Santa – e desejada – paciência!

Se alguém me levasse a um supermercado onde todas as virtudes e qualidades estivessem em prateleiras e eu pudesse escolher uma só, eu pagaria caro, muito caro para levar aquela que viria em um pacote branco com borboletas lilás (é assim que eu a imagino*) e que no verso, no lugar dos ingredientes, estaria escrito: essência de Jesus Cristo, Madre Teresa de Calcutá, Chico Xavier, Mahatma Gandhi e aposentados brasileiros na fila do INSS. Mas ela seria rara, tipo a última figurinha do álbum da Copa (eu não tenho um, mas vale a comparação). Pois é, estou falando daquela que, para mim, é a mais incrível e impossível das virtudes: a paciência.

Eu já tentei de tudo para adquiri-la, oração, floral, chá de camomila, Maracugina, yoga (confesso que não por muito tempo), tudo. Mas a bendita parece não gostar muito de mim. Quando ligo e alguém não me atende, quando tento falar e alguém não me entende, quando alguém fala demais, quando alguém fala de menos, quando me fazem muitas perguntas, quando não me ouvem, quando me oferecem cartão de crédito (essa duvido que alguém aguente), quando uma pessoa anda devagar na minha frente, quando o sinal não abre, quando o telefone não tem sinal, quando tenho que esperar uma resposta… Ela sempre insiste em sumir bem nessas horas!

Pra muita gente essa informação é nova e reveladora. Por convenções sociais ou necessidade, eu me esforço muito pra disfarçar essa minha deficiência. Só que nem sempre funciona. Logo estou eu lá virando os olhos, suspirando, batendo os pés (peço desculpas a quem já me viu fazendo isso, não é por mal, juro). O certo é que essa “virtude de quem suporta males e incômodos sem queixumes nem revolta; qualidade de quem espera com calma o que tarda”, como diz o dicionário Michaelis, não vai com a minha cara. E se alguém souber onde vende esse pacote branco com borboletas lilás valiosíssimo, me avise, por favor! Eu pago caro pela informação também. E, só pra eu me sentir um pouco melhor depois de todo o meu desabafo, vou citar frases de dois grandes homens que, pelo visto, também não tinham muita afinidade com a virtude do pacote branco:

“Não é fácil ter paciência diante dos que têm excesso de paciência.” (Carlos Drummond de Andrade)

“Paciência: forma menor de desespero disfarçado de virtude.” (Ambrose Bierce)

Pra encerrar, melhorar o clima e, quem sabe, nos ajudar a entender, afinal, essa tal de paciência, vou de Lenine, com a música que leva o nome da dita cuja. Aproveito pra dizer que esta é também mais uma contribuição para a categoria “Música Frio na Barriga“, porque é simplesmente linda e foi feita e interpretada por um dos maiores gênios da MPB moderna. Babem e, por favor, tenham paciência!

Paciência – Lenine
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára…
Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara…
Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência…
O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência…
Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara…
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não…

*Se você chegou até aqui, é porque tem mesmo muita paciência. Bom, a observação é só pra pedir desculpas pela montagem tosca, é que eu fiz no word 😛 hehe)

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2 pensamentos sobre “Santa – e desejada – paciência!

  1. Santa paciência! Uma vez, vi um esquete do terça insana que falava justamente desta santa que é a paciência. Acho que ela érealmente artigo de luxo. Tem sido cada vez menos presente na vida de todos. Na minha, pelo menos, está raríssima. Tenho que economizá-la para não acabar heheeh
    bjbjbjbj
    ///~..~\\\

  2. Pingback: Qualquer caminho serve « Adriana Caitano

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