A todos os tipos de amor

http-www.huffpostbrasil.comadriana-caitanolagrimas-e-poesia-com-o-beijo-de-johhny-hooker-e-liniker-no-rock-in-rio_a_23212848-utm_hp_ref=br-homepagelittle one!

Seu amor não é doença, não é crime, não é pecado, não é vergonha. Seu amor é talvez mais amor que os outros, porque exige ainda mais coragem, mais força, mais paciência. Porque o mundo te julga, te aponta, te exclui, te espanca, te cospe, te esconde, só pelo seu jeito de amar.

Seu amor é lindo, porque é autêntico, porque não tem amarras, porque enfrenta tudo, o medo, o ódio, a dor. Seu amor vira assunto para os outros, vira polêmica, vira tabu, mas é da conta só do seu coração.

Eles, que maldizem esse seu forte amor, não estavam com você quando foi alvo de risadas na escola, quando se olhou no espelho se perguntando porque era diferente, quando se fechou para não enfrentar os olhares alheios.

Não estavam ao seu lado quando descobriu que não era como a maioria e se questionou tantas vezes se estava errado, infringindo alguma lei divina ou humana, quando teve que encarar a preocupação ou o desapontamento de sua família.

Eles invocam regras, textos, teorias, trechos bíblicos, pesquisas para dizer que você não é normal, que seu amor não é permitido. Mas não estão dentro de você para saber o que sentiu desde criança, o que viveu e ainda terá que viver por ser quem é.

Eles querem te condenar ao fogo, à lágrima, à morte. Mas não desanime ou se impressione. Seja tão forte quanto o amor. É só ele que importa, é só ele que vai salvar o mundo um dia, é só ele que vai prevalecer. É só o amor que aceita todo amor do mundo, o seu, o meu e até o deles. Aceite seu amor e acredite que tudo vai ficar bem. Um dia.

*Originalmente publicado em meu blog no Huffington Post Brasil

Paula e Bebeto – Milton Nascimento

Vida vida que amor brincadeira, vera
Eles amaram de qualquer maneira, vera
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor vale amar

Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor vale amar
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor valerá

Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito
Qualquer maneira que eu cante esse canto
Qualquer maneira me vale cantar

Eles se amam de qualquer maneira, vera
Eles se amam e pra vida inteira, vera
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá

Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá

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Ninguém precisa me penetrar para eu saber que fui violada

Há uns anos, eu estava no metrô de São Paulo com mala e mochila na mão. O vagão estava cheio e as pessoas, muito próximas umas das outras. De repente, comecei a sentir algo se aproximando e encostando em mim.

Primeiro, achei que fosse sem querer, por conta do balanço do trem. Mas aquilo foi crescendo e se avolumando ali na curva entre meu bumbum e o início da minha perna, do lado direito. Só de lembrar eu sinto de novo, como se fosse agora, e me sinto péssima.

Por medo, não tive coragem de fazer absolutamente nada. Não gritei, não reclamei, não bati no homem nojento que continuava ali, escondendo nas calças a ousadia de quem sabe que ficará impune. Apenas lancei um rápido e sutil olhar de raiva para ele, consegui me afastar alguns centímetros e empurrar meu corpo para a frente, quase caindo em quem estava sentado.

Fui embora, mas aquela sensação horrível ficou no meu corpo o dia inteiro. Era MEU corpo, meu espaço, meu direito de não ser tocada por quem eu não autorizei.

Essa memória veio à tona quando saiu a notícia da mulher que levou um jato de esperma no pescoço dentro de um ônibus. Naquela hora, ela não estava sozinha. Milhares de mulheres já estiveram, de alguma forma, ali. Milhares já foram alvo do prazer alheio não permitido, de um olhar faminto, de uma cantada agressiva, de um toque não consentido. Todos os dias, em todos os lugares, em qualquer horário.

A lei pode não concordar, mas ninguém precisa me penetrar para eu ter certeza de que fui violada, agredida, atacada. Existem muitas formas de me causarem “constrangimento” pelo simples fato de eu ser mulher.

