Amor maduro e puro…

Não concordo sempre com o que o Luis Nassif diz, mas hoje ele mandou muito bem ao postar em seu blog um poema do Drummond sobre amor maduro, que ele copiou do Facebook do João Gilberto. A música em seguida foi sugerida por um leitor do blog dele, num comentário. Como achei ambas – poesia e música – muito lindas, reproduzo aqui. Mas antes faço meu próprio comentário:

Fiquei pensando no que o Drummond fala na poesia sobre isso de que o amor é feito pra quem é maduro. Ele tem toda razão. Por que amar é muito complicado, envolve outros sentimentos controversos, confusos. Dá medo, dá raiva, às vezes, faz a gente perder a noção de muitas outras coisas e até deixa a gente triste, com certa frequência.

Agora imagina tudo isso dentro da cabecinha de um adolescente. Coitado, endoidece mesmo. Porque pra ele a vida é pra já, pra ontem. Não tem essa de tempo ao tempo, paciência. Aí quer fazer joguinhos, dar uma de difícil – ou ser fácil demais e se entregar… Por isso dizem que amor de adolescente passa logo, talvez nem seja amor. É muita euforia, muita ansiedade, muito tanta coisa junto – aí enjoa.

Imagino que a maturidade deve trazer a plena noção de que o tempo é um aliado, não inimigo. Que amor é bom quando é sem pressa, com calma, degustando cada pedacinho, como se fosse uma torta de morango. Tem que ser pra sempre, mas, se não for, tudo bem. O importante é que existiu.

Pra algumas pessoas, no entanto, a experiência traz também mágoas. Elas chegam a ficar mais ariscas, ressabiadas, morrem de medo de amar de novo. E – quer saber? – acho que isso pode ser um sinal de que elas ainda não são maduras o suficiente para o amor. Não estão prontas. Porque quem está não tem desculpa – ama sem medo porque sabe que nasceu pra isso. Essas são sábias e maduras, mas conseguem manter o brilho nos olhos que só adolescentes apaixonados costumam ter…

Amor e seu Tempo (Carlos Drummond de Andrade)

“Amor é privilégio de maduros
Estendidos na mais estreita cama,
Que se torna a mais larga e mais relvosa,
Roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
O prêmio subterrâneo e coruscante,
Leitura de relâmpago cifrado,
Que, decifrado, nada mais existe

Valendo a pena e o preço do terrestre,
Salvo o minuto de ouro no relógio
Minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
Depois de se arquivar toda a ciência
Herdada, ouvida. Amor começa tarde.”

Um Amor Puro – Djavan

O que há dentro do meu coração
Eu tenho guardado pra te dar
E todas as horas que o tempo
Tem pra me conceder
São tuas até morrer

E a tua história, eu não sei
Mas me diga só o que for bom
Um amor tão puro que ainda nem sabe
A força que tem
é teu e de mais ninguém

Te adoro em tudo, tudo, tudo
Quero mais que tudo, tudo, tudo
Te amar sem limites
Viver uma grande história

Aqui ou noutro lugar
Que pode ser feio ou bonito
Se nós estivermos juntos
Haverá um céu azul

Um amor puro
Não sabe a força que tem
Meu amor eu juro
Ser teu e de mais ninguém

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Um pensamento sobre “Amor maduro e puro…

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