Amor tatuado

Observe uma pessoa apaixonada de verdade. O sorriso dela parece ter se fixado no rosto, nunca sai dali. O corpo é agitado, ansioso, quer se expressar, gritar para o mundo seu amor. E os olhos então? Eles brilham, explodem de alegria sem a necessidade de uma palavra sequer. E, quando as palavras saem, vêm como melodia, poema, têm gosto de brigadeiro, cheiro de rosas, cor de felicidade. São única e exclusivamente voltadas para o amor.

Durante dias, semanas, meses ou até anos essa pessoa pensa, respira, dorme, vive seu amor. Não tem outro assunto, outra ocupação. É exagerada sem medo. Para muitos dos que convivem com ela, parece chata. Qualquer segundo que lhe sobra da rotina endurecida e cinza que possa ter, ela dedica ao amor. E são momentos coloridos, vibrantes, inesquecíveis. E se esse amor acabar? Se ela descobrir que aquilo tudo passou como um sonho? Não importa. Ela continua amando e sabe que vive com a intensidade que só um apaixonado sabe viver.

Pode ser mesmo que o amor perca um pouco a força, se esconda ou fique completamente esquecido lá no fundo. Mas, para o apaixonado, as lembranças são o prêmio ou castigo por ter amado tanto. Pode não haver fotos ou vídeos que registrem sua paixão. Só que um dia essa pessoa, que pensava ter conseguido esquecer aquele amor, reencontra-se com ele e com tudo o que o lembra. O coração transborda novamente quando a memória resolve reativar seus arquivos sentimentais. E tudo o que estava ali esquecido, guardado para nunca mais, vai se refazendo em sons, imagens, cheiros e gostos de tudo o que ela viveu por aquele amor. Não tem remédio. Está marcado para sempre, tatuado – muitas vezes com tatuagem de verdade. E ela vive aquilo intensamente de novo, sem pensar no ontem ou no amanhã.

Em algum momento, ela descobre que a sensação de não caber dentro de si não é exclusividade sua. Quando encontra alguém que compartilha de todos aqueles sentimentos e que é capaz de fazer loucuras muito maiores pelo seu amor, sente-se pequena. Como pôde ter amado tão pouco? Como pôde ter deixado a rotina abafar o que sentia? É aí que ela se reapaixona, não só por aquele antigo alvo. Mas pelo amor dos outros. É tão lindo ver a devoção de alguém pelo que ama! E é maravilhoso ter certeza de que ninguém precisa entender o motivo da sua entrega, da sua adoração, nem ser convencido de que deve também amar.

Seu amor também não precisa te retribuir por ser tão amado. Porque o verdadeiro apaixonado sabe que o simples fato de ter vivido para sentir tudo aquilo já bastou. E, mesmo que esse amor fique no passado, morrerá feliz por um dia ter amado de verdade….

PS1: Entenda o que motivou este post no meu outro blog
PS2: Essa tatuagem não é minha, mas de uma amiga forrozeira de Brasília a quem admiro muito por todos os motivos citados acima..

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