Meu ócio criativo

Fazia tempo que eu não escrevia um poema. Quando era criança e adolescente fazia isso quase todo dia. Talvez porque fosse mais quieta, calada, deprimidinha. E só sabia dizer o que sentia escrevendo.

Sempre amei escrever. Pensei em ser professora pra despertar isso em todo mundo também. Acabei sendo jornalista. E hoje escrevo por obrigação, coisas que não têm nada a ver com o coração. Não era bem isso que eu queria.

De uns dias pra cá comecei a tentar descobrir o que eu queria mesmo fazer. A música e a escrita sempre estão no topo da lista. Não quero fazer música, tocar, cantar. Mas estudar música, entender, conhecer a história, ouvir, ouvir e ouvir. Só pra mim, não preciso trabalhar com isso – mas é claro que seria perfeito se conseguisse.

A escrita estava adormecida. Minha criatividade ficou escondida, presa pelas regras e os padrões jornalísticos. Mas comecei a lembrar que o que gosto mesmo é de ser livre. Rimar quando quiser, repetir as palavras que quiser. Tudo pensado e calculado – ou não. Tudo do meu jeito.

Aí surgiu a inspiração que faltava. Uns dias pensativa e triste meio sem motivo foram suficientes pra eu abrir a torneirinha das palavras. E, neste domingo de sol e puro ócio, fui soltando um a um cada pensamento que vinha sobre o amor que não tenho, o que queria ter, o que tive, o trabalho, a vida…

Essa pequena explosão de devaneios rendeu alguns textos – em prosa e poesia – que, intercalados com músicas que tenho ouvido, começo a publicar aqui esta semana. Não são necessariamente realistas, talvez verossímeis. Não se destinam a alguém específico, mas podem ser interpretados assim talvez. Depende de quem lê. Depende de como interpreta.

Podem ser horríveis, piegas, bobinhos, mas se foram publicados é porque me fizeram bem ao saírem de dentro de mim. Como um filho que causa dor ao sair do ventre da mãe, mas provoca um sorriso dela quando o vê nascido.

Espero que gostem. Mas, se não gostarem, tudo bem também. Não sou egoísta, mas fiz tudo pra mim.

Motivo – Cecília Meirelles
(esse não é meu, mas é um inspirador)
“Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s