Do amor à memória distante

Jovens corações têm sede de amar e acham que dão conta de tudo pelo que sentem. Enfrentam proibições, pais intrigados, mães preocupadas, barreiras sociais e de idade. Mas existe uma coisa contra a qual esses corações sonhadores não aprenderam a lutar: a distância. Por isso Romeu e Julieta quiseram fugir, por isso as pessoas se casam, por isso abrem mão de tanta coisa quando estão amando. Querem ficar perto.

Um coração apaixonado não suporta estar longe de quem o faz pulsar em alta velocidade. Sentir falta, falar ao telefone ou por mensagem é uma delícia. Mas só o verbo e a voz não são suficientes.

Ficar só imaginando, sonhando, idealizando não é amor. Amor é outra coisa. É olho no olho, frio na barriga, pelo arrepiado. É cafuné de noite, abraço apertado, cheiro de manhã. É sussurro no ouvido, cosquinha no pé, silêncio que explica tudo.

Os ideais, os planos, as vontades não sobrevivem à distância prolongada. Aos poucos o que era um gostoso sonho vira uma amarga realidade. Parece que tudo era de mentirinha, fica longe, lá no passado. É como se não existisse. O vazio é igual ou maior do que tinha ali antes, quando não tinha ninguém.

É que a distância faz o tudo virar nada. As belas palavras ficarem escassas, os assuntos se dissiparem, a esperança virar frustração, um rosto admirado se dissolver em uma vaga lembrança. Aí não há amor que aguente. Ele vai sumindo, sumindo, até ir embora e ficar lá longe, guardado junto com as poucas recordações de quando o junto era perto. E tudo vira isso: uma boa memória distante…

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