O sexo masculino jamais saberá como é, por exemplo, desde o início da adolescência, ter que desviar o caminho para não passar perto de um grupo de homens. Só para não ter que ouvir frases que nos tratam como objetos, alimentos, brinquedos – “avião, boneca, delícia, gostosa, peixão”. Tudo, menos um ser humano. Pode parecer elogio, mas é assédio.

Alguns vão dizer que é “mimimi”. Não adianta discutir. Os homens nunca saberão o que é ser alvo no ônibus, no metrô, no táxi, no Uber, numa festa, com bebida, sem bebida, com roupa, sem roupa, de dia, no escuro, no trabalho, na rua, em casa.

Ser mulher é passar a vida na mira de algum homem por aí que acha ter no meio das pernas uma licença para nos dominar quando quiser, mesmo sem nossa autorização. Mas não, amigo, isso aí que você carrega não te faz melhor nem mais poderoso que eu. Meu corpo não é público, é meu e a posse dele é intransferível – não tem preço, não tem desculpa, não tem procuração.

*Texto originalmente publicado no meu blog do Huffington Post Brasil

Amor por inteiro

Não dá pra amar aos pouquinhos, a conta-gotas. Se amo é por inteiro.Sou exigente no amor. Não sei deixar pra depois, ver no que vai dar, deixar rolar. Pra mim ou é ou não é. Não dá pra amar aos pouquinhos, a conta-gotas. Se amo, é por inteiro.

Pode ser por isso que não sou amada por muito tempo. Homens têm medo de tanto tudo assim. E eu peço mais. Mais palavras, mais olhares, mais presença, mais amor. Até quando não falo nada estou pedindo exatamente tudo isso. Mesmo sem querer.

Não dá nem tempo de eles me amarem. Podem até gostar no início. Mas o problema é se eu começo a gostar. Aí meus olhos me entregam, exigem. Minha ansiedade é estampada no meu rosto. Porque, além de ser exigente, tenho pressa.

E lá se vai mais um amor. Simplesmente porque eu não tive tempo de aprender a ser menos, a ter calma, a relaxar. É isso que me pedem sempre, não é? Já sei de tudo. Mas não adianta. Não consigo me conter.

E, se ainda não consegui mudar, fazer o quê? Só me basta fechar os olhos e esperar surgir alguém que me entenda e ame como eu amo – não gota a gota, mas com a grandiosidade de um oceano. Por inteiro.

A pessoa que sou, sem máscaras

mascara_adrianacaitanoEu não gosto de usar máscaras. Na verdade, elas não me cabem. Não há uma expressão do meu rosto que eu consiga controlar, todos dizem que é fácil ler meus pensamentos apenas observando o movimento da minha face. Sou incorrigivelmente transparente.

Ariana a ferro e fogo, falo o que penso e exalo minhas angústias e vontades a qualquer canto. Não tenho a menor cautela em me expor, pelo contrário. Despir-me por completo, de dentro para fora, é como uma libertação, uma terapia. Gosto de contar meus segredos e meus medos por aí.

E nessa toada levo meus tropeços, é claro. A consequência é ser mal interpretada, tachada de ingênua, frágil e vulnerável, além de ter minhas fraquezas usadas contra mim. Ou ainda correr o risco constante de me exaltar, ser grosseira com quem está a minha volta por ter resolvido falar tudo na hora, do jeito que viesse.

Mas meu coração se rasga ao meio de vontade de mostrar suas próprias dores ao mundo, seu despudor, sua podridão, seus amores e desamores, suas alegrias. É como se, ao sair de mim, todos os meus sentimentos tomassem vida própria e depois sumissem no espaço. Sou o que sou com e sem acertos. E as máscaras não esconderiam a verdade sobre mim

Entre cobogós e tesourinhas

torre-de-tv-brasilia

Torre de TV de Brasília – Eixo Monumental (Foto: Adriana Caitano)

Lá do alto da Torre,
te vi pedalando no Parque da Cidade,
depois te encontrei no Beirute
e torci praquilo ser de verdade.

