Nem doeu… (a amiga legal)

Depois de tudo o que foi dito (que pode ser resumido em um incompreensível “você criou muitas expectativas”), fiquei um tempo querendo matá-lo, depois outro tempo querendo reencontrá-lo. Enfim, nos vimos de novo meio por acaso. Mas dessa vez as duas vontades – matar e re(vi)ver – passaram.

Eu, boa menina que sou, estava sorridente e muito legal. Sou craque nisso quando quero (às vezes, até quando não quero). Ele também foi. Não sei se por culpa ou se só pra mostrar que ignora completamente o que aconteceu, como se nada tivesse acontecido. Entrei no jogo. E aos poucos fui vendo que realmente aquilo não teria dado certo. Não tinha nada a ver.

Mas não deixou de ser chato ter que ficar ali do lado, aceitando toda aquela simpatia, sendo tão legal com ele até parecer que eu tinha superado tanto a situação a ponto de aguentar numa boa a cena dele fazendo e falando as mesmas coisas com outra, bem na minha frente. Respirei fundo, fechei meus olhos, ignorei. Fiz cara de “nem doeu”. Mas, no fundo, mesmo que eu não quisesse absolutamente nada mais, morri de raiva por ter sido tão legal.

O resultado disso é que acordei meio de mau humor, não porque queria estar com ele, mas porque me obriguei a sorrir e continuar sendo a boa menina legal que todos conhecem. Mas passa logo – o mau humor. Porque a boa menina legal, essa não vai embora tão cedo. E, sim, podemos ser amigos, só pra variar. Sou craque nisso!

Por quê? – Pensa que é a primeira vez que isso acontece? Iiii, como disse, sou craque nisso. Quantas e quantas vezes tive que engolir o orgulho e sorrir para um desses me apresentando a namorada nova, como se eu fosse mesmo uma amiga muito legal que poderia aprovar ou não a nova companheira. Por que eu deveria ser – e sou – tão legal?

Sou a amiga legal desde que me entendo por gente (leia-se quando perdi um pouco a timidez e aprendi a fazer amigos, lá pelos 15, 16 anos). As meninas que andavam comigo eram as populares, as bonitonas, as queridinhas. Eu, a menina legal. Por mais que estivesse a fim de alguém, jamais conseguia demonstrar algo além de amizade. E eles vinham com namoradas, paixões e tudo o mais. Eu era só a amiga.

Acho que nasci com o dom de ser amiga dos homens. Alguns já chegaram a me chamar de brother, pode? Odeio quando isso acontece, por mais que eu também os veja assim. Me sinto masculinizada, é horrível! (meninos, #ficadica) Também é bem chato quando acontece o contrário: eu querendo ser amiga e eles achando que estou dando mole. Desculpem, mas eu não tenho controle sobre isso. Sou amiga igual, quando estou a fim, quando não estou, quando tenho raiva, quando amo, quando não gosto. Não tenho um botãozinho de “liga/desliga demonstração de amizade”.

Por isso é que digo que sou craque nisso. Sou tão amiga legal que sou capaz de sorrir, cumprimentar a namorada nova, conversar com ela, falar umas brincadeirinhas engraçadas com ele e segurar firme aquela minha cara de “nem doeu”. Talvez seja pra isso também que servem as amigas legais como eu…

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2 pensamentos sobre “Nem doeu… (a amiga legal)

  1. São as amigas legais que movem o mundo, cara Dri.
    Pense nisso.

    (Também nunca entendi porque a gente TEM que ser a amiga legal, a receptiva, a “problema? que problema?”, a “comigo não tem clima ruim”. Acho que tem esses fundos de timidez aí no meio, a vontade de ser querida. Mas no fundo, lá no fundo, as amigas legais – elas, NÓS – fazem todo o sentido do mundo. Ser legal quebra as pernas, às vezes. Continuemos a nadar, então. :))

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