O cheiro de Florença

imageFlorença é um daqueles lugares em que caminhar sem destino pode render muitos suspiros – não só pela beleza das pessoas, mas pela grandiosidade das construções. É tudo tão antigo e interessante que dá vontade de fotografar cada pedacinho. E é muito gostoso se perder aqui, porque sempre há um caminho que te levará a uma nova surpresa ou aonde você queria mesmo ir.
Nos três dias ao todo em que aqui fiquei, vi muita chuva e muito sol. E, assim como no Brasil, sempre tem um vendedor a postos pra te vender uma sombrinha ou um óculos na hora certa (eles são africanos, o que não era muito comum ver na Alemanha). Um dia chuvoso deprime um pouco os moradores da cidade, dá pra ver o mal humor. Mas, como há milhares de turistas por todo canto, eles meio que se obrigam a trabalhar.
Sob o sol, Florença é encantadora! E foi num dia assim, por sorte, que chorei duas vezes de emoção. Contrariando novamente os “roteiristas” de plantão, peguei o mapa (distribuído na estação de trem de graça, muito bom) e fui caminhando pra qualquer lado rumo ao rio Arno. Me senti em um filme do Woody Allen quando ouvi ao fundo uma clássica canção italiana enquanto chegava à ponte S. Trinita. Eram dois rapazes vestidos a caráter aproveitando o ensaio ao ar livre para ganhar um trocado. Tinha espaço pra sentar e ficar assistindo e ali fiquei. Aquelas músicas, aquele sol, aquela ponte… Foi me dando uma alegria tão grande que as lágrimas foram inevitáveis.
Resolvi continuar a caminhada e escolhi procurar uma igreja qualquer. No caminho, vi um monte de gente sentado no chão de uma praça com um monumento atrás. Gostei do ambiente, fui ver o que era e entrei (o ingresso era 10 euros, mas não paguei porque descobri a tempo que jornalistas entram de graça em muitos lugares por aqui; de qualquer forma, aqui também tem um cartão para turistas para a entrada na maioria dos museus). Achei que fosse só um museu chatinho, mas era o Pallazzo Pitti.  Foi a melhor coisa que eu fiz. A fachada escondia uma sequência extraordinária de palacetes e jardins.
Homens, não tragam suas namoradas aqui à toa. Vocês vão querer dizer que as amam mesmo se isso não for verdade o tempo todo – esse lugar cheira a romantismo! Vi muita gente sentada quase em oração por estar ali e à medida que se sobe vai ficando melhor.
 A questão aqui não é só o que o homem fez ou o que encontrou pronto, mas a forma divina com que se pode aproveitar o que Deus nos deu pra fazer algo maravilhoso. E enquanto pensava nisso, meus olhos marejaram mais uma vez. Fui invadida por uma sensação de pleno agradecimento misturado com a vontade imensa de ter aqui comigo as pessoas que mais amo. Não consigo conter as lágrimas e nem quero, elas jorram! E é também tão gostoso senti-las secando com o mesmo vento que chacoalha as árvores… Sentada na grama, fiquei esperando a emoção passar naturalmente e sem pressa.