Skate no museu, por do sol na Ermida,
as quebradas de Ceilândia,
hip hop na avenida.
Num rolê em Planaltina e em Taguatinga depois.
Eu boto muita fé em nós dois.

Depois da Bomba no Guará,
te vi caminhando no Eixão,
surfando no Lago Paranoá,
indo ao Conic fazer carão.

Na SQS te vi entre cobogós, lá embaixo no pilotis.
E de baú indo pra Rodô vi a lua gigante naquele céu sem fim.
Será que você estava pensando em mim?

Na última tesourinha,
entrei na quadra errada, pra variar.
Me perdi nas Duzentos e parei numa quadra pra fotografar
Um ipê amarelo que acabou de aflorar.

Penso em você todo dia,
Alguém com quem tenho em comum
O amor por essa Brasília,
Que não se compara a lugar algum.

 

13 razões para você assistir à série ’13 Reasons Why’

A Netflix lançou no último dia 31 de março mais uma série que veio para dominar os assuntos na internet. Mas desta vez não é sobre zumbis, mistérios fantásticos, histórias futuristas ou paranormais. É sobre um assunto que está aí do seu lado, aqui do meu e a gente mal percebe: o suicídio.

Eu ainda nem tinha terminado de assistir a 13 Reasons Why (Os 13 Porquês), quando corri para escrever a respeito, porque, sim, falar sobre esse assunto é MUITO necessário e urgente. E eu sempre me preocupei com isso, até por quase ter entrado nas estatísticas.
Na série, inspirada num livro e com produção executiva da cantora e atriz Selena Gomez, Hannah é uma adolescente dos EUA vítima de problemas mais comuns do que gostaríamos: bullying e cyberbullying, sexualização das mulheres, machismo, assédio, falta de diálogo com a família, depressão. Talvez nada disso te pareça sério o bastante para a personagem fazer o que fez, mas a própria explica com detalhes como juntar esses elementos a levou à decisão fatal.
Em 7 fitas cassete, ela conta sua história aos envolvidos e cada lado de cada fita é um episódio sobre um deles. No fim de semana passado, a série chegou ao Trending Topics do Twitter com a hashtag #NãoSejaUmPorque, com pessoas refletindo sobre como a história mexeu com o estômago de todo mundo. O assunto bullying veio à tona e junto trouxe um monte de desabafos. Mas também chacoalhadas.

A Hannah não tem um “perfil clichê” para o caso. Não é gordinha, negra, deficiente ou homossexual – pessoas acostumadas (mas não conformadas) a sofrerem preconceito e bullying diariamente. É bom para mostrar que qualquer pessoa pode passar por isso (claro que guardadas as devidas proporções). Se tudo isso já não foi suficiente, veja abaixo mais 13 motivos para você parar tudo e assistir à série 13 Reasons Why agora mesmo:

1. Você vai querer saber mais sobre isso quando vir a série.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que o suicídio é um problema de saúde pública que deve ser visto como prioritário por gestores de todas as nações. Segundo estudo do órgão, a cada 40 segundos uma pessoa se mata no mundo – são 2.160 pessoas por dia. Acredite, ele mata mais que a aids e a violência! O Brasil, infelizmente, já foi considerado o oitavo país com o maior número de suicídios do planeta. E é pior entre os jovens: na última década, a taxa de brasileiros que tiram a própria vida cresceu mais de 40% entre pessoas de 15 e 29 anos. É ou não é importante prestar atenção nesse assunto?

2. Você provavelmente vai ficar se perguntando se não tem alguma Hannah ao seu lado.

Hannah era uma adolescente comum, bonita, saudável, tentando passar logo pela fase mais chata e perturbadora da vida. Mas ela sofria e ninguém levou a sério seus sinais de que algo não ia bem.

