Contradições em hífens

sim-naoNão tem essa de

é-tem-que-ser, sorrir-toda-hora, igual-sempre-igual, sempre-pra-sempre

A vida é mesmo um intenso

sai-não-sai, vai-não-vai, fica-não-fica, morde-assopra, deixa-que-deixa

Às vezes, ela gosta de mostrar que

o-bem-me-quer-mal-me-quer, o-bom-pode-não-ser, o-ruim-é-pra-aprender, o-bem-pode-vencer

Mas o que ela quer de nós mesmo é pra valer

um-cai-levanta, um-sobe-desce, um-chora-sorri, um-agora-é-a-hora, um-sacode-a-poeira

Ela é assim, essa contradição toda. S-I-M-P-L-E-S-M-E-N-T-E.

Eu já pensei em me matar – hoje só penso em viver

pensativoO título, que é verdadeiro, é de propósito. A intenção era que você lesse mesmo, porque é importante. Desde que comecei a ver a vida com outros olhos, tenho falado muito de alegria, de mudar o mundo, de realizar sonhos (e vou continuar). Mas hoje quero voltar a um assunto sobre o qual eu falei durante muito tempo: a tristeza. Basta ver o arquivo deste blog. Ele começou quase que por causa disso. Eu relatava muitos momentos de depressão que tive, mas nunca disse publicamente que já pensei em morrer, em diversos momentos. Calma, este texto não é pra dizer que voltei a ser assim. Mas poderá ser forte. Ele está surgindo quase do meu estômago e pedindo para ser escrito agora, durante a madrugada, do tamanho que vier, para tentar ajudar algumas pessoas que acabo de conhecer. Me julguem o quanto quiserem, mas acho que minha história poderá ser útil para ao menos uma pessoa… Já terá valido a pena.

Eu estava aqui planejando uma aula que darei sobre suicídio neste fim de semana. E pesquisando na internet cheguei a dois lados curiosos da moeda. De um, alguém que resolveu unir pessoas que pensam em se matar em uma comunidade, um blog, um bate-papo sob o slogan “suicídio, tristeza e depressão tratados com seriedade”. O nome assusta: “Quero Morrer”. Mas a pessoa foi muito esperta em escolher esse título justamente porque atrai o público certo. Fui ler do que se tratava e gostei.

O cara ou a cara (que não se identifica) fala sobre o problema de forma dura, mas mostrando claramente aos possíveis suicidas a realidade desse sentimento, as causas e os efeitos. Ele cita a ciência, com depoimentos e alertas de médicos e especialistas renomados, e fala de religião, com depoimentos, por exemplo, de pessoas que se mataram e relataram, pela psicografia, o mundo cruel e doloroso que encontraram após a morte (mas que depois se recuperaram e ficaram bem).

O outro lado, sim, me entristeceu. Dezenas de grupos no Facebook destinados a compartilhar pensamentos suicidas – e estimulá-los. Meninas e meninos com perfis e vidas aparentemente comuns e felizes participando de grupos sombrios e mórbidos. E outros que levam essa morbidez para suas roupas, músicas, expressões faciais, fotografias de auto-mutilação.

Uma coisa em comum: todos contam o quanto são tristes, o quanto choram escondidos, o quanto se sentem esquecidos, abandonados, preteridos. Eles relatam a dor da indiferença, da traição, da sensação da não-existência. E aplaudem quando um diz que está perto de “criar coragem” para fazer o derradeiro corte. E logo abaixo uma multidão de pessoas insensíveis e igualmente sofridas despejam-lhes críticas, piadas, ofensas.

Não quero defender os suicidas, não acho que alguém, nem mesmo eles, seja simples e puramente vítima da sociedade, da vida ou de quem quer que seja. Mas é que fui um deles. Devo dizer que não só nesta vida, quando pensei em dizer adeus mais cedo na adolescência e até na vida adulta. Eu já soube, vi e senti que fiz isso de verdade em outras existências. Bem, sou espírita e digo com certeza mais que absoluta que só estou hoje aqui, escrevendo este texto e vivendo uma vida de verdade, por isso.