***
Andei muito, só usei ônibus do aeroporto até o hotel. Melhor assim, pra ver tudo mais de pertinho e deixar-se surpreender. Florença tem barulho de sino de igreja, de buzina, de chuva, de ambulância passando (não entendi por que, mas elas passam aos montes e são muito barulhentas). Tem cheiro de arte, cor de terra, cara de mistério. Artistas pintando na rua, lojas com roupa barata ou uma rua inteira pra marcas famosas como Prada, Gucci e Armani (Via Tornabuoni, fica a dica pra quem tem dinheiro). E uma noite agitada, com centenas de jovens estudantes enchendo a cara de madrugada no point da cidade: a escadaria da Basílica de Santa Croche (no mínimo curioso).
 Tive a sorte de jantar e sair com amigas brasileiras que moram aqui e com italianos conhecidos delas. Ouvi-los conversando é muito bom, uma  língua interessante e relativamente fácil. Só é estranho ser parada no meio da rua por um italiano ou até um turco tentando improvisar um inglês que se oferece pra te levar a seu destino – não é por dinheiro, não te roubam nem pedem nada, é mais um galanteio atiradinho…
imageNo último dia, prestes a pegar o trem,  fui à Piazzale Michelangelo, uma boa caminhada para o outro lado do rio Arno e ladeira acima. Mas foi o melhor Dia pra fazer isso. A visão total de Florença é incrível e dá pra identificar direitinho os lugares já visitados – e daqui a cidade parece ser muito maior, agora vi o quanto caminhei! Aqui em cima tem uma réplica meio feinha do David, que aliás é o símbolo da cidade. O original está na Galleria dell’Academia, mas tinha que ficar mais de uma hora na fila esperando pra entrar e desisti. Tem uma outra réplica bem bonita na Piazza della Signoria, que é interessantíssima – e não tem que pagar nada nem pegar fila… As partes íntimas do David estão expostas em todas as banquinhas de souvenirs também, em cuecas e aventais principalmente…
Minha hospedagem, apesar de meio carinha, valeu a pena. No Ostello Archi Rossi, o café da manhã, já incluído, é muito variado (tem até macarronada!) e gostosinho. As dependências são incríveis, com arte pra todo lado, decoração bem italiana (e, portanto, meio exagerada) e espaço verde. A subida para os quartos é meio estranha, mas eles são muito grandes e arrumados, assim como os banheiros. Fiquei num quarto para 6 mulheres e foi bem tranquilo – além do banheiro, tem uma pia, dois espelhos, um computador e armários grandes pra cada uma. O ponto negativo é o atendimento – o pessoal da recepção não fala inglês direito e a comunicação não é das mais simples. Mas no todo o custo benefício, pelo menos comparando com o preço dos outros na mesma cidade, é bem bom.
A parte mais importante: a comida. Molho de tomate com gosto de muito tomate, vinho mais barato que Coca-cola, panini (um pão salgadinho com diversos recheios), brusquetas caprichadas, tiramissú e muito, muito gelato – eles são mesmo tudo aquilo que dizem! Depois de tanta comilança e andança, acabei levando de Florença uma chatíssima dor de barriga (desculpe falar disso, mas é um bom retrato do quanto enfiei o pé na jaca por aqui)! Mas não me arrependo de nada!image