3. Pode trazer algum insight sobre as consequências do bullying na sua vida de hoje.

A história se passa numa escola de ensino médio americana (o famoso High School), com personagens bem óbvias, como a líder de torcida, o capitão do time de basquete, o garoto nerd esquisito. Tirando esses detalhes, não é tão diferente da nossa realidade aqui no Brasil. Então, inevitavelmente vai passar um filme da sua adolescência na cabeça, como quando você fez comentários maldosos sobre alguém ou foi vítima deles.

4. Se você é ou foi um (a) adolescente com problemas parecidos com os da Hannah…

Vai pensar na importância de colocar isso para fora, falar a respeito, procurar ajuda. Muito do que ela passou poderia ser resolvido pela direção da escola, quem sabe, caso ela tivesse sido atendida antes. Psicólogos, terapeutas, psiquiatras e o CVV também estão aí para isso.

5. A série é também uma crítica ao formato da educação tradicional americana…

Perfeitamente adaptável à nossa. É bom vocês que pensam o futuro do País prestarem bastante atenção na fala da Hannah, com a qual eu concordo plenamente: “Sonhe grande, eles dizem, mire alto. Depois eles nos trancam por 12 anos e dizem onde sentar, quando fazer xixi e o que pensar. Então fazemos 18 anos e, mesmo que nunca tenhamos pensado sozinhos, temos que tomar a decisão mais importante das nossas vidas”.

6.Se você trabalha com educação, aliás, vai ver o quanto não sabe de verdade sobre o que se passa na cabeça dos seus alunos.

Violência, agressividade e, principalmente, o bullying são sinais sérios demais para serem ignorados. Você nunca sabe como cada episódio pode ser encarado por alguém mais frágil e sensível; por isso, não subestime os relatos e as expressões de seus alunos.

7. Caso tenha um caso de suicídio (ou tentativa) próximo a você, vai talvez entender como os motivos daquela pessoa, por mais estranhos que possam ser, eram reais e pesados demais para ela.

Mas também vai ver que a culpa geralmente é compartilhada e muitos fatores podem ser somados na hora do sofrimento. Perdoá-la e perdoar-se será um passo muito importante.

8. Pais e mães vão pensar em como é para ontem o início de um diálogo franco e constante com seus filhos.

Vocês devem ser os que mais vão sentir um nó na garganta ao ver os episódios em que a mãe da Hannah fica tentando descobrir o porquê. A aflição dela ao procurar pistas e provar que a escola também foi responsável pelo que houve é tocante e triste, porque é como se ela só passasse a conhecer de fato a filha depois que ela morre.

9. Você provavelmente não vai se calar quando vir alguém sendo vítima de outra pessoa.

Embora eu não ache que necessariamente haja um culpado direto, a personagem acusa não só os que a maltrataram, mas também quem não tentou evitar. A melhor frase da sequência certamente é uma que está no início: “Talvez [você] tenha feito algo cruel. Ou talvez só tenha observado acontecer”. É bom assistir para analisar quantas vezes você não deu uma de Pilatos e simplesmente lavou as mãos diante da maldade alheia. Isso vai te servir para muitos momentos, como quando vir uma mulher apanhando do marido, por exemplo.

10. Você pode sentir peso na consciência.

Talvez sua reflexão seja ainda mais profunda ao perceber que você pode ser um dos motivos de uma pessoa como a Hannah, um dos “porquês”. Corre que ainda dá tempo de ir lá pedir desculpa.

11. Você pode ser uma Hannah.

Então acalme-se e pense na história dela como algo que poderia ter sido evitado. É para aprender, refletir e entender, não para te incentivar. Dá para perceber o quanto a decisão dela afetou a vida de um monte de gente? É o efeito borboleta, como ela mesmo cita. Fugir não vai fazer todo mundo te amar e perceber como você era importante para o mundo. Vai trazer lágrimas e dor, tão ou mais fortes que a que você sente agora. Tenha a certeza de que alguém te ama hoje e merece uma chance de tentar cuidar de você.
O mais importante: por mais responsabilidades que você ganha depois, é maravilhoso quando a adolescência passa. Essas cobranças para que a gente se pareça com alguém, se sinta incluído ou faça parte do grupo de populares da escola ficam pequenas diante dos outros desafios que surgem pela frente. Na verdade, você talvez nunca pare de querer se enquadrar, agradar todo mundo, mas acredito que nada será tão cruel como ser adolescente.