O Espiritismo me provou tantas e tantas vezes que morrer não é o fim. E que a pessoa que pensa assim e resolve dar cabo da própria vida encontra muito mais dor e sofrimento minutos depois. E se frustra muito. Vi que fugir do meu drama pessoal não ia adiantar nada, pelo contrário, eu ia carregar mais problemas por mais tempo. E essa certeza muitas vezes me irritou também, confesso, principalmente quando me imaginei acelerando o carro de olhos fechados para ver o que acontecia. Ah se tudo se resolvesse assim, num piscar de olhos… Mas não é assim.

Sei que eles ainda deixam lágrimas, culpa e dor entre os seus. Mas também não gosto que chamem os suicidas de egoístas sem saber o que houve nem que resumam tudo ao “pecado” e à afronta a Deus. Isso sim é covardia. É como aqueles meninos dizem no Facebook: “alguém está dentro de mim para saber o que sinto?”. E é por isso que quis escrever este texto: pra dizer que sim, eu sei o que vocês sentem. Quando tudo parece sombrio, perdido, sem chão, sem luz, sem túnel, sem nada, não pensamos em outra solução senão essa.

Mas eu também quero lhes dizer sem hipocrisia, sem querer doutrinar ninguém: sim, existe outra solução. E nada, nada justifica a decisão de brincar de Deus, ainda que não acredite nele. Usar o discurso de “a vida é minha” também não vale. Porque ele pode ser usado contra também: se a vida é sua, você tem poder para fazê-la melhorar e caminhar como você gostaria.

Olha, o mundo todo pode dizer que tudo está perdido, que só há tristeza e dor, que o país está à beira de um colapso, que não há esperança. Mas sabe quem é o grande responsável por mudar tudo isso? Vocês! Apesar de ninguém ter lhes dito, vocês são capazes de verdade de mudar a realidade que está à volta. Nasceram para isso! Nós nascemos para isso. Ou você acha mesmo que sua existência seja totalmente fruto do acaso, que você é só uma poeirinha insignificante do tal sistema malvado que quer nos engolir? Quem te disse isso estava mentindo. Era alguém medroso e, esse sim, egoísta, que não brilha nem quer ver os outros brilhando.

Sabe quando minhas ideias começaram a mudar? Quando descobri o quanto poderia ajudar as pessoas com o que tenho aqui dentro. Eu sou jornalista e achava que era lá nas redações que faria isso. Mas aí descobri que eu acabava sendo responsável por propagar ideias negativas e generalistas sobre violência, pobreza e corrupção que não ajudam em nada. Muita coisa desnecessária é explorada até o fim, enquanto muita coisa que precisa ser dita não é. Suicídio, por exemplo, é um assunto proibido de ser noticiado em toda a imprensa brasileira, sabia? A não ser quando se trata de alguém famoso.

Mas o debate para por aí. Não se discutem políticas públicas, formas de auxílio e, principalmente, o motivo dessas mortes porque acham que, falando disso, estarão estimulando novos casos. Pode até ser. Mas será que não há outro jeito? O CVV (Como Vai Você – http://www.cvv.org.br/) é um órgão incrível que consegue salvar tantas pessoas que ligam para lá (no 141) na hora do desespero pedindo ajuda e pouca gente conhece ou divulga. As estatísticas estão escondidas, como se não existissem.

Mas eu sei que vocês existem. Estão sofrendo por um amor que se foi ou que nunca existiu. E, sem querer dar bronca, por favor, devo lhes dizer: dane-se! Não é porque alguém não te quis que você precisa deixar de confiar no resto da humanidade. Eu sei que você vai negar, mas nem todas as pessoas são falsas, traidoras, abandonadoras e mentirosas. O bem existe, as pessoas que amam de verdade existem, as pessoas confiáveis existem. Elas só são mais discretas. Martin Luther King um dia disse: “O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons”. Por isso não vou me calar.