Meus dias em Berlim

imagePassei três dias e quatro noites em Berlim, mas sinceramente tenho a sensação de que fiquei aqui por muitas semanas. Cheguei perdida, com medo de tudo. Mas, com a ajuda de um amigo brasileiro que encontrei no começo e do mapa que me entregaram no hostel, estou indo tranquila, aprendi a andar por todos os lados, usar bem o metrô, me comunicar com as pessoas… Amei tudo por aqui e fui fazendo anotações a cada passo que dava.
Tanta coisa me chamou a atenção! As construções monumentais, a diferença nítida que ainda existe entre os dois lados, a quantidade de carros antigos nas ruas, de turcos e asiáticos (eles e seus restaurantes estão por toda parte, é inacreditável!), a sujeira de algumas ruas e o brilho de outras, o mendigo que pediu dinheiro mais bem vestido que eu, a comidinha sem graça e sem tempero, a arte de rua, e claro, as deliciosas tardes primaveris.
Berlim é uma cidade plana, como Brasília, o que facilita a visão mais ampla sobre a capital. Os rios que a atravessam dão um requinte extra à deliciosa sensação de simplesmente caminhar aqui e é isso que eu tenho feito – e muito. Atrevendo-me a dar dicas: se você é um amante de museus, venha com tempo. São muitos e enormes, sobre todo tipo de coisa que puder imaginar. História egípcia, grega, romana, judia – até alemã. Dá pra comprar um ticket único pra usar em quase todos eles por 3 dias, por 24 euros. Se você for mesmo visitá-los, vale a pena. Pra mim não valeu muito.
Depois do terceiro museu desisti de perder tempo em lugares fechados e percebi que Berlim existe pra ser admirada à luz do dia. Antes de viajar, quando me perguntaram que tipo de coisa eu queria fazer nos lugares pra onde ia, respondia “por mim, sento numa praça e vejo a vida da cidade passar”. Eu ainda teimei, mas depois de quatro dias de viagem tenho ainda mais certeza de que essa é a coisa certa a se fazer (pelo menos pra mim – e é preciso saber que cada viajante tem um perfil).
imageNo exato momento em que escrevo parte deste texto, estou sentada na grama de uma linda praça da Ilha dos Museus. À minha esquerda tem uma fonte (onde vi mais cedo um animado grupo de jovens alemães se refrescando só de cuecas), à direita um museu gigantesco que preferi não encarar e atrás uma igreja monumental. Tirei fotos de tudo, mas nenhuma imagem registrada nessa maquininha pode traduzir exatamente a delícia que é estar aqui, vendo a vida passar… O som do sino da igreja, uma musiquinha típica no fundo, pessoas de todos os lugares do mundo falando em suas próprias línguas. Como traduzir essa cena em palavras ou fotografias?
Outro detalhe muito importante: alemães são pessoas incríveis! Não conheci sequer um mal humorado ou mal educado. Mesmo que muitos não falem inglês e não tenham se acostumado ainda com turistas, todos se esforçam pra nos entender e ensinar o caminho ainda que com mímicas. Na boate que fui na última noite, o recepcionista até brincou com essa fama do povo daqui. “Sou alemão, tenha medo de mim!”, gritou para um turista, de brincadeira, claro. Não vi ninguém aborrecido com o fato de eu não falar a impossível língua deles e isso me deu mais vontade de aprender.
A língua, aliás, é um caso à parte – eu treinei inglês e espanhol e consegui fazer amigos falando as duas. Isso me parecia impossível porque não treinei nenhuma depois das aulas que tive e acabei há anos. Tem sido muito engraçado sonhar e pensar sem ser em português e ter que ficar mudando a chavinha toda hora…
Bom, se minha viagem tivesse acabado aqui, já teria valido muito a pena. Mas na verdade ainda tenho 17 dias de descobertas pela frente… E isso é maravilhoso! Como eles dizem por aqui, “Danke, Berlin!” (Obrigada!!).
*minhas indicações:
Hostel Wombats – Ótimo atendimento, ótimo quarto, ótimo banheiro, ótimo preço, ótima localização, ótimo jeito de conhecer gente nova – e pouquíssimos brasileiro, pelo menos que eu tenha visto
Alexanderplatz – Uma torre gigantesca e linda que dá pra ver de toda a parte central da cidade
Praça da Ilha dos Museus – sentar-se na grama numa tarde ensolarada perto do chafariz pode ser melhor que entrar em todos os museus enormes que há por ali

Descobrindo…

Não se assustem, este é o relato de alguém que viaja pra fora do país pela primeira vez, então tudo é novo e as observações são meio bobas…