12. Não tem como você assistir à série e não chegar à conclusão de que essa história de “ela se matou para chamar a atenção” é besteira.

Também não é frescura, não é ser mimado, não é coisa de rico nem da geração Y. As pessoas têm depressão, síndrome de pânico e tendências suicidas não porque gostam, mas porque são problemas reais que devem ser tratados com seriedade e tratamento. Dói de verdade. Não é porque você sabe lidar tranquilamente com situações negativas que todo mundo vai saber.

13. Você pode ajudar a trazer o tema à tona.

No Brasil e em muitos outros lugares, existe um acordo não escrito que faz a imprensa nunca noticiar suicídios, para não incentivar. Isso é importante porque de fato o que a mídia diz tem alto poder de influência, principalmente para quem só estava esperando mais um motivo para se matar – ver que outra pessoa tomou coragem pode ser um deles. Mas por conta desse silêncio nós nunca falamos a respeito, não discutimos isso com a seriedade e atenção que merece. Faltam dados, registros, alertas. É como se não existisse. Aí ninguém vai se preocupar de fato com isso, apesar de ser considerado pela OMS uma “epidemia de extensão global”. Quem sabe você pode ser uma das pessoas que vai trazer o debate à tona e salvar vidas? Eu estou tentando…

*Publicado originalmente em meu blog no HuffPost Brasil, em 6 de abril de 2017.

Aceite-me como sou

Apenas eu

namorados_idososAceite-me como sou
Doida ou sã
Puta ou santa
Alegre ou sofrida
Otimista ou descrente
Aberta ou reprimida

Deseje meu corpo
Firme ou flácido
Reto ou curvilíneo
Celulítico, paralítico, raquítico
Sóbrio, pálido ou bronzeado
Dobradiço, roliço, desenfreado

Ame meus defeitos, meus peitos, meu humor
Meu desespero e meu despudor
Veja luz em meu olhar e acolha minha dor
Abrace minha essência e terá o meu amor

Fiz um vídeo recitando essa poesia, a propósito:

Coração sem barreiras

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Invejo as pessoas que amam sem medo, que se jogam, que, mesmo depois de uma rasteira, levantam de queixo erguido e não desistem de amar. Como é bonito ver o amor crescendo em um coração sem barreiras…
O amor é uma coisa tão linda, era pra ser leve e intenso sempre. Mas nem todo mundo está disposto de verdade a tentar, a juntar a bagagem com a do outro, a pagar o preço.

Amar traz um monte de efeitos colaterais. Às vezes dor, às vezes taquicardia, às vezes moleza no corpo, às vezes insônia. E amar dá medo, muito medo.

A gente pensa em todas as possibilidades de dar errado, de ser abandonado, traído, ignorado. E mal lembra que há também a possibilidade de dar tudo certo, de ser intenso e tranquilo ao mesmo tempo, de não doer tanto assim, de ser pra sempre ou de não ser e mesmo assim ser bom enquanto durar.

É por isso que invejo quem se abre pra isso tudo. É inspirador. Faz a gente acreditar que é possível, que a questão não é não ter medo, é amar com medo mesmo, só pra sentir o gosto do amor, pelo menos uma vez.

Quem me faz feliz

felizDurante muito tempo busquei um amor, um relacionamento para preencher um vazio que sentia no peito. Achava que ser amada por alguém que não fosse da minha família era a chave para eu ter certeza de que tinha valor. Condicionei por anos minha felicidade ao surgimento de um homem que chegaria resolvendo todos os meus problemas: da autoestima à companhia pra ir ao cinema. Até lá, aguardaria infeliz e sozinha o resgate. Depositei responsabilidade demais nas costas de um desconhecido que não sabia nem se e quando chegaria.

Mas a maturidade me ensinou que seria justamente o contrário. Continue lendo