Diagnóstico

(por Adriana Caitano)
– Então, doutor, é isso mesmo? Tem certeza?

– Você está com todos os sintomas. Dores no estômago, taquicardia, falta de concentração, sono agitado, um certo medo… Não há dúvidas.

– Mas, doutor, eu já tive isso uma vez, não imaginei que pudesse voltar.

– Não é como catapora, que se tem só uma vez na vida. Para uns é usual, vem uma vez por semana, em situações diferentes. Para outros é mais raro. Tem gente que nunca tem.

– E a pessoa responsável por isso tem o mesmo?

– Não necessariamente. Às vezes ela nem sabe que te passou isso, mas pode também estar exatamente como você. Não dá para saber.

– Eu devo esconder isso das outras pessoas?

– Ter adquirido isso não é crime nem pecado. Se não te incomodar, espalhe. Pode fazer bem.

– E tem cura?

– Para algumas pessoas passa no mesmo dia, outras sofrem com isso a vida inteira. Não há uma regra.

– Mas o que eu faço então?

– Você tem duas opções . Pode fingir que nada está acontecendo e ignorar os sintomas – dessa forma, tudo pode passar sem você perceber. Ou pode se entregar a isso sem medo das consequências.

– Qual é a mais prudente?

– Ambas podem te trazer sofrimento. Basta saber se está disposta a correr o risco. É interessante ouvir o que alguns especialistas têm a dizer – a maioria deles escolheu se entregar.

– Tem algum deles que eu devo seguir em especial?

– Sim, o mais sensato de todos, que um dia disse: “A vida só se dá pra quem se deu, pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu. Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão”

– É… [pausa para reflexão] Acho que vou preferir ser perdoada…

Como Dizia o Poeta – Vinícius de Moraes / Toquinho

Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Nao há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão

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