Também não vou fazer aquilo de “olha a vida linda que você tem, seu mal agradecido”, que sei que irrita. Apenas peço que você comece a ver o que pode fazer para melhorar a situação a sua volta. Sua mãe não te ama? Ensine você a ela o que é amar. Uma pessoa te traiu? Deixe-a ir e vá buscar qualidades em você para que outra pessoa e, principalmente, você mesmo, possa te admirar e amar. Errou, fez besteira? Peça desculpas e siga em frente, recomece, mesmo que não te perdoem. A sua parte você fez. Se arrependa e aprenda com o erro. É para isso que ele serve.

Você é capaz de fazer a diferença. Está tudo aí, dentro de você. Eu juro! E – ainda mais ao ver esses depoimentos de vocês – eu me encho de vontade de viver, de deixar de lado meus próprios dramas, que na verdade são tão pequenos quando olho direito, e de lutar sempre para que pessoas como vocês, como eu fui um dia, voltem a acreditar nos sonhos e os realizem, sem olhar para trás, sem ouvir as queixas, as críticas alheias e as suas próprias cobranças. É possível, acredite!

E ver que são tão jovens, tão lindos, tão sorridentes, me trouxe outro pensamento. Um texto que vi nesse grupo diz que “suicidas carregam sempre um belo sorriso”. Você aí, que não tem pensamentos suicidas e acha tudo uma bobeira, já parou para observar o olhar de seu filho, seu amigo, seu colega, seu vizinho? Você sabe mesmo o que se passa no coração e nos pensamentos dele? Não é só nas drogas que eles podem buscar a fuga. Tome cuidado porque esses meninos podem ter razão. Um sorriso amarelo não conta tudo sobre a – falta de – alegria de alguém. Antes ainda, pode ser um sintoma escancarado de falta de amor, um pedido de socorro.

Escolho tudo

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Queria sempre saber o que dizer. Queria não me sentir tão mal quando digo não. Queria fazer as pessoas me entenderem. Queria mostrar pra todo mundo o lado belo da vida. Queria fazer as pessoas chorarem de alegria. Queria ser um bom exemplo. Queria ajudar a todos que são infelizes. Queria não me preocupar tanto. Queria não sofrer pelos problemas dos outros. Queria conduzir todo mundo rumo aos próprios sonhos. Queria saber mais sobre filosofia, psicologia, educação. Queria escrever mais e melhor. Queria inspirar alguém. Queria provocar sorrisos. Queria ser artista. Quero mudar o mundo.

O problema que eu escolhi ter

(Este post é longo, mas importante. Então tenta ler até o fim, por favor!)

Pra ler ouvindo:
O Mundo – Capital Inicial

“Já cansei de propostas de dar respostas e ter que dar certo
(…) Se eu for ligar para o que é que vão falar não faço nada”

E

Agora Só Falta Você – Rita Lee

“Um belo dia resolvi mudar e fazer tudo que eu queria fazer…”

Borboleta voando 01

Abandonar, mudar, sair, deixar, interromper, romper, largar, ousar. Nada disso é fácil. Faz parte das coisas que atraem cenhos franzidos, olhares desconfiados, baldes de água fria. Pra que variar se você pode continuar sendo o mesmo? A mesma pessoa, na mesma casa, no mesmo trabalho, na mesma rotina… Ser o mesmo é mais tranquilo, dá menos trabalho, dá menos medo…

Só que eu nunca gostei muito dessa história do mesmo – ele me assusta até no elevador, naquelas mensagens que dizem pra não entrar quando ele está ali. Sério, dá medo. Sempre tive mais medo do “mesmo” que do novo. E por isso passo a vida mudando. Não necessariamente de casa ou de ideal, mas de opinião, de ponto de referência, de zona de conforto. E qual é o problema?

Sou uma pessoa inquieta. E, depois de anos achando que eu tinha déficit de atenção e que precisava de remédios, descobri, finalmente, que essa é a minha maior qualidade. Nada contra quem prefere ficar coladinho com o mesmo. Mas é tão libertador conseguir mudar! E pra mim não rolava mais. Resolvi assumir minha identidade, ser eu mesma – (ops, o sentido aqui é outro, hein?).