- Berlim

Dia 1 – 6/05 – Provavelmente, quando eu voltar de viagem e me perguntarem do que menos gostei, já tenho a resposta: a ida. Assim como detesto viagens longas de ônibus pelo Brasil, passar 12 horas num avião não foi nada agradável. Ainda dei a sorte de ficar no banco do fundo que não podia inclinar ( Nota mental: lembrar de ficar rica pra, na próxima vez, ir na primeira classe e não morrer de inveja de quem vai deitado o tempo todo). Mas o sofrimento maior passou e pude finalmente começar a viver minha aventura europeia…
O primeiro grande frio na barriga veio quando eu fui mostrar meu passaporte ao agente da imigração. Estava munida de dezenas de documentos que ele poderia pedir e treinei todas as possíveis explicações. Mas foi bem mais rápido e bem menos doloroso que pensei. “Você fala inglês? Está viajando sozinha? Volta quando? Aonde mais vai?” – quatro perguntinhas respondidas com meio inglês macarrônico me valeram um belo carimbo no passaporte, o primeiro da vida! Tudo bem que ele carimbou o passaporte das loirinhas brasileiras que estavam na minha frente sem perguntar nada, só porque eram loirinhas, mas ainda assim acho que saí no lucro…
Um parêntesis importante: Ainda no aeroporto de Frankfurt, uma coisa me chamou atenção: como há indianos e árabes aqui! Rosto, sotaque e cabelo típicos de países distantes, dirigindo ônibus, indicando saídas e entradas e, ok, muitos viajando também.
Voltando pra minha odisseia, chegar a Berlim. Eu tinha comprado a passagem pra lá pela internet, mas me arrependi. Descobri que meu trem não partia da estação do aeroporto e, como o avião demorou um pouquinho a chegar, não ia dar tempo de chegar à certa de ônibus. Resultado: depois de penar para entender o que a atendente  alemã me dizia, tive que desembolsar 12 euros a mais para facilitar minha viagem e pegar o trem a tempo…
Ele chegou, eu entrei na primeira porta que vi e estava errada – aquela era a primeira classe e eu, claro, deveria estar na segunda. Quem me salvou foram duas sorridentes senhorinhas alemãs que também tinham entrado errado e falaram comigo em inglês! Isso ajudou a desfazer o mito de que alemães são frios, não falam inglês e não se esforçam pra ajudar. Tudo mentira! Com muito esforço de todos, eu cheguei ao hostel direitinho e ainda deu tempo de fazer um pequeno passeio pela cidade, já à noite…
 
( depois deste relato, decidi que não dá muito certo escrever um post por dia e um texto por um dia. Este mesmo está atrasado, já que cheguei aqui dia 6. Então comecei a fazer pequenos apontamentos durante a viagem, que publicarei ao fim do trecho Berlim…)

É que me deu vontade…

saltarNão costumo me arrepender do que faço – só do que digo. Para fazer, penso muito. Para falar, penso depois. O arrependimento massacra demais os corações libertários. O peso de um não dever que torna tudo mais chato e sem cor. A angústia de voltar atrás, de reviver, redesenhar – sem poder. Dói.

Por isso, tento não me arrepender. Se fiz, tá feito. Mas o problema é fazer. Todas as variáveis e variantes, todas as luas e os ângulos da luz, todos os poréns e “ses” milimetricamente calculados antes de qualquer passo. Um esforço supremo para não viver, é o que faço.

Carrego esse orgulho de achar bom demais o que passou. De saber – tempos depois – que nada foi em vão. Algo insubstituível e necessário veio dali. Pode mesmo acontecer tempos depois, mas é verdade. Se fiz, tinha que ter feito. E pronto.

Mas dizer que faço o que me dá vontade, não digo. Na vontade não cabe o controle – ariana que sou, ele tem que existir. A vontade dá asas, liberta, afronta, desafia, desafora. Ela é danada para fugir. E pode ir parar em lugares que o arrependimento alcança. Melhor não arriscar.

Só que às vezes me dá uma vontade…

Contradição

rostinhoNunca guardo rancores
Não odeio ninguém.
Não sobrevivo a amores
Mas a solidão não me convém.

 

Explodo com um olhar
Me apego como uma garça.
Te esqueço se não me amar
Mas amo o mundo de graça.

Me falta paciência
Me sobra preocupação.
Mas viver é uma ciência
da qual não quero abrir mão.

