 pensamentos sobre “Eu e São Paulo – Bodas de papel!

  1. Que bom que pelo menos vc está feliz. Sua vida até que foi bastante agitada nesse último ano e, acredite, eu te entendo qd vc diz que teve saudade de casa, mas mesmo assim não quis voltar.

    Infelizmente não posso dizer o mesmo que vc em relação a São Paulo. Não é tão ruim quanto meus conterrâneos pensam, mas eu ainda a considero apenas tolerável. Amá-la, não sei se posso. Acho que podemos ter apenas uma convivência pacífica.

    Que este ano seja melhor! Bjus, Dri!

  2. Amigaaaaaaaaaa, vc conseguiu me emocionar novamente… Te admiro demais nêga, que Deus te proteja sempre! Bjão

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