E daí?, você pergunta. E daí que acabo de tomar uma das decisões mais malucas e libertadoras da minha vida até aqui. Eu, repórter de Política de um jornal importante, com uma longa carreira pela frente, finalista de prêmio e cheia de coisas pra aprender na profissão, decidi que não quero isso pra mim, ao menos por enquanto. A ideia de fazer o mesmo pra sempre me aterrorizou de novo. E aí pedi demissão! Sem ter uma outra opção de “mesmo” pra me apoiar de imediato.

Exagerada, sim. Sonhadora, sim. Radical, sim. Lunática, sim. Louca, sim. Estou completamente maluca pela vida que me espera. Cansei de ficar reclamando, choramingando, criticando. E vocês, que já me viram fazer isso milhares de vezes, precisam saber: isso faz parte do meu passado. Aprendi que a única que me impedia de ser realmente feliz era eu. E aí, chega, né? Eu decido ser feliz!

Por isso estou de partida para uma nova vida. Não vou precisar necessariamente viajar, mudar de país, dar a volta ao mundo pra isso. Vou simplesmente viajar pra dentro de mim, buscar recursos na fonte original. Vou me descobrir, vou estudar, vou colocar em prática projetos engavetados, vou escrever, vou dar uma pausa pra ver a política do outro lado, vou aprender coisas novas. E, principalmente, vou apostar todas as minhas fichas naquilo que é meu propósito de vida (o que descobri recentemente como quem descobre uma mina de petróleo no quintal, foi lindo!): ajudar as pessoas.

Aos amigos, curiosos, cautelosos, preocupados, conservadores: não encanem. Não vou morrer de fome, eu sei me virar muito bem! Quantas vezes tomei decisões que pareciam arriscadas e que, no fim, deram certo? Porque eu acredito que tudo, absolutamente tudo que me aconteceu ou eu fiz acontecer deu certo. Se considerarmos o aprendizado, as cicatrizes que evitam novos erros, os tropeços, mesmo quando dá errado, dá certo, né?

E hoje, mais do que nunca, tenho plena certeza de que vai dar tudo certo e todos os meus sonhos vão se realizar. Eles até poderão ser adaptados ao longo do tempo, mas eu os vejo logo ali, depois da curva, prontinhos, funcionando, existindo, realizando, transformando. E quero pagar pra ver!

Quando anunciei o que fiz por aí, ouvi de muitos frases como “eu também queria ter essa coragem” ou “nossa, queria poder fazer algo assim”. Pra todos esses, quero dizer: perseguir seus sonhos não é questão de coragem ou oportunidade, mas de decisão! E daqui em diante meu propósito de vida é fazer com que cada vez mais pessoas decidam sonhar, realizar seus sonhos e ser verdadeiramente felizes, apesar de tudo. Contem comigo! Vida nova, aí vou eu!

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Complementos pra inspirar:

Olha o que a Martha Medeiros disse (via Carol Martins)…

“Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor, compram passagens só de ida.
Para os rotuladores de plantão, um bando de inconsequentes. Ou artistas, o que dá no mesmo. Ter uma vida interessante não é prerrogativa de uma classe. É acessível a médicos, donas de casa, operadores de telemarketing, professoras, fiscais da Receita, ascensoristas.
Gente que assimilou bem as regras do jogo (trabalhar, casar, ter filhos, morrer e ir pro céu), mas que, a exemplo de Groucho Marx, desconfia dos clubes que lhe aceitam como sócia. Qual é a relevância do que nos é perguntado numa ficha de inscrição, num cadastro para avaliar quem somos? Nome, endereço, estado civil, RG, CPF. Aprovado. Bem-vindo ao mundo feliz. Uma vida interessante é menos burocrática, mas exige muito mais.”

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Olha o recado do Bill Watterson, criador do Calvin e do Haroldo (via Potencial Gestante):

calvin

Leia também:
- Virando a página mais uma vez
- Eu quero ser feliz agora!