Bendita Eva!

maçãHoje eu estou naqueles dias em que dá raiva de ser mulher. Amo fazer parte do sexo feminino na maior parte do tempo, mas todo mês a natureza insiste em me lembrar que a bendita Eva comeu a bendita maçã que a bendita serpente ofereceu e desgraçou de vez a vida de todas as mulheres do universo para todo o sempre. Tudo bem, eu nem acredito nessa história, mas ela quase faz sentido quando a gente vê que ser formada de estrogênio e progesterona e pagar caro por isso só pode ser castigo.

Fico pensando se tivesse sido o contrário e o Adão não tivesse resistido à tentação da maçã vermelha e proibida. Faz muito mais sentido ainda, não? Afinal, é muito mais típico dos homens atender aos próprios instintos a qualquer hora sem pensar nas consequências. Se fossem mais rápidos naquela única vez em que eles deveriam ter pensado exclusivamente neles, na vontade e no prazer momentâneo deles – como fazem normalmente -, a história da humanidade seria bem outra.

Imagino homens faltando ao trabalho por uma semana inteira por estarem literalmente morrendo de cólica, filas nos hospitais para pedir uma injeção de Atroveran e Buscopan na veia peloamordedeus!, cientistas ganhando o Nobel ao descobrirem a fórmula mágica que evita a dor no período menstrual e acaba com a TPM. Aliás, os representantes masculinos da humanidade certamente teriam direito a folga nos dias que antecedem o fatídico momento, só para não correr o risco de matar o chefe. E na gravidez – claro, porque eles iam ter que se virar para colocar os bebês no mundo, pacote completo – não seriam apenas seis meses de licença, mas um ano. Quem disse que eles conseguiriam trabalhar, cuidar do filho, lavar roupa, cozinhar e suportar as dores pós-parto?

Ah, Eva! Quanta felicidade você traria ao mundo se deixasse o Adão fazer a parte que lhe cabia naquele latifúndio chamado Paraíso! Aquela maçã foi colocada lá para ele morder. E todos os nossos problemas estariam resolvidos. Eu estaria agora morrendo de rir de um homem chorando de tanta cólica, e ainda diria que é frescura.

Infinito enquanto (não) durar…

tatuagem-infinito-19*Ando pensando em fazer uma tatuagem. Mas tenho medo. Não medo da dor, de ficar feia, de me arrepender, de viciar e querer mais ou de minha pele ficar pelancuda e manchada daqui a 50 anos. Meu medo tem a ver com um traço muito específico da minha personalidade: por mais linda e discreta que seja, existe 99,9% de chance de um belo dia eu enjoar da bendita tatoo.

Sou assim desde criança. Ganhava uma boneca que me emocionava ao abrir o pacote, mas meses depois, dias até, ela era esquecida num canto qualquer da casa. Começava aulas de piano, balé, voleibol e o fim era sempre o mesmo. Perdia a graça rapidinho e logo queria fazer outra coisa.

Antes da tatuagem, meu maior medo era eu nem terminar um curso universitário. Mesmo entrando na faculdade fascinada, de sorriso aberto e cheia de sonhos, algo me dizia que aquela empolgação não duraria muito. De qualquer forma, a profissão havia sido milimetricamente escolhida, com a menor margem de erro possível. Não ter rotina era o que mais me atraía nessa vida maluca de jornalista – talvez seja o que ainda me segura nela, apesar de crises pontuais e do nível de fascinação estar cada vez menor.

Com os rapazes não tive muita chance de testar meu deadline. No geral, ou eles se afastaram antes que desse tempo de enjoar ou a vida mesmo se encarregou de levá-los pra longe a tempo. Por isso mesmo, não sei ainda se meu defeito de fábrica vai me permitir manter alguém na vida “pra sempre e com final feliz”. Enquanto não aparece a oportunidade de ver se essa coisa de enjoar serve mesmo pra tudo, talvez a tatuagem seja um primeiro passo importante pra eu aprender a me apegar a algo infinito…
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* Minha tatuagem, quando for feita, não necessariamente será essa aí. a imagem foi escolhida de acordo com o texto apenas…

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