Como reconhecer um ansioso

O escritor, poeta e tudo o mais Fabrício Carpinejar (de novo ele) se diz ansioso e, em uma crônica do livro Mulher Perdigueira, resumiu o que milhares de ansiosos como eu sentem todos os dias. Como ele disse tudo, nem preciso comentar:

“Sofro por antecipação, o que me põe a ensaiar a cena para diminuir o sofrimento. Só que organizo eventos para os atos mais minúsculos, dobrando o martírio no fim das contas. Em vez de sofrer na hora, sofro um dia inteiro pensando na hora que vou sofrer. O incômodo passageiro é um desconforto permanente. Banalidades do cotidiano geram desproporcional tremedeira. No intuito de preveni-las, eu me canso em hipóteses pessimistas, desculpas furadas e boicotes.

Carrego uma postura catastrófica. Sou dramático nas amenidades, sóbrio nas tragédias. Sinto o pânico no lugar errado e no momento errado. Serei tranquilo num deslizamento, numa enchente, num incêndio. Mas perderei a lisura ao não encontrar um livro em minha biblioteca. O fóbico não é o que usa uma lupa para ampliar o tamanho das coisas, mas fixa a lente com tamanha insistência que acaba queimando o que vê com o reflexo do sol.” – Fabrício Carpinejar

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2 pensamentos sobre “Como reconhecer um ansioso

  1. Pingback: “Literatura sem renúncia é terreno baldio” – Carpinejar « Adriana Caitano

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