Estou apaixonada

amorMeu coração anda acelerado, mal para dentro do peito. Está com vontade de pular pela boca, ganhar o mundo, entrar em outros corações. Ando suspirando pelos cantos, com um sorriso quase constante no rosto.

Sinto mais vontade de me arrumar, de contar para todo mundo o que se passa comigo. Quero pular e cantarolar na rua sem me importar com os dedos que me apontarão, os olhares que me julgarão. Me coço para não sair por aí abraçando quem passar na minha frente.

Tenho chorado por pouco e por muito. Qualquer vídeo, palavra, pessoa que ative esse amor me provoca lágrimas. Minha vontade é de apenas amar, amar e amar.

Sim, estou apaixonada. Com todos os efeitos que um sentimento assim pode causar. Com todas as bobeiras que a gente é impulsionado a fazer quando está desse jeito. Com todas as borboletas no estômago que aparecem nessa situação.

Estou apaixonada mesmo, mas não é por um homem. Antes que olhos se esbugalhem e bocas se abram, explico: ESTOU APAIXONADA PELA VIDA!

Passei anos lutando para sair de crises, para não chorar de tristeza, para não parecer tão ingrata com tudo de bom que ganhei. Sentia-me péssima por não conseguir ser feliz mesmo com tanta coisa boa ao meu redor.

Mas nunca desisti de correr atrás da felicidade. Às vezes ela me parecia impossível, admito. Só que lá no fundo, bem fundo, eu ainda alimentava a esperança, esse bichinho verde que nos morde e nos mantém vivos.

Nos dois últimos anos, desde que voltei para Brasília, me dediquei mais intensamente a essa busca. Fiz terapia individual e em grupo, li livros, tomei remédio, rezei, conversei com pessoas, caí, levantei, caí mais um monte de vezes. E todos esses pedacinhos de coisas juntos foram me preparando para voar.

E é assim que me sinto hoje: pronta para voar. O empurrão que faltava começou a acontecer há dois meses, desde que entrei em um curso de coaching (uma ferramenta mundialmente usada para ajudar as pessoas a alcançarem metas). Matriculei-me para aprender a ajudar melhor as pessoas, mas, que boa surpresa, a pessoa mais ajudada, claro, fui eu.

balões voandoNão atribuo tudo o que está acontecendo dentro de mim só ao coaching, não, porque eu já vinha de um processo de autodescoberta. Mas ele tem sido, digamos, a cereja do bolo. Além de ganhar uma profissão extra, aprendi como posso reprogramar meu cérebro para ele trabalhar a meu favor. Aprendi como a forma como me comunico com o mundo altera meus resultados.

E, principalmente, reforcei uma ideia que já me foi passada desde que nasci: a linguagem do amor é a mais poderosa arma contra todos os males!

A história é longa, quem quiser me procure para saber detalhes (e eu terei muito prazer em ajudar todo mundo a crescer junto comigo). O fato é que me sinto como se tivesse trocado as lentes velhas de um óculos, feito cirurgia de miopia (de novo), subido no alto de uma montanha para ver a cidade. Minha visão está diferente e, por isso, minha vida está muito, muito melhor – mesmo sem grandes coisas terem acontecido AINDA.

Hoje agradeço com a alma por tudo que tenho. Tenho a certeza de que o melhor está por vir. Consigo sonhar e acreditar de verdade que tudo é possível. Tenho ideias novas todo dia. E sinto cada vez mais e mais vontade de fazer a diferença neste mundo.

Aguardem para ver a nova versão deste blog, das minhas palavras, das minhas ações. A nova versão da Adriana Caitano. Feliz de verdade!

Ah, só pra acrescentar: estou me apaixonando progressivamente por uma pessoa também – EU!

Filhos bons para um mundo cruel

menina mundoUm amigo meu diz que não quer ter filhos. Segundo ele, este mundo já é muito cruel hoje, cheio de maldade, violência e coisas ruins. Imagina quando a criança crescer! Seria uma crueldade obrigá-la a vir para este mundo tão mal, acredita ele. Pois eu digo que a crueldade está justamente no contrário.

E se no lugar de pensar apenas no problema que o mundo traria para seu filho, ele – e quem mais pensa assim – pensasse na solução que seu filho poderia trazer para o mundo? E se você decidisse dar todo o amor que existir a ele, transmitir-lhe os melhores valores, ensiná-lo a espalhar coisas boas por onde passar? E se você fizesse com ele tudo aquilo que gostaria que seus pais tivessem feito a você?

O risco que você corre colocando um filho no mundo é de ele crescer querendo mudar tudo de ruim que encontrar no caminho. E se seu filho se tornar o futuro ganhador do Prêmio Nobel da Paz, ou desenvolver a cura para o câncer ou a Aids? Vale a pena? No lugar de perguntar por que ter filho, eu questiono: por que privar o mundo de um cidadão de bem que pode ajudar a melhorá-lo? Você pode dizer que não há garantia alguma de que isso vá dar certo. Mas qual a chance de dar errado?

Eu já penso assim há muito tempo, mas fui instigada a escrever este texto ontem à noite, quando, por acaso, assisti a um vídeo feito pela Unilever, que pergunta: Por que trazer uma criança para este mundo? O vídeo é lindo, precisa ser visto e revisto. E serve pra quem ainda pensa que o mundo não merece receber um pedacinho de tudo que há de bom dentro da gente engatinhando por aí, levando luz a todos os cantos do planeta…

Por que trazer uma criança a este mundo?

Pra ficar junto

casalDeixando essa teoria de que “os opostos se atraem” de lado, podem existir vários motivos para duas pessoas que se gostam não ficarem juntas.

Elas podem se gostar muito, mas ter uma total incompatibilidade de gênios. Brigam por qualquer coisa, discutem por causa do tom do bom dia que o outro fez, por que ele foi mais carinhoso que o normal e ela mais fria. Ela se irrita quando ele quer ficar sozinho. Ele se incomoda porque ela nunca fica sozinha.

Eles podem se gostar muito, mas terem crenças diferentes. Ela vai à igreja toda semana, faz o sinal da cruz quando passa na porta do templo, reza antes de dormir, quando acorda, fala em Deus muitas vezes ao dia. Ele nem sequer acredita que Deus exista e acha um absurdo, uma hipocrisia ela perder tanto tempo da vida se dedicando à vida religiosa.

Eles podem se gostar muito, mas defenderem visões políticas diversas. Ele cresceu acreditando que comunistas são comedores de criancinhas, que essa coisa de socialismo é utópica, que Fidel Castro é um homem do mau, que a privatização foi a melhor coisa que aconteceu ao Brasil. Ela não bebe Coca-Cola para não alimentar o imperialismo americano, aprendeu a ler com um livro de Marx e Engels, acha que essa elite burguesa só maltrata o povo, que ser socialista é uma filosofia de vida, que o capital existe para sugar a vida das pessoas.

Eles podem se gostar muito, mas estarem em momentos difusos da vida. Ela acabou de se formar, quer construir uma carreira, viajar pelo mundo, comprar um carro. Ele tem 35 anos, quer se fixar num emprego, financiar um apartamento, ter filhos. Ou ela tem um relógio biológico apitando, avisando que está na hora de se apaixonar, casar e acelerar a produção das crianças. Enquanto ele não quer abandonar as baladas, o futebol com os amigos, a cervejinha todo dia, a variação de pares.

Eles podem se gostar muito e deixar as diferenças religiosas, ideológicas, comportamentais e temporais falarem mais alto. Mas, se o que sentirem um pelo outro for sincero e verdadeiro, se estão ligados em pensamento o tempo todo, se ainda suspiram quando se lembram de bons momentos juntos, bem… Eles só não estão juntos porque não querem!

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A seta e o alvo – Paulinho Moska

Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.

Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.
Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.
Eu digo: “Te amo!”
E você só acredita quando eu juro.

Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.
E o que era?
Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar.

Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.
É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

Não querer mais por querer demais

não mais Às vezes a gente decide se afastar de alguém exatamente por querê-lo por perto. E diz adeus justamente por querer vê-lo chegar. E vira a página simplesmente porque não quer que a história tenha um fim.

Em alguns momentos, a gente diz não a alguém ao perceber que só quer dizer sim. E o deixa ir porque quer que ele fique pra sempre. E fecha os olhos de tanto querer fitar aquele olhar.

A gente perde por medo de não ganhar, manda embora por não ter coragem de pedir pra ficar, vira as costas pra não ter um abraço recusado. Pra não sofrer, pra não se decepcionar mais uma vez.

Se a gente sabe que a outra pessoa não está ali de verdade, às vezes o melhor é não estar também. Engolir um sentimento em seco no presente pode ser menos doloroso que insistir em algo sem futuro…

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Apenas mais uma de amor – Lulu Santos

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato baby
A beleza é mesmo tão fugaz

É uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Só quando tem sol

image-(Poeminha bobo feito sem pretensão numa noite fria de primavera-inverno em Paris)

Dias frios congelam o nariz, a mão, o abraço, o laço, o sorrir, o falar, o viver, o sentir. Congelam alguns corações.

Se faz frio demais, as pessoas têm vontade de menos, têm conversa de menos, sorriso de menos, cor de menos. Olham menos nos olhos e distribuem menos atenções.

No calor – e que se aguente o clichê – somos alegres que dá ânimo ver. E dançamos mais, cantamos mais, sorrimos mais. Compartilhamos tudo entre amigos, vizinhos ou pais.

No Brasil, no México ou na Austrália, as pessoas parecem mais felizes até mesmo na Itália, onde o sol tem mais coragem de aquecer.

Carinho, informação, educação – nada disso tem a ver com dinheiro, não. Porque a vida não sorri só para quem tem. É o solzinho de cada um que dita as regras, meu bem.

O cheiro de Florença

imageFlorença é um daqueles lugares em que caminhar sem destino pode render muitos suspiros – não só pela beleza das pessoas, mas pela grandiosidade das construções. É tudo tão antigo e interessante que dá vontade de fotografar cada pedacinho. E é muito gostoso se perder aqui, porque sempre há um caminho que te levará a uma nova surpresa ou aonde você queria mesmo ir.
Nos três dias ao todo em que aqui fiquei, vi muita chuva e muito sol. E, assim como no Brasil, sempre tem um vendedor a postos pra te vender uma sombrinha ou um óculos na hora certa (eles são africanos, o que não era muito comum ver na Alemanha). Um dia chuvoso deprime um pouco os moradores da cidade, dá pra ver o mal humor. Mas, como há milhares de turistas por todo canto, eles meio que se obrigam a trabalhar.
Sob o sol, Florença é encantadora! E foi num dia assim, por sorte, que chorei duas vezes de emoção. Contrariando novamente os “roteiristas” de plantão, peguei o mapa (distribuído na estação de trem de graça, muito bom) e fui caminhando pra qualquer lado rumo ao rio Arno. Me senti em um filme do Woody Allen quando ouvi ao fundo uma clássica canção italiana enquanto chegava à ponte S. Trinita. Eram dois rapazes vestidos a caráter aproveitando o ensaio ao ar livre para ganhar um trocado. Tinha espaço pra sentar e ficar assistindo e ali fiquei. Aquelas músicas, aquele sol, aquela ponte… Foi me dando uma alegria tão grande que as lágrimas foram inevitáveis.
Resolvi continuar a caminhada e escolhi procurar uma igreja qualquer. No caminho, vi um monte de gente sentado no chão de uma praça com um monumento atrás. Gostei do ambiente, fui ver o que era e entrei (o ingresso era 10 euros, mas não paguei porque descobri a tempo que jornalistas entram de graça em muitos lugares por aqui; de qualquer forma, aqui também tem um cartão para turistas para a entrada na maioria dos museus). Achei que fosse só um museu chatinho, mas era o Pallazzo Pitti.  Foi a melhor coisa que eu fiz. A fachada escondia uma sequência extraordinária de palacetes e jardins.
Homens, não tragam suas namoradas aqui à toa. Vocês vão querer dizer que as amam mesmo se isso não for verdade o tempo todo – esse lugar cheira a romantismo! Vi muita gente sentada quase em oração por estar ali e à medida que se sobe vai ficando melhor.
 A questão aqui não é só o que o homem fez ou o que encontrou pronto, mas a forma divina com que se pode aproveitar o que Deus nos deu pra fazer algo maravilhoso. E enquanto pensava nisso, meus olhos marejaram mais uma vez. Fui invadida por uma sensação de pleno agradecimento misturado com a vontade imensa de ter aqui comigo as pessoas que mais amo. Não consigo conter as lágrimas e nem quero, elas jorram! E é também tão gostoso senti-las secando com o mesmo vento que chacoalha as árvores… Sentada na grama, fiquei esperando a emoção passar naturalmente e sem pressa.
***
Andei muito, só usei ônibus do aeroporto até o hotel. Melhor assim, pra ver tudo mais de pertinho e deixar-se surpreender. Florença tem barulho de sino de igreja, de buzina, de chuva, de ambulância passando (não entendi por que, mas elas passam aos montes e são muito barulhentas). Tem cheiro de arte, cor de terra, cara de mistério. Artistas pintando na rua, lojas com roupa barata ou uma rua inteira pra marcas famosas como Prada, Gucci e Armani (Via Tornabuoni, fica a dica pra quem tem dinheiro). E uma noite agitada, com centenas de jovens estudantes enchendo a cara de madrugada no point da cidade: a escadaria da Basílica de Santa Croche (no mínimo curioso).
 Tive a sorte de jantar e sair com amigas brasileiras que moram aqui e com italianos conhecidos delas. Ouvi-los conversando é muito bom, uma  língua interessante e relativamente fácil. Só é estranho ser parada no meio da rua por um italiano ou até um turco tentando improvisar um inglês que se oferece pra te levar a seu destino – não é por dinheiro, não te roubam nem pedem nada, é mais um galanteio atiradinho…
imageNo último dia, prestes a pegar o trem,  fui à Piazzale Michelangelo, uma boa caminhada para o outro lado do rio Arno e ladeira acima. Mas foi o melhor Dia pra fazer isso. A visão total de Florença é incrível e dá pra identificar direitinho os lugares já visitados – e daqui a cidade parece ser muito maior, agora vi o quanto caminhei! Aqui em cima tem uma réplica meio feinha do David, que aliás é o símbolo da cidade. O original está na Galleria dell’Academia, mas tinha que ficar mais de uma hora na fila esperando pra entrar e desisti. Tem uma outra réplica bem bonita na Piazza della Signoria, que é interessantíssima – e não tem que pagar nada nem pegar fila… As partes íntimas do David estão expostas em todas as banquinhas de souvenirs também, em cuecas e aventais principalmente…
Minha hospedagem, apesar de meio carinha, valeu a pena. No Ostello Archi Rossi, o café da manhã, já incluído, é muito variado (tem até macarronada!) e gostosinho. As dependências são incríveis, com arte pra todo lado, decoração bem italiana (e, portanto, meio exagerada) e espaço verde. A subida para os quartos é meio estranha, mas eles são muito grandes e arrumados, assim como os banheiros. Fiquei num quarto para 6 mulheres e foi bem tranquilo – além do banheiro, tem uma pia, dois espelhos, um computador e armários grandes pra cada uma. O ponto negativo é o atendimento – o pessoal da recepção não fala inglês direito e a comunicação não é das mais simples. Mas no todo o custo benefício, pelo menos comparando com o preço dos outros na mesma cidade, é bem bom.
A parte mais importante: a comida. Molho de tomate com gosto de muito tomate, vinho mais barato que Coca-cola, panini (um pão salgadinho com diversos recheios), brusquetas caprichadas, tiramissú e muito, muito gelato – eles são mesmo tudo aquilo que dizem! Depois de tanta comilança e andança, acabei levando de Florença uma chatíssima dor de barriga (desculpe falar disso, mas é um bom retrato do quanto enfiei o pé na jaca por aqui)! Mas não me arrependo de